Em Medicina existe um conceito estranho para muitos: análise custo-benefício. Como se sabe, os avanços tecnológicos têm propiciado a existência de tratamentos cada vez mais eficazes, mas também caros. Por isso, antes de fazer uma intervenção, há sempre que ponderar vários factores, e um deles será sempre o custo associado. Não faz sentido, por exemplo, intervir na neoplasia benigna da próstata num doente com 80 anos. Ou pagar um transplante de rim a um doente com 85 anos. Aliás, para muitas doentes existem algoritmos de auxílio no processo de decisão médica, e um dos factores tidos em conta é o custo dos tratamentos.
Vem esta conversa a propósito da proposta de incluir vigilantes nas praias o ano inteiro. Como se sabe, a maioria das nossas praias tem condições para a prática balnear apenas durante os meses compreendidos entre Junho e Setembro. Incluir vigilantes o ano inteiro, pagos pelas autarquias, seria mais um aumento absurdo do número de funcionários públicos e da despesa do Estado.
Resolver o problema das mortes recentes por afogamento em praias portuguesas passa também pela educação do público. Os portugueses devem saber que não é nada aconselhável banhar-se em praias não vigiadas, especialmente depois de Invernos rigorosos, ou depois de ingerirem um almoço bem farto. Se optarem por correr riscos, devem assumi-los e contar com as consequências. Tratando-se de crianças e adolescentes, aí já estaremos perante negligência dos pais ou encarregados de educação.
O problema da sociedade portuguesa é também uma questão de valores. Tornámo-nos uma sociedade imatura, acomodada, infantil, dependente dos cuidados do Estado paternalista. Como uma criança que precisa dos cuidados paternos, e que está incapacitada de assumir responsabilidades, acartar as consequências e guiar-se sozinha, os portugueses vivem acarinhados e protegidos pelo grande pai. As consequências não poderiam ser mais nefastas, e estão à vista. O Estado Social da cultura da doçura e da redistribuição ao estilo lusitano cria cidadãos moles, infantilizados, dependentes, irresponsáveis.
Por muito que isto choque a mentalidade portuguesa, nesta questão dos vigilantes de praia não estão apenas em causa as vidas de surfistas e cidadãos mais aventureiros que gostem de frequentar a praia durante o Inverno. Tal como na Medicina, há outro factor muito importante a ter em conta: os recursos são escassos, logo há que atentar aos custos da intervenção. Infelizmente, os portugueses não foram tocados pela cultura protestante, nem leram Adam Smith ou Max Weber.
Publicado por helenafmatos em 5 Junho, 2010
Salvar vidas na praia deve ser profissão o ano inteiro Já falta pouco para que os nadadores salvadores engrossem o número de trabalhadores da função pública. Há umas semanas tanto se tem falado sobre a problemática dos nadadores salvadores que nem se percebe como não temos morrido todos afogados dada a dimensão do problema. Tem sido um crescendo de notícias sobre o problema da nadador salvador que não estava lá. No primeiro momento os privados adoram porque lhes parece que vão pagar menos. Os sindicatos também apoiam porque nso próximos anos vários nadadores salvadores animarão manofestações várias. Depois teremos os comerciantes indignados porque os nadadores salvadores não foram destacados para aquea praia…. Enfim será o costume
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