Frederico, também já tinha pensado nisso, mas tudo tem os seus prós e contras, porque limitar selectivamente o acesso é limitar a liberdade de escolha em nome de proteger os recém formados do desemprego certo. Por outro lado, se não houver selectividade no acesso promove-se a liberdade de escolha com a utopica promessa subentendida de que os recém formados com melhores médias terão emprego quase certo. Quanto às médias a matemática e a química serem baixas, tal deve-se também ao elevado numerus clausus que é muito superior a medicina e deve-se também pelo facto de a prova de acesso a matemática ser historicamente um desastre em Portugal. Os alunos de medicina não fazem prova de acesso a matemática, razão pela qual conservam as suas médias limitadas pelo pequeno número de acesso a medicina.
Penso que à semelhança do que se passa ou passava, a medicina, seria boa idéia haver um exame psicológico (entrevista) por forma a avaliar não o conhecimento mas também a atitude profissional para assim estimar o potencial de competência dos futuros alunos de medicina ou de professores. É que há verdadeiros gênios na medicina e no ensino, mas na realidade não têm a menor capacidade psicológica para exercer medicina ou capacidade de ensinar! Eu distingo um bom professor quando após uma falta minha, vou à aula e entendo a lição como se não tivesse faltado antes! Os bons professores têm brio em ensinar, em fazer analogias, em puxar pela motivação do aluno, em explicar realmente para que serve tudo aquilo que se aprende! E os médicos é igual, devem ser simpáticos, atenciosos, éticos,profissionais, sensíveis, cuidadosos, enfim, um monte de características psicológicas que ultrapassam todo o conhecimento de medicina que possam ter!
Paulo, anda muito desactualizado. A matemática já é uma prova específica obrigatória para todos os cursos de Medicina desde 2007/2008.
Quanto às vagas de Matemática, as médias são baixas, tal como em Física e Química, porque há poucos alunos a concorrer para estes cursos. Neste momento há falta de matemáticos, físicos e químicos, e não fosse a reforma curricular feita no ensino secundário há uns anos atrás, a falta de professores nestas áreas ainda seria mais gritante.
Em relação ao desemprego no Ensino Superior. Sendo o nosso Ensino Superior maioritariamente público, o ideal é que haja uma situação de subemprego, mas não de desemprego massivo, como já existe no Direito, na Arquitectura ou como virá a suceder na Medicina Dentária. Sendo cursos muito específicos, é deitar dinheiro do Estado para o lixo formar centenas e centenas de alunos para o desemprego.
Por fim, quando falo de acesso selectivo refiro-me a exames de acesso aos cursos e à profissão exigentes.
Sobre o tal exame psicológico, conhecendo bem o meio médico, temo que isso abriria portas a muitas cunhas... é melhor estar tudo como está. Para as médias de Medicina baixarem, teremos de ter uma situação de subemprego e tornar outras profissões mais atractivas, como a de professor, investigador, físico, matemático, químico, farmacêutico... senão os cérebros continuarão todos concentrados na Medicina. Não querendo menorizar a profissão de enfermeiro, não compreendo como um curso técnico como a enfermagem tem médias de acesso de 16 ou 17 aqui no Porto e cursos universitários tão belos como Física ou Química tenham 11 ou 12 de média. Há coisas no nosso país que não fazem nenhum sentido.
Ah, e mais uma nota. Há uns anos que o Estado anda a desprestigiar as Letras. A Filosofia, a História, as Línguas passaram para segundo plano. Já não há grego nem latim nas escolas, não se lê nem estuda obras dos grandes pensadores... Churchill aos 13 anos para entrar em Eton (não entrou) tinha de saber grego e latim, com 13 anos!
Bem, isto não é só um problema português. A treta do facilitismo e da falta de conhecimento dos nossos jovens já anda a preocupar as autoridades inglesas e francesas. Já se diz que os A levels de Inglaterra andam muito fáceis, e em França o Sarkozy quer que os alunos estudem cinema para não continuarem a engolir o lixo comercial.
Nós já tivemos um bom ensino secundário, sei porque vejo a qualidade dos manuais dos meus familiares mais velhos, no entanto vieram umas mentes iluminadas e destruíram tudo. Agora até querem que nas escolas a sala de aula deixe de ser o local de aprendizagem central e passem a ser os corredores e a biblioteca, onde os alunos circularão com os seus portáteis e discutirão projectos e ideias com os professores!

Não estou a brincar.