Com a prisão de DSK, Marine Le Pen fica com o caminho aberto para vencer a primeira volta das Presidenciais em França. A filha do carismático Le Pen, e actual líder do partido nacionalista francês, tem-se demarcado nos últimos tempos dos grupos mais radicais que gravitam em torno do partido, com consequentes ganhos de popularidade.
E se Marine Le Pen vencer a segunda volta? As consequências para o futuro do euro, da UE, e também de Portugal serão imensas.
A líder da Frente Nacional:
- defende que a França, Irlanda, Espanha, Portugal, Itália, Grécia e Bélgica devem abandonar o euro;
- considera que a França deve aumentar e desenvolver o seu tecido produtivo na indústria e na agricultura, para reduzir as importações e aumentar as exportações;
- opõe-se ao multiculturalismo, e defende que a comunidade muçulmana deve seguir os costumes e leis da França;
- quer um maior controlo na entrada de imigrantes;
- assegura que as medidas de austeridade não trarão qualquer benefício e destruirão as economias dos países ajudados, e como alternativa, propõe um plano de saída do euro e reestruturação dos tecidos produtivos;
- é contra a entrada da Turquia na UE, e favorável a uma maior aproximação à Rússia;
- defende um aumento dos impostos para as grandes empresas, e uma redução para as pequenas e médias empresas;
- opõe-se a várias privatizações, defendendo que a economia francesa não deve estar vergada às imposições dos defensores dos mercados livres e desregulados.
Não percebo por que razão a comunicação social faz um alvoroço tão grande em torno da possível vitória da Frente Nacional. Ao ler as propostas de Marine Le Pen, até concordo com a maioria do que a senhora defende. A verdade é que a Europa neste momento está a duas velocidades, com as economias do Sul e das Ilhas Britânicas endividadas e estagnadas, e as economias do Centro e do Norte a crescer e com dívidas sustentáveis.