O Estado do País

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O independente Fernando Nobre, indicado pelo PSD, falhou esta segunda-feira a sua eleição como presidente da Assembleia da República, recebendo 106 votos, menos dez do que os necessários.

Nobre conseguiu 106 votos quando eram necessários 116 Nobre conseguiu 106 votos quando eram necessários 116 (Daniel Rocha/arquivo)

A eleição foi feita por voto secreto, em urna, e decorreu na primeira sessão do Parlamento que saiu das legislativas de 5 de Junho.

Fernando Nobre recebeu 106 votos, 101 deputados votaram em branco e registaram-se 21 votos nulos. Dos 230 deputados, votaram 228.

O candidato do PSD não conseguiu sequer o pleno da bancada que o propôs.

Vai realizar-se uma segunda volta.

Jornal Público
 
E à segunda votação Nobre voltou a ser recusado pela assembleia...

Sinceramente isto é uma perda de tempo... Por mim até podiam fazer a vontade ao homem e elege-lo. O presidente da assembleia da república não serve para nada... Na prática é assim.

Na teoria é a segunda figura de estado cuja importância é substituir em casos esporádicos a primeira figura de estado, que no nosso estado, também não faz nada na maior parte do tempo. Ou seja poderia ser eleito para não fazer nada, podendo de vez em quando fazer um pouco mais que nada, ou seja quase nada...

Confuso? Pois... Também acho mas é o que penso.

Quanto à eleição em si, Nobre só colhe o que semeou.... Quando afirmou que nunca faria aquilo que acabou por fazer. As palavras falam por si... As palavras são fáceis de encontrar... Arquivos de jornais, youtube, etc...

Agora ser ele ou outra figura qualquer de corpo presente tanto faz... Coloquem lá alguém depressa, que o país não precisa... de intervalos!
 
Fernando Nobre anunciou que retirou a candidatura a presidente da Assembleia da República e vai ficar como deputado.

Segundo Sousa Tavares, em comentário na SIC, Fernando Nobre pertence a essa nobre agremiação secreta que se reúne habitualmente em segredo e cujos membros envergam avental. A Maçonaria portuguesa perdeu por isso mesmo o confronto com a outra agremiação sigilenta que se cilicia em segredo e que insiste em misturar o que é de César com O que não lhe pertence.

A questão que se coloca sempre nestes casos é muito simples: que legitimidade têm essas agremiações em actuar numa democracia como se fossem as suas Sombras tutelares e que lhe confiscam cargos de responsabilidade como se estivessem em leilão ou que os arrematam por tráfico de influência?
Que seriedade merece uma actuação dessas numa democracia, supostamente um regime de transparência e correcção política em que quem vota deve saber em quem e porquê?
Estas pessoas que infliltraram o PS e o PSD ao mais alto nível, porventura até ao cimo do topo, não pensam nisto? Acham que somos uma cambada de palermas que temos de aceitar o que decidem em conclaves secretos e sem dar satisfação a ninguém que não os seus?

A resposta é também simples: acham isso mesmo.
Salazar proibiu a Maçonaria por causa do seu papel na I República. A Maçonaria não desapareceu mas não mandava como hoje, sem qualquer ponta de vergonha que não tem e nunca teve. Alguns ministros de Salazar seriam maçons e até o próprio Salazar, segundo algumas teses, não desmerecia as lojas. Desde que tivessem as portas fechadas e não fizessem barulho para os vizinhos. E que não se lembrassem de começar a por e a dispor.
É tempo de alguém fazer alguma coisa para fechar a porta dessas lojas que andam por aí. O primeiro passo é denunciar os seus membros, para ver se ganham vergonha.


http://portadaloja.blogspot.com/
 
Penso que o episódio de Fernando Nobre era perfeitamente evitável. Já se sabia que ia dar isto, não sei para que insistiu ele em tal candidatura. Valia mais logo terem colocado a Assunção Esteves sem grandes discussões.

Folguei em ver o desaparecido em combate Teixeira dos Santos na tomada de posse e toda a restante comitiva do ex- governo. Deu vontade de chorar a ida embora de tal corja, ora digam lá que não, estavam todos cá com uma cara :lmao:
 
Penso que o episódio de Fernando Nobre era perfeitamente evitável. Já se sabia que ia dar isto, não sei para que insistiu ele em tal candidatura. Valia mais logo terem colocado a Assunção Esteves sem grandes discussões.

:lmao:

Muitos militantes da oposição se vangloriam da 1ª derrota do PSD, quando na verdade, o Nobre foi chamado apenas para ir buscar uns quantos votos nas eleições. Já era de esperar o desfecho, e os deputados Guilherme Silva e Mota Amaral até já estariam a rir-se, talvez em bicos de pés..

A verdade é que do ponto de vista do Zé Povinho, o que interessa é que o governo comece a governar quanto antes, e o impedimento da oposição só lhe ficou mal. Seria a 1ª vez que um independente seria elegido Presidente da Assembleia da Republica, não defendo o nobre, pois não tenho qualquer empatia com ele, porém, o desfecho ainda foi melhor, foi elegida a 1ª mulher da história de Portugal para presidente da Assembleia da Republica.

E agora que já não há mais impedimentos, toca a governar! :cool:
 
A verdade é que do ponto de vista do Zé Povinho, o que interessa é que o governo comece a governar quanto antes, e o impedimento da oposição só lhe ficou mal. Seria a 1ª vez que um independente seria elegido Presidente da Assembleia da Republica, não defendo o nobre, pois não tenho qualquer empatia com ele, porém, o desfecho ainda foi melhor, foi elegida a 1ª mulher da história de Portugal para presidente da Assembleia da Republica.

E agora que já não há mais impedimentos, toca a governar! :cool:

Concordo contigo, a ânsia de impedir também só demonstra que muitos políticos deste país acham-se donos do país, todos nós sabemos que Nobre só aceitou porque ia desempenhar um cargo em que é preciso incensão, creio que vai acabar por dar o lugar pois acho que ele não queria engolir sapos (não é que vai-a engolir mas corre o risco de).
Mas principalmente a postura do PS foi outra vez cobarde. Pois poderia até a brincadeira em ultimo caso correr melhor a oposição que ao Próprio PSD.

Não percebo é o Léxico Parlamentar que a baixinha tanto referenciou. Dá-me cá uns nervos querem mostrar-se elite de alguma coisa.

Mas a solução foi fantástica heheheheh e nesta já teriam de ter muita vergonha pra voltarem a chumbar.
 
Governadores civis demitem-se em bloco​

Os 18 governadores civis do país, representantes do Governo nas capitais de distrito, demitiram-se. A confirmação foi dada à Renascença por fonte do gabinete do Ministério da Administração Interna. É a resposta à medida avançada por Passos Coelho, que disse que o novo Governo não vai nomear governadores civis.

Ainda assim, os governadores civis não podem abandonar o cargo de imediato. Luís Fábrica, professor de Direito Administrativo da Universidade Católica Portuguesa, explica que vão ter de esperar por uma substituição ou pela extinção do cargo.

“Mesmo que um ou outro governador civil opte por se demitir, terá de assegurar, nos termos gerais, o cargo até à sua substituição e se a sua substituição demorar muito tempo, pois bem, terá de exercer as suas funções enquanto se justificar, porque há aqui um princípio de continuidade que impede que cada titular do cargo pura e simplesmente deixe de o exercer quando quer. Pelo contrário, vai ter de assegurar até ser substituído ou até o cargo ser extinto. Vamos ver o que vai acontecer”, afirma Luís Fábrica.

“Não está nas mãos do primeiro-ministro e não está nas mãos do Governo a extinção do cargo de governador civil”, sublinha ainda Luís Fábrica, explicando que isso está dependente de uma revisão constitucional.

Bacelar Gouveia fala em “revisão constitucional encapotada”
O constitucionalista Bacelar Gouveia considera que a decisão do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de não nomear novos governadores civis é imprudente e revela uma espécie de revisão constitucional encapotada.

“Não nomear governadores civis é começar a fazer uma revisão constitucional antecipada, sem a maioria necessária e através de um órgão que não é competente, que é o Governo.”

Bacelar Gouveia admite a extinção do cargo, mas, primeiro, aconselha a proceder-se à revisão constitucional. E assinala as suas dúvidas: “Pode haver casos em que não haja ninguém para exercer essas competências”.

Uma questão que não é nova: o constitucionalista lembra que, já em 2002, o Governo Barroso/Portas teve o mesmo problema, mas que, “perante a força dos factos, chegou-se à conclusão de que tal não era possível”.

Bacelar Gouveia aconselha a que fique tudo como está até à extinção do cargo de governador civil.

Fonte: http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=94&did=161499
 
Bom, para começar e bem já demitiram-se os 18 governadores civis que nada fazem. :D Finalmente, uma geração nova de ministros, agora olhamos para a bancada do PS e é só velhos do Restelo, o PS devia deitar fora metade dos velhos do Restelo e fazer uma renovação profunda.

Acredito que este governo consiga levar a bom porto, as medidas previstas para o bem de Portugal. Passos Coelho tinha prometido que o candidato à Assembleia da Repúblico era o Fernando Nobre, mesmo sabendo que dificilmente era eleito. Cumpriu a sua palavra. Será que é desta que temos um 1º ministro sério, coerente que promete o que faz.
 
E antes que venham falar do CDS não ter viabilizado o Nobre digo antes sempre foi tradição o principal partido da oposição negociar e aceitar o presidente da assembleia.

Começa bem este PS de oposição, foi o primeiro a assinar as medidas da troika e vai ser o que mais vai votar contra...
 
Fala-se muito em auditoria à dívida, mas a maioria das pessoas não sabe o que isso é nem as suas consequências. Não se trata de uma investigação para condenar antigos governantes; não se trata de um subterfúgio para não pagar; não se trata do escrutínio das contas públicas (isso a troika já fez). É isto:

Auditoria Cidadã à Dívida Pública - O Que É?

6 de Junho por Luís Bernardo, Mariana Avelãs, Nuno Teles

Nas últimas semanas, o termo auditoria tem sido utilizado com muita frequência, e nem sempre da forma mais apropriada ou justificada. Neste momento, a sociedade civil portuguesa deve exigir uma auditoria cidadã à dívida pública. Através dessa exigência, nós, cidadãs e cidadãos da República, impediremos a continuação do sequestro do nosso destino por agentes cujos padrões de transparência não são suficientemente elevados e que não elegemos, pelo que se consideram imunes à prestação de contas que sustenta qualquer democracia.

A constituição de uma comissão de auditoria resultará numa avaliação rigorosa dos compromissos assumidos pelo sector público português e modificará os termos da discussão política. Porque, com uma auditoria cidadã, a reestruturação da dívida, que já é um dado adquirido, será feita em nome da justiça social e a favor de pessoas e famílias; com as auditorias e auditores do costume, a reestruturação será efectuada com uma atenção desproporcionada e injustificada aos credores. A sociedade civil portuguesa deve assumir as suas responsabilidades e exercer os seus direitos, nos termos da Constituição da República (Art. 48º: 1, 2).

1. O que é uma auditoria?

Uma auditoria é uma avaliação a um sistema ou conjunto de dados, de modo a verificar a sua consistência, validade e fiabilidade. Em paralelo, uma auditoria também pode avaliar a capacidade de auto-regulação de um sistema e a fiabilidade da entidade que produz um conjunto de dados. Pode ser complementada com uma avaliação dos mecanismos de verificação interna do sistema ou da entidade que produz os dados.
Uma auditoria financeira, por exemplo, é uma verificação da consistência, validade e fiabilidade da demonstração financeira produzida por uma entidade, como uma empresa.

2. Qual é a diferença entre uma auditoria às contas públicas e à dívida (externa, pública ou privada)?

Uma auditoria às contas públicas é diferente de uma auditoria à dívida.

a) Numa auditoria à dívida, verificam-se os compromissos assumidos por um devedor, tendo em conta a sua origem, legitimidade, legalidade e sustentabilidade.
b) Uma auditoria às contas públicas compreende, pelo menos, duas dimensões do sector público: uma avaliação da estrutura de despesas e uma avaliação da estrutura de receitas. Normalmente, uma auditoria às contas públicas é entendida como verificação das despesas públicas. A amplitude de uma auditoria deste género, sem monitorização adequada, pode torná-la um instrumento político, utilizado por grupos de interesses com objectivos aparentemente indeterminados e que podem atentar contra o interesse público (como a redução das transferências sociais).

A dívida externa é a soma da dívida pública (todos os compromissos assumidos pelo sector público perante credores não-residentes em Portugal) e dívida privada (todos os compromissos assumidos por residentes em Portugal perante não-residentes em Portugal). Portanto:

a) uma auditoria à dívida pública refere-se aos compromissos assumidos pelo sector público (incluindo dívida privada garantida pelo Estado) perante credores residentes e não-residentes;

b) uma auditoria à dívida privada refere-se aos compromissos assumidos pelos bancos, empresas e famílias e indivíduos residentes perante credores residentes e não-residentes;

c) uma auditoria à dívida externa refere-se aos compromissos assumidos pelo sector público, pelos bancos, pelas empresas e pelas famílias e pelos indivíduos residentes em Portugal perante credores não-residentes.

3. No que diz respeito à dívida pública, qual é a diferença entre auditoria externa e auditoria cidadã?

Auditorias externas e auditorias cidadãs dizem respeito a dimensões diferentes. Vejamos porquê:

a) Uma auditoria externa ou independente é uma avaliação da dívida feita por elementos exteriores ao Estado português. Embora as auditorias externas sejam, teoricamente, independentes, isso não se verifica em todos os casos.

b). Uma auditoria cidadã é uma verificação coordenada pela sociedade civil.

Podemos tirar algumas conclusões desta classificação:

a) Uma auditoria externa pode ser efectuada por qualquer entidade auditora, desde que a mesma não pertença à estrutura orgânica do sector público;

b) Uma auditoria externa pode não ser independente. As quatro grandes auditoras (Ernst&Young, PricewaterhouseCoopers, KPMG e Deloitte) mantêm, desde há vários anos, relações contratuais com diversas instituições públicas, regimes de responsabilidade limitada e um oligopólio que previne e diminui os seus incentivos à prestação de contas perante os cidadãos. Não garantem um grau adequado de transparência numa auditoria à dívida pública. Nesse sentido, são auditoras externas, mas não independentes ou credíveis para o efeito;

c) Uma auditoria cidadã é uma avaliação efectuada por uma comissão constituída por membros da sociedade civil. Ou seja, é uma auditoria externa, porque a comissão não é estatal, embora possa incluir titulares de cargos públicos, e é uma auditoria independente, porque garante, desde logo, um grau adequado de transparência e prestação de contas aos cidadãos. Contudo, a independência de uma comissão cidadã deve exigir a colaboração da mesma com instituições públicas específicas, como o Tribunal de Contas, o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público e o Banco de Portugal.

4. Porque devemos exigir uma auditoria cidadã?

Existem duas razões principais:

a) Uma auditoria cidadã é a única modalidade que oferece garantias em termos de transparência e prestação de contas à sociedade civil. Além disso, é a única que garante rigor e precisão na detecção de dívida legítima, ilegítima, insustentável ou odiosa.

b) A auditoria cidadã tem o objectivo de clarificar o processo de reestruturação da dívida e torná-lo político. Com uma auditoria cidadã, a reestruturação passará obrigatoriamente por considerações de justiça social e não apenas por obrigações contratuais ou pela satisfação das prioridades de credores (especialmente de credores que são co-responsáveis pela contracção de dívida ilegítima/ilegal/insustentável).

5. Qual é o papel da sociedade civil neste processo?

A sociedade civil desempenha três papéis principais:

a) Elege os representantes que formarão uma comissão de auditoria;
b) Define os termos da fiscalização à comissão de auditoria;
c) Utiliza os resultados.

6. Que tipos de dívida podem ser detectados numa auditoria cidadã da dívida pública?

A dívida pública pode ser dividida em quatro categorias:

a) Dívida legítima: Compromissos assumidos pelo sector público nos termos da lei, em igualdade de circunstâncias entre devedor e credor, e em benefício (subjectivo/objectivo) do interesse geral;

b) Dívida ilegítima: Compromissos assumidos pelo sector público nos termos da lei, mas sem que se verifique a situação de igualdade de circunstâncias entre devedore e credor, e/ou em prejuízo (subjectivo/objectivo) do interesse geral;

c) Dívida ilegal: Compromissos contraídos pelo sector público em violação do ordenamento jurídico aplicável;

d) Dívida odiosa: Compromissos contraídos por regimes autoritários em prejuízo claro dos interesses dos seus cidadãos;

e) Dívida insustentável: Compromissos assumidos pelo sector público cujo pagamento é incompatível com o crescimento e criação de emprego (o volume de encargos com dívida e juros respectivos asfixia as finanças públicas).

Podemos tirar algumas conclusões:

a) O empréstimo acordado com a comissão conjunta BCE-CE-FMI comporta juros insustentáveis, pelo que uma parte da dívida é, previsivelmente, insustentável. O caso da aquisição dos submarinos, em que existem suspeitas fundadas de práticas corruptas e, em cujo âmbito, já foi aberto um inquérito, exemplifica um compromisso insustentável e potencialmente ilegal.

a.1) As parcerias público-privadas (PPP), casos de complexidade acrescida, devem ser incluídas no âmbito analítico de uma auditoria cidadã à dívida. A maioria dos estudos de impacto financeiro apontam para a sua insustentabilidade; as PPP são, por definição, opacas e, em vários casos documentados, obrigam o Estado a suportar perdas significativas, enquanto os parceiros privados derivam lucros cuja tributação continua a ser insuficiente para compensar esta discrepância. Portanto, também devem ser escrutinadas.

b) Os resultados de uma auditoria cidadã à dívida pública podem ser estimados, mas não determinados antes do processo;

c) Uma parcela da dívida pode ser ilegítima e sustentável, legítima e insustentável ou ilegítima e insustentável; em qualquer destes casos, deve ser exigida a reestruturação;

d) A dívida odiosa é um conceito cuja aplicabilidade em países democráticos é mais complicada.

7. Quais as consequências?

Se os resultados de uma auditoria cidadã à dívida pública determinarem a existência de uma das três combinações que leste no ponto anterior, a consequência deve ser a reestruturação da dívida, imediata ou faseada. É importante enfatizar isto: a dívida contraída de forma legítima será identificada como tal - por exemplo, certificados de aforro ou certificados do Tesouro. O objectivo de uma auditoria cidadã é descritivo e analítico: a comissão de auditores deve proceder a uma análise rigorosa e exaustiva de todos os compromissos assumidos pelo sector público, para poder classificá-los da forma apropriada e comunicar os resultados de forma clara, simples e compreensível à sociedade civil, de modo a que a mesma possa usá-los para exigir uma reestruturação imediata ou faseada.
O corolário lógico de uma auditoria cidadã tem duas dimensões:

a) A sociedade civil deixa de estar submetida a imperativos tecnocráticos e opacos; passa a dispor de um instrumento de pressão política, devidamente investigado e fundamentado, para exigir, nos termos que definir, uma reestruturação que dê prioridade às pessoas e ao bem-estar, não aos credores;

b) Uma reestruturação da dívida por iniciativa dos devedores será sempre mais justa do que se for orientada pelos interesses dos credores. Porquê? Porque será efectuada atendendo aos interesses de todas as partes envolvidas, priorizando os interesses das cidadãs e cidadãos portugueses.

8. Quem é que faz a auditoria cidadã?

A auditoria cidadã deve ser feita por membros da sociedade civil, com ou sem filiação partidária, sindical ou associativa. Para ser bem sucedida, a comissão deve procurar incluir, em todo o processo, representantes de instituições públicas relevantes, como os já referidos TC e BdP, e um observador do IGCP, que será uma das entidades auditadas. Além disso, deve incluir, como membros ou observadores, colaboradores de organizações internacionais com experiência em auditoria à dívida (p.ex: CADTM, Eurodad, New Economics Foundation, Jubilee Campaign, ODG).

9. Quem é que fiscaliza uma auditoria cidadã?

A fiscalização da auditoria cidadã e a responsabilidade solidária dos membros da comissão de auditoria são duas das garantias que tornam esta opção mais credível e fiável que as suas concorrentes. No entanto, todas as decisões acerca da fiscalização - orgânica, competências e prestação de contas - devem ser tomadas no seio de uma plataforma representativa da sociedade civil. Com estes equilíbrios e garantias, a auditoria cidadã fica em condições de exigir um mandato político que lhe permita aceder a toda a documentação relevante e a fazer um levantamento rigoroso e exaustivo da dívida pública e dívida privada garantida pelo Estado.

10. Que tipos de trabalho, prazos, obstáculos e pressão são de esperar numa auditoria cidadã à dívida pública?

Uma auditoria cidadã pode proceder de várias formas e em várias fases. Este é um exemplo retirado do manual do CADTM para auditorias à dívida:

a) Análise geral dos processos de endividamento
b) Análise dos contratos
c) Exame à alocação real das verbas
d) Análise dos dados actuais

Existe uma quantidade indeterminada de obstáculos e pressões, mas podemos apontar alguns:

a) Obstáculos técnicos: dificuldades na identificação dos dados e contratos relevantes; acesso a documentos e dados relativos a dívida não contabilizada ou de contabilização duvidosa (Parcerias Público-Privadas; Empresas Públicas; Entidades Públicas Empresariais), acesso a documentos e dados relativos a dívida privada garantida pelo Estado; quantidade e complexidade dos dados/contratos.

b) Obstáculos políticos: bloqueio do acesso à informação por agentes políticos (nacionais e internacionais); falta de credibilidade técnica e política da auditoria e dos auditores; baixo pluralismo no debate mediático (vantajoso para oposição à auditoria cidadã).

11. Em que países foram feitas auditorias cidadãs, ou com participação alargada da sociedade civil, à dívida pública, e com que consequências?

Foram feitas auditorias cidadãs no Brasil, Filipinas e Uruguai. E também no Equador, mandatada pelo presidente Rafael Correa. A dívida foi reduzida em 25%, parcela que foi considerada ilegal.

12. No contexto dos países periféricos da Europa, está a proceder-se ou proceder-se-á a alguma auditoria cidadã?

Na Grécia, foi constituída uma comissão de auditoria, com membros da comunidade científica, política, sindical e activista. A Declaração de Atenas foi apresentada em Maio de 2011, e exige a «auditoria democrática das dívidas», «respostas soberanas e democráticas à crise da dívida» e «restruturação económica e redistribuição, não endividamento.» O apelo à constituição da comissão (traduzido aqui) foi subscrito por várias personalidades internacionais. Na Irlanda, uma iniciativa coordenada pela AFRI - Action for Ireland, pela DDCI - Debt and Development Coalition Ireland (que congrega cerca de 90 organizações), e pelo Unite (um dos maiores sindicatos irlandeses), foi lançada a 4 de Maio. Serão contratados 3 investigadores, que terão o apoio de 4 representantes de cada uma das organizações coordenadoras. Todo o processo será financiado pela sociedade civil e o projecto apresentará resultados preliminares em Junho.

http://www.cadtm.org/Auditoria-Cidada-a-Divida-Publica
 
Quando a professora de geografia perguntava "Quem foi o Presidente da República antes do Dr. Jorge Sampaio?", todos respondíamos "o Mário Soares". E ela dizia "Errado, o DOUTOR Mário Soares".

Há uns tempos o Jaime Gama embirrou com um secretário de estado por este não ter interpelado a AR com a pompa e circunstância que esta merecia.



Podia estar aqui o dia todo a escrever exemplos do nosso provincianismo bacoco. Mas prefiro dar destaque a isto:

"Eu prefiro que me chamem sempre Álvaro, porque há uma coisa lá de fora que eu gosto. quando cheguei a Inglaterra pela primeira vez, em vez de chamarem senhor professor a um professor catedrático que era meu orientador, chamavam-lhe Mark, e eu, a partir daí, achei que era muito bom e gosto bastante. Prefiro que me chamem Álvaro do que me chamem ministro", afirmou.

http://aeiou.expresso.pt/ministro-da-economia-todos-sabemos-que-vem-ai-tempos-dificeis-video=f657803

É a primeira grande medida deste governo. Não faz baixar o défice, não cria emprego, não mata a fome a ninguém, mas é um avanço cultural de décadas. O Álvaro poderá ou não vir a ser um bom ministro, mas já ajudou a mudar Portugal. Abaixo a parolice, e espero que os nossos jornalistas lhe façam a vontade.
 
Editado por um moderador:
Quando a professora de geografia perguntava "Quem foi o Presidente da República antes do Dr. Jorge Sampaio?", todos respondíamos "o Mário Soares". E ela dizia "Errado, o DOUTOR Mário Soares".

Há uns tempos o Jaime Gama embirrou com um secretário de estado por este não ter interpelado a AR com a pompa e circunstância que esta merecia.

Eu simplesmente renegava-me de dobrar a língua daquela forma! A muitos que se julgam...
 
inurl: visto.blog.pt

ativos disse:
Creio que a melhor oportunidade para uma sociedade ter bem e serviços de elevada qualidade a um preço justo e competitivo, é na livre concorrência.

Logo aqui atendendo as privatizações previstas ou cria-se condições para existir concorrência ou então entregaremos o ouro ao bandido, criar condições para empresas publicas serem vendidas a privados dando todos os meios de ter um monopólio efetivo é um passo errado.

Empresas como a REN que tem como missão gerir a energia que entra e sai do país, o seu respectivo transporte. Grave aqui é entregar linha e cabos que custam milhões, construídas com o dinheiro do contribuinte ao longo dos anos e que nunca poderão ser alvo de respectiva concorrência. Empresas como a Águas de Portugal em que os respectivos melhores postos de captação, rede de transportes de águas e distribuição é outra das empresas que nunca poderá ter verdadeira concorrência, seria outro monopólio bem apetecível.

Nós, Portugueses, já temos a infeliz prova na venda da rede de comunicações em cobre a PT a preço LowCost, lowcost ou não, é que nenhuma empresa poderá construir linhas da mesma forma que a PT tem construída, e que muitas foram financiadas pelo principio de bem de primeira necessidade a zonas que não era economicamente viáveis pudessem a ter. Hoje a PT foi imposta a fazer a revenda a preços não justos, algo bem parecido aos Pipelines e refinarias da Galp que só tem concorrência da PT na zona norte e não em tudo o Portugal, assim esta pouco livre concorrência de preços faz aos consumidores verem uma certa homogeneidade dos respectivos preços nas diversas empresas distribuidoras.

Agora empresas como a Caixa Geral, Seguros, CTT Carga entre outras, que estão inseridas em mercados já altamente concorrenciais creio que é com segurança para todos nós portugueses que poderão ser privatizadas e reverterem-se a ser Ativos ao nosso orçamento, e não futuros passivos a nossa economia.
 
A respeito de privatizações.. Acho piada os nossos personagens, agentes, como lhes queiram chamar, no ramo da comunicação social.. Então não é que estes senhores sempre se queixaram de que a rtp lhes "rouba" capital financeiro nos anúncios e patrocínios, e agora estão todos contra a privatização da rtp porque vai gerar mais um concorrente privado?! Então em que é que ficamos? Para mim está muito claro, temos de viver com o que temos, e em função disso ser o que somos! Está muito claro para mim que uma empresa do estado que faz um buraco financeiro de 200 a 300milhões de euros por ano de dívida, tem e deve ser privatizada quanto antes melhor! Este dinheiro sai-nos dos nossos bolsos, dos nossos impostos, que raio! É dinheiro que podia ser veiculado para apoios sociais, ou melhor ainda, para apoios ao emprego! Mas já ouvi umas vozes, de que já não é para já a dita privatização, o que acho muito mau!
 
Estado
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