O Estado do País

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E vou deixar apenas uma referência, ontem os juros da divida atingiram os 18.25% quando deviam estar abaixo da euribor que esta ainda abaixo dos 2.2%
Ora aí nem que nós mudando as regras do jogo conseguiremos voltar ao mercado a esse preço, já muita loucura fizemos no desgoverno de Sócrates quando devíamos ter pedido ajuda nos 7% ou menos.

Agora amigo resta ao estado se a União Europeia liderada pela Alemanha assim quiser, bloquear os depósitos Portugueses, fechar os mercados e sair do Euro. Voltarmos a politica de Salazar, impedindo ou criminalizando, a saída do capital engordado quando as vacas eram gordas e a custa de muitos de nós.

Se formos pelo radicalismo é assim.
 
Perturbações em Espanha e Itália sem lógica Económico com Lusa disse:
A ministra da Economia espanhola afirmou que "não é lógico" que Espanha e Itália sejam "afectadas” porque têm economias "fortes".

"Não é lógico que a Espanha ou a Itália sejam afectadas pela instabilidade dos mercados. Nós temos economias diversificadas, fortes, que sempre souberam lidar com os problemas", declarou Elena Salgado à rádio Cadena Ser.

"Se formos capaz de transmitir a determinação que todos temos, os mercados devem razoavelmente acalmar-se", acrescentou, citada pela Agência France-Press.

Na segunda-feira, a Itália, a terceira maior economia da zona euro e segunda com maior dívida logo a seguir à Grécia, viu os seus juros da dívida atingirem máximos históricos desde o começo da moeda única. Em Espanha, os mercados bolsista e da dívida viveram também uma jornada dramática, com o diferencial dos títulos a 10 anos a atingir os 342 pontos base e a rentabilidade dos títulos a 10 anos a passar os seis por cento.

Eu sei que existe o Pai Natal..., YOU GO DOWN, Baby
 
A Itália e a Espanha entraram no precipício. É provavelmente o fim do euro. Seguir-se-á de seguida a Bélgica e a França. Depois, quem sabe, o Reino Unido. Os EUA têm vários Estados à beira da falência. E o país pode entrar em default já em Agosto, mas mesmo que esse cenário não se verifique, as contas de vários estados criarão um problema interno grave. A China tem uma bolha imobiliária gigante à espera de rebentar: basta que a Europa e os EUA vejam as suas economias cair a pique para que as exportações chinesas desçam, e a China também entrará numa situação complicada. Das revoluções muito giras e tal do Mundo Árabe sai uma certeza, o Islão político ganhará o poder na Tunísia ou no Egipto: a Europa e Israel saem a perder. Voltando à Europa, a Bélgica está á beira da ruptura, e o país poderá dividir-se em dois países ou dois países e uma cidade-estado cujo futuro será incerto. Na Itália, o movimento independentista e nacionalista da metade norte tem crescido. Em diversos países, as tensões entre as comunidades islâmicas e os povos europeus nativos são cada vez mais preocupantes, o que se tem traduzido num crescimento expressivo da Direita nacionalista.

Enfim, nunca vi o futuro tão incerto...
 
Eu sou contra o uso do ouro, acho que ele deve servir de fundo de emergência do país para uma catástrofe, um grande sismo por exemplo. E infelizmente já muito se vendeu por imposição de politicas de bancos centrais.

Já agora, falando de ouro, a direita suíça começa a discutir politicamente o regresso ao padrão ouro, cada vez mais se antevê o fim do euro e também do dólar (como moeda global) pois aquilo nos EUA quando também estoirar (é apenas uma questão de tempo) vai ser a "perfect storm" global e se isso acontecer as pessoas procurarão moedas-refúgio que valham realmente alguma coisa.


Um dos candidatos ao Partido Republicano também defende o regresso ao padrão-ouro :thumbsup: Curiosamente também é afro-americano, como o Obama.
 
A falar em Grécia:





Ontem a bolsa teve uma queda enorme nas acções e com principal queda a incidir sobre as nossas empresas a serem privatizadas...

Já cada vez mais não acredito que acham inocentes...



Sim, efectivamente a intenção deve ser essa. Nós (UE) baixámos a guarda... mas os EUA não são o único problema... devemos perdoar, mas nunca esquecer... a Alemanha está a ganhar mto poder... se "isto" continuar assim a Alemanha não terá nenhum problema em nos virar as costas...
Nesta fase nem o "benefício da dúvida" lhes dou... temos que esperar o melhor mas nos prepararmos para o pior...
 
Editado por um moderador:
2 ideias que me andam a cansar a inteligência:

- Durão Barroso não percebe a nacionalização do BPN começada no final de 2008 (já vai em 5 ou 6 mil milhões de euros)

- 43% dos portugueses estariam em risco de pobreza, sem a ajuda do Estado (dados de 2009!!! ano em que não existiram estes brutais cortes nas prestações sociais e em que houve um aumento de salários de 2,9%).

Entretanto:

«Jorge Coutinho - O despertar dos trabalhadores rurais - Revista libertária mensal Lumen de 1911

(Jorge Coutinho foi um dos sindicalistas lisboetas que, em missões de propaganda ou de trabalho, percorreram o Alentejo e o Ribatejo no período das movimentações de trabalhadores rurais após a implantação da República)

- O segundo texto de Jorge Coutinho aqui em parte reproduzido, publicado sem título na rubrica «As minhas impressões» da mesma revista, é o relato de uma viagem do autor ao Baixo Alentejo (Sobral da Adiça e Moura) em missão de propaganda, no final de 1911. -

Oito horas de comboio através do Sul do País são pretexto para uma rápida análise da situação dos trabalhadores, do sistema de cultura, da distribuição e do aproveitamento das terras alentejanas. Segue-se uma curta descrição dos locais visitados, seu isolamento e abandono, o comunitarismo do povo, o caciquismo, o (fraco) poder da Igreja. Tudo perpassado, tal como o texto anterior, por fortes marcas de anti-republicanismo e anticlericalismo — posições que, só por si, quase definiam o anarquismo desta época.

Pequenos casais com a sua casita muito branca, um forno, um hortejo, algumas galinhas e um porquito, constituem todo o domínio desses trabalhadores. Alta madrugada, o camponês vai para o hortejo e todas as manhãs de lá sai para trabalhar por conta do lavrador — proprietário ou rendeiro. Todos os casais nos parecem uma grande herdade há longos anos cultivada, quando, ainda não há muito, aquilo era uma charneca inculta onde o mato crescia à vontade, tendo como proprietário algum ocioso. Um dia, este entrou a dar de aforamento diversos tractos de terreno, e assim foi auferindo duplo lucro: o aforo e a valorização da propriedade, produzida pelos foreiros, com o seu trabalho, a sua força e a sua vontade.

Não raras vezes vemos na imprensa diária jornalistas a soldo, ou indivíduos com interesses que lhe andam ligados, dizerem-nos ou, por outra, tentarem convencer-nos de que a situação desse grupo, a que também se chama agricultores, é mais precária que a dos próprios trabalhadores, e portanto lhe são necessárias leis de protecção, pois, afirmam, «a agricultura definha; se não a protegem, morre». A quem não conhece a vida agrícola podem estas afirmações impressionar; mas quem, como nós, a conhece um pouco descobre imediatamente a ambição desenfreada dos agricultores, que constituem entre nós a média burguesia.

A praça é como que um leilão de carne humana, um mercado de escravos. Localidades há onde o costume tradicional leva os operários a submeter-se a verdadeiras baixezas, como, por exemplo, a molhadura. Molhadura é o copo de aguardente que o patrão manda dar aos operários que arrematou e mediante o qual eles ficam impossibilitados de se deixar arrematar por outro patrão, embora o leilão acuse repentinamente uma alta de preços. É claro que este facto, a maior parte das vezes, dá origem a contendas entre os operários, pois que uma parte não se submete pelo simples copo de aguardente, enquanto a outra, mais tradicionalista e mais medrosa, quer trabalhar perdendo dinheiro.»
 
Infelizmente, além dos cerca de 40% de portugueses que viveriam na pobreza caso não recebessem ajudas do Estado, ainda há 17% de portugueses adultos que dependem de ajudas de familiares, isto segundo uma sondagem que vi há uns tempos. Para que serviram as ajudas comunitárias?
 
Pois, é um tempo semelhante aos dos anos 30, uma grande depressão e tensões sociais muito fortes entre diferentes povos e entre os governos.

É nestas alturas que a politica nacionalista ganha adeptos. E isto porquê? Porque o povo procura segurança e os políticos liberais não abrem os olhos perante isso.

Eu sou politicamente um liberal de esquerda, e até eu começo a pensar um pouco nacionalista. Não no sentido racial (isso é horrível). Eu sou a favor da sociedade multicultural mas têm que haver regras e limites. Não se pode dar qualquer espaço ao islamismo radical, nem à formação de guetos, onde esse se instala.

Nem se pode ser liberalista na economia ao ponto de deixar a economia autodestruir-se por causa de práticas especulativas. E causando a destruição e caos social que afecta neste momento países como a Grécia. Se a crise económica aumentar, será muito grave para a Europa. Os manifestantes também não sabem bem o que querem e esse é o problema. Tumultos na Europa provavelmente só iriam dar em anarquia, e pior, em golpes de estado. O voto em políticas diferentes é a única solução segura.

Se os nossos políticos continuarem a acreditar no neoliberalismo e na auto-regulação dos mercados, parece-me então que vamos ter um colapso. O Passos Coelho, o Cavaco, têm que abrir os olhos. Do mesmo modo, a austeridade não é uma solução. Quer o liberalismo, quer a austeridade que se segue para tentar corrigir as dividas, foi precisamente o que aconteceu aquando da grande depressão nos anos 30, e sem resultado positivo.

Sinceramente não vejo solução para o embróglio económico. E acho que os políticos europeus sentem a mesma coisa (daí que pareçam estar a agir confusamente)

A Itália e a Espanha entraram no precipício. É provavelmente o fim do euro. Seguir-se-á de seguida a Bélgica e a França. Depois, quem sabe, o Reino Unido. Os EUA têm vários Estados à beira da falência. E o país pode entrar em default já em Agosto, mas mesmo que esse cenário não se verifique, as contas de vários estados criarão um problema interno grave. A China tem uma bolha imobiliária gigante à espera de rebentar: basta que a Europa e os EUA vejam as suas economias cair a pique para que as exportações chinesas desçam, e a China também entrará numa situação complicada. Das revoluções muito giras e tal do Mundo Árabe sai uma certeza, o Islão político ganhará o poder na Tunísia ou no Egipto: a Europa e Israel saem a perder. Voltando à Europa, a Bélgica está á beira da ruptura, e o país poderá dividir-se em dois países ou dois países e uma cidade-estado cujo futuro será incerto. Na Itália, o movimento independentista e nacionalista da metade norte tem crescido. Em diversos países, as tensões entre as comunidades islâmicas e os povos europeus nativos são cada vez mais preocupantes, o que se tem traduzido num crescimento expressivo da Direita nacionalista.

Enfim, nunca vi o futuro tão incerto...
 
A crise actual, que se vive nos dias que correm, tem mais de socialista que de neo-liberal. O rebentamento da bolha imobiliária nos EUA apenas serviu de chama para atiçar o barril de pólvora, e esse combustível é a existência de um Estado Social que vive acima da riqueza que o Ocidente produz.

Os recursos são finitos, e muitos dos bens que precisamos estão nos chamados países emergentes. Há muito que começou uma transferência brutal de riqueza do Ocidente para o Mundo Árabe, América Latina, Sudoeste Asiática ou África Sub-Sahariana.

No Ocidente, e em especial na Europa, com o aumento da esperança média de vida, a entrada cada vez mais tardia no mercado de trabalho, o crescimento desmesurado dos salários e dos apoios sociais, há muito que se previa uma explosão do Estado Social.

O actual sistema de reformas foi pensado numa altura em que a esperança média de vida na Europa Ocidental rondava os 70 anos. Portanto, a idade de reforma, ficou nos 65 anos. Ora neste momento a esperança média de vida na Europa ronda os 80 anos, e a tendência é para continuar a aumentar nas próximas décadas, graças ao desenvolvimento da Medicina. Simultaneamente ao aumento da esperança média de vida, houve países que reduziram a idade da reforma para 62 ou 60 anos, e os jovens começaram a entrar cada vez mais tarde no mercado de trabalho, tanto que actualmente uma percentagem cada vez maior entra apenas depois dos 30 anos.

Por outro lado, os custos dos serviços de saúde públicos, fruto do aumento das remunerações e do aumento do custo dos tratamentos, cada vez mais sofisticados, tudo aliado a uma gestão não raras vezes incompetente, levou a um rombo nas contas dos serviços nacionais de saúde de vários países europeus.

O problema é mais grave nos países do Sul, pois os países do Norte há muito que levaram a cabo reformas que permitem a existência de um Estado Social sustentável. É o caso da Suécia, que nos anos 90 despediu milhares de funcionários, da Dinamarca, que tem as leis laborais mais liberarais do mundo, da Suíça, onde a reforma máxima não ultrapassa os 2000 euros, da Alemanha, que pretende aumentar a idade da reforma para os 70 anos, etc. A Suíça, a Alemanha ou a Suécia estão mesmo entre os países com melhores perspectivas económicas a médio e longo prazo em toda a Europa.

Portanto, acima de tudo estamos perante uma crise específica de alguns países, que poderá desplotar uma crise em países que emprestaram dinheiro ao Sul, mas que têm economias dinâmicas e Estados Sociais sustentáveis. A longo prazo, poderão aumentar as tensões entre Sul e Norte, o que porá em causa a própria UE.

Portanto, para o Estado Social sobreviver, os europeus, em especial os meridionais, terão de mudar. Os jovens terão de começar a trabalhar mais cedo, a descontar mais cedo, teremos de trabalhar todos até mais tarde, os europeus não poderão continuar a recusar profissões que são depois exercidas por imigrantes, a exigência no Ensino terá de aumentar...
 
Como é que Sócrates vai viver sem ordenado em Paris? disse:
No próximo ano, o ex-primeiro-ministro ainda não tem direito à subvenção vitalícia como deputado
José Sócrates vai ficar um ano sem ter acesso a qualquer subsídio do Estado, pelo desempenho de cargos públicos desde 1987. Tudo porque ainda não chegou aos 55 anos que lhe dão acesso à subvenção vitalícia como deputado. Essa subvenção será de 1449,58 euros mensais, por ter estado onze anos na Assembleia da República, mas no ano em que irá para Paris, Sócrates não vai mesmo receber nada.

O acesso à subvenção vitalícia (limitado aos deputados mais antigos) só pode ser pedido aos 55 anos. Sócrates tem agora 53 e só chega à idade limite em Setembro do próximo ano. E neste espaço de tempo deverá rumar a Paris para estudar Filosofia, segundo avançou o "Expresso" no mês passado. Um ano "sabático" no estrangeiro para se afastar do país seria o projecto imediato do ex-primeiro-ministro, que o anunciou ao seu círculo mais próximo logo quando perdeu as eleições. A notícia nunca foi desmentida.

Já a semana passada, fonte próxima do primeiro-ministro disse à Lusa que Sócrates pedira uma licença sem vencimento na Câmara da Covilhã, onde era funcionário do quadro como engenheiro técnico, para ingressar numa instituição universitária internacional. O i sabe que o ex-primeiro-ministro já recebeu vários convites profissionais no estrangeiro, mas não deve aceitar nada por agora.

Para além de poder vir a ficar afastado de qualquer actividade profissional no próximo ano, José Sócrates não tem depósitos a prazo, à ordem ou qualquer Plano Poupança Reforma declarado. A nova lei do controlo da riqueza dos titulares de cargos políticos obriga a declarar as contas à ordem com saldo superior a 50 salários mínimos, correspondente ao valor actual de 24 250 euros e Sócrates nada declarou. Para além disso, na declaração que teve que entregar no Tribunal Constitucional, não constam poupanças, noticiou o "Correio da Manhã", citando a declaração de rendimentos de cessação de funções de primeiro-ministro entregue a 20 de Junho. Em seis anos como primeiro-ministro, Sócrates ganhou mais de 600 mil euros.

A subvenção vitalícia Em 2005, José Sócrates, acabado de chegar ao poder, aprovou uma lei que pôs fim às subvenções dos titulares de cargos políticos, com excepção do Presidente da República e dos presidentes dos governos regionais. Mas quem já tivesse 12 anos de funções de deputado, consecutivos ou interpolados, à data da entrada em vigor da lei (Outubro de 2005) poderia receber a subvenção, correspondente a 48% do ordenado base de deputado, assim que completasse os 55 anos. Por essa altura, José Sócrates tinha apenas onze anos como parlamentar, por isso, a sua percentagem limita-se aos 44%. Como o vencimento base de um deputado é de 3294,52 euros, caso Sócrates faça o requerimento, poderá receber do Estado 1449,58 euros.

A mesma lei de 2005 acabou com a subvenção vitalícia a que os primeiros-ministros também tinham direito. Sócrates foi eleito em Fevereiro de 2005 e a lei foi publicada em Outubro pelo que teria direito a uma subvenção correspondente aos quase nove meses em funções. O ordenado base do primeiro-ministro é actualmente de 4892,724 euros (já com o corte de 10% que foi aplicado a partir do Orçamento do Estado para 2011). No entanto, Pedro Silva Pereira, à data ministro da Presidência, referiu nessa altura que, por opção própria, "o actual primeiro-ministro já não receberá essa pensão vitalícia". Uma opção confirmada ao i por fontes próximas de José Sócrates.
in "I"
 
A crise actual, que se vive nos dias que correm, tem mais de socialista que de neo-liberal. O rebentamento da bolha imobiliária nos EUA apenas serviu de chama para atiçar o barril de pólvora, e esse combustível é a existência de um Estado Social que vive acima da riqueza que o Ocidente produz.

Os recursos são finitos, e muitos dos bens que precisamos estão nos chamados países emergentes. Há muito que começou uma transferência brutal de riqueza do Ocidente para o Mundo Árabe, América Latina, Sudoeste Asiática ou África Sub-Sahariana.

No Ocidente, e em especial na Europa, com o aumento da esperança média de vida, a entrada cada vez mais tardia no mercado de trabalho, o crescimento desmesurado dos salários e dos apoios sociais, há muito que se previa uma explosão do Estado Social.

O actual sistema de reformas foi pensado numa altura em que a esperança média de vida na Europa Ocidental rondava os 70 anos. Portanto, a idade de reforma, ficou nos 65 anos. Ora neste momento a esperança média de vida na Europa ronda os 80 anos, e a tendência é para continuar a aumentar nas próximas décadas, graças ao desenvolvimento da Medicina. Simultaneamente ao aumento da esperança média de vida, houve países que reduziram a idade da reforma para 62 ou 60 anos, e os jovens começaram a entrar cada vez mais tarde no mercado de trabalho, tanto que actualmente uma percentagem cada vez maior entra apenas depois dos 30 anos.

Por outro lado, os custos dos serviços de saúde públicos, fruto do aumento das remunerações e do aumento do custo dos tratamentos, cada vez mais sofisticados, tudo aliado a uma gestão não raras vezes incompetente, levou a um rombo nas contas dos serviços nacionais de saúde de vários países europeus.

O problema é mais grave nos países do Sul, pois os países do Norte há muito que levaram a cabo reformas que permitem a existência de um Estado Social sustentável. É o caso da Suécia, que nos anos 90 despediu milhares de funcionários, da Dinamarca, que tem as leis laborais mais liberarais do mundo, da Suíça, onde a reforma máxima não ultrapassa os 2000 euros, da Alemanha, que pretende aumentar a idade da reforma para os 70 anos, etc. A Suíça, a Alemanha ou a Suécia estão mesmo entre os países com melhores perspectivas económicas a médio e longo prazo em toda a Europa.

Portanto, acima de tudo estamos perante uma crise específica de alguns países, que poderá desplotar uma crise em países que emprestaram dinheiro ao Sul, mas que têm economias dinâmicas e Estados Sociais sustentáveis. A longo prazo, poderão aumentar as tensões entre Sul e Norte, o que porá em causa a própria UE.

Portanto, para o Estado Social sobreviver, os europeus, em especial os meridionais, terão de mudar. Os jovens terão de começar a trabalhar mais cedo, a descontar mais cedo, teremos de trabalhar todos até mais tarde, os europeus não poderão continuar a recusar profissões que são depois exercidas por imigrantes, a exigência no Ensino terá de aumentar...

Várias coisas erradas:

Assumir o racismo/fascismo bem evidente entre Norte e Sul nas «virtudes e defeitos». O aparecimento dos pedintes, da vadiagem, da caridade...

Ignorar a multidão de diabéticos em formação nos países desenvolvidos. A esperança média de vida está a diminuir.

Desvalorizar a fuga da investigação para as demências do fim da vida (Alzheimer, Parkinson) onde o sistema de patentes garante a permanência de grandes lucros.

Acreditar que este modelo económico desigual e absurdamente egoísta vai sobreviver.

Esperar que os trabalhadores aceitem trabalhar dos 20 aos 80 anos apesar de serem mais especializados, mais instruídos e mais organizados.

 
Editado por um moderador:
"Qualquer dona de casa teria feito melhor do que os governos que tivemos"
Medina Carreira elogia o actual Governo por ter gente que não é promovida por estar na política. “Isso dá liberdade”

Sem ilusões! Esta é frase exclamativa que resume a conversa com o professor Medina Carreira. Conhecido pelo tom crítico, sem papas na língua, o ex-ministro das Finanças do primeiro governo constitucional tem sido uma das vozes que mais alertas lança para o estado das finanças públicas portuguesas - nomeadamente no que toca ao endividamento, à despesa pública e à carga fiscal. Autor do ‘bestseller' "Portugal que Futuro?", escreve agora "O Fim da Ilusão ", livro que marca uma vez mais pelo tom crítico do seu ADN. Em conversa (que será transmitida na íntegra no ETV) diz Medina Carreira também - e indo além do conteúdo do livro - que "este Governo trouxe o precedente, que já não existia há muitos anos, de levar para a política gente que na política não é promovida. Na política até é despromovida, pelo menos economicamente". Isso dá liberdade e independência, conclui. Sobre o presente, entende que a primeira coisa que se deve passar na sociedade é que a comunicação social, "de uma forma geral", deve começar a entender que a política depende dos factos. Pensar que a política pode ser desligada da realidade económica é um erro. "Hoje há uma economia que não permite qualquer política."

Porque é que neste livro advoga que este é pior momento que o País atravessa desde que "guardamos memória"?

Se observarmos a situação da economia portuguesa, que tem um dinamismo equivalente ao princípio do século XX (uma economia que cresceu a meio por cento), significa que, do ponto de vista de economia, estamos tão mal como estávamos no passado; se olhar para o nível do desemprego, desde que há registo de desemprego, nunca se atingiu uma taxa tão elevada; se pensarmos na dívida pública, desde há mais de 160 anos não se tinha um nível tão elevado. Portanto todos estes indicadores de natureza comparativa mostram que o País atingiu um estádio de que ninguém vivo tem memória.

Tem vindo a alertar para alguns indicadores macro económicos...
O que aconteceu, aqui com mais intensidade do que em outros países europeus - apesar de outros também terem coisas parecidas - é que as políticas de gastos públicos desconheceram a economia que tinham. Nós criámos um modelo de sociedade em que, devido ao dinamismo da economia europeia de há 40 anos, não era preciso fazer contas para colocar a despesa dentro da capacidade económica que existia. O que acontece é que a economia foi sempre declinando - aqui e no resto da Europa - e o Estado foi gastando aquilo que entendeu. Há dois números muito fáceis de registar: a economia portuguesa dos últimos 20 anos (1990 - 2010) cresceu 1,8 (em média anual) e a despesa pública corrente primária cresceu 4,2. Qualquer dona de casa percebe que se o seu rendimento do lar crescer 1,8, a despesa não pode crescer 4,2. Teoricamente qualquer dona de casa teria feito melhor do que os governos que tivemos.

Utilizando a analogia da dona de casa: o que é a dona de casa pode fazer? Horas extra? Produzir mais? Gastar menos?

Vamos ter que fazer de tudo. Desde logo, e porque pôr a economia em funcionamento é mais difícil e mais lento do que cortar na despesa, a primeira coisa que teremos de fazer é colocarmo-nos dentro da nossa capacidade para gastar. Isto é, teremos que gastar aquilo que produzimos.
É isso basicamente que pretende este acordo com os estrangeiros: colocar os portugueses a viverem com aquilo que têm.

O fim da ilusão?

É evidente. Nós andámos descuidadamente a viver com um nível de vida para o qual não tínhamos dinheiro. Nos últimos dez anos tivemos um nível de vida que se sustentou no endividamento e não naquilo que nós produzíamos. Ora quando vivemos do endividamento, tarde ou cedo vamos ter que ser reconduzidos à nossa capacidade normal de produção. E foi o que aconteceu e que foi lamentável, porque tudo isto traduz uma irresponsabilidade e incompetência total dos governos. Porque os governos teriam que reconduzir a sociedade portuguesa àquilo que poderia gastar e não a pedir dinheiro emprestado para viver melhor.

Está optimista com o novo Governo?

Eu conheço algumas das pessoas que aparecem no Governo, mas isso é relativamente indiferente. Sabe que um dos vícios da política dos últimos dez a vinte anos foi aparecer gente que não tem profissão. Gente que entrou para a política e vive da política. O que é que isto significa é que têm que estar sempre com o partido do poder senão vivem mal ou vivem com estatuto social minimizado. Aquilo que considero mais vantajoso é que este Governo é composto por gente que não foi promovida por ser ministro. Já tinham um estatuto social e económico em que ser ministro é menos do que ser aquilo que eram. Este Governo trouxe o precedente, que já não existia há muitos anos, de gente que na política não é promovida. Na política até é despromovida, pelo menos economicamente. Isso dá liberdade e independência. As pessoas estão enquanto querem, quando não quiserem ou não concordarem saem.

Economico

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