O Estado do País

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Estado
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A crise actual, que se vive nos dias que correm, tem mais de socialista que de neo-liberal.

Resumindo:

Socialista = MAU
Neo-liberal = BOM

Depois elogias as politicas de países que têm/tiveram politicas socialistas e/ou socialistas no poder.

Eu digo-te assim, nesses países:

Socialista = BOM
Neo-liberal = BOM

Portugal e outros...

Socialista = MAU
Neo-liberal = MAU

Antes de ser uma questão Politica é uma questão Social.
 
Resumindo:

Socialista = MAU
Neo-liberal = BOM

Depois elogias as politicas de países que têm/tiveram politicas socialistas e/ou socialistas no poder.

Eu digo-te assim, nesses países:

Socialista = BOM
Neo-liberal = BOM

Portugal e outros...

Socialista = MAU
Neo-liberal = MAU

Antes de ser uma questão Politica é uma questão Social.


A Suécia, a Dinamarca ou a Suíça têm políticas que seriam impensáveis em Portugal, a Esquerda portuguesa ficaria escandalizada. Penso no cheque ensino, na questão da privatização parcial do SNS ou nas leis laborais. Tais medidas em Portugal seriam logo apelidadas de fundamentalismo neo-liberal.
 
O cheque ensino creio que seria uma excelente medida, é dar a opção de escolha, promovia-se também a competitividade entre público e privado. Uma coisa que normalmente não percebo é que escolas privadas que pagam pior os seus professores em relação ao estado muitas das vezes tem maior sucesso nos exames nacionais... Dá que pensar... No corporativismo destes no público.
 
O cheque ensino creio que seria uma excelente medida, é dar a opção de escolha, promovia-se também a competitividade entre público e privado. Uma coisa que normalmente não percebo é que escolas privadas que pagam pior os seus professores em relação ao estado muitas das vezes tem maior sucesso nos exames nacionais... Dá que pensar... No corporativismo destes no público.

Pelo menos aqui no Porto a maioria dos alunos dos melhores colégios privados são de famílias de classe média-alta ou classe alta e têm explicadores a quase todas as disciplinas sujeitas a exame nacional. E frequentam as explicações semanalmente, desde o início do ano lectivo. Conheço casos de pessoas que até têm ou tiveram dois explicadores diferentes à mesma disciplina, em simultâneo. Eu já vi testes de Química e Biologia de colégios de renome cá do Porto e até achei que eram muito mais fáceis que testes da escola pública. Portanto, parte do mérito está nos explicadores. Nesses colégios há turmas inteiras em que todos os alunos têm várias explicações semanais. Já conheci uma rapariga, uma filha de um deputado do PSD, que gastou em explicações, num mês, perto de 800 euros. Só a Matemática foram 500 euros, num explicador que leva 50 euros por aula.
 
Resumindo:

Socialista = MAU
Neo-liberal = BOM

Depois elogias as politicas de países que têm/tiveram politicas socialistas e/ou socialistas no poder.

Eu digo-te assim, nesses países:

Socialista = BOM
Neo-liberal = BOM

Portugal e outros...

Socialista = MAU
Neo-liberal = MAU

Antes de ser uma questão Politica é uma questão Social.

Em relação a neoliberais/Liberais e coisa que o valha partilho a opinião de João Lemos Esteves do Expresso:

" Eu sei que exprimir esta opinião quando o País hoje está repleto de delirantes apaixonados neo-liberais é um sacrilégio. Mas ser liberal é diferente de ser estúpido. Ser liberal é compreensível e positivo; ser estúpido é achar que os problemas concretos dos Portugueses são irrelevantes e uma coisa de esquerda... "

Não querendo chamar de estupido a ninguém em particular claro...
 
Em relação a neoliberais/Liberais e coisa que o valha partilho a opinião de João Lemos Esteves do Expresso:

" Eu sei que exprimir esta opinião quando o País hoje está repleto de delirantes apaixonados neo-liberais é um sacrilégio. Mas ser liberal é diferente de ser estúpido. Ser liberal é compreensível e positivo; ser estúpido é achar que os problemas concretos dos Portugueses são irrelevantes e uma coisa de esquerda... "

Não querendo chamar de estupido a ninguém em particular claro...

Boa descrição, acho que os de direito e os liberais concordam disso mas não a custa do subsidio mas sim do trabalho e da competência...

Também não quero chamar ninguém de estúpido (...) ;)
 
Podia continuar durante horas a descrever este paraíso neoliberal :lmao:

Se continuares a ser tão selectivo, não vais continuar durante muito tempo. Se deres outros exemplos de Portugal e até de outros países e apresentares problemas nos dois sistemas, assim sim, irias demorar muitas horas. :p

Olha, podias começar por dar a tua opinião sobre o estado actual do neo-liberalismo Americano. Fica a sugestão...
 
No Paraiso neo-liberalista o País circulava apenas em estradas tipicas dos anos 80 mas com o dobro de trafego transformando as vias rodoviarias em autênticas carnificinas.

E umas quantas coisas que dava para debitar aqui, mas prefiro frisar que o grosso do problema no estado não é somente o investimento publico, o investimento de capital, é assim o corporativismo em alguns sectores.
 
Infelizmente há muita ignorância sobre o "neo-liberalismo" americano. Por exemplo é fácil no dia a dia encontrar por cá pessoas que juram que nos EUA não há segurança social apesar de gastarem 700 mil milhões USD do orçamento nisso, ou que não há saúde publica onde gastam outro tanto. Sabias que nos EUA já tem havido casos de pessoas presas (!) por terem mentido na morada onde vivem para colocarem os filhos noutra escola pública ? É um paraíso liberal sem dúvida! Os EUA são um vasto território com muitas realidades distintas, há de tudo, até Estados onde a burocracia estatal faz a nossa europeia parecer uma brincadeira de crianças. Repara que eles nos EUA hoje discutem, não diminuir a dívida, mas aumentar o limite legal que tem à mesma. Xuxualismo como em todo o lado, o contribuinte que pague, diminuir os gastos do estado, nem pensar. O mundo está mesmo infestado de liberais, tem as costas largas.

Nos EUA também há uma espécie de Rendimento Social de Inserção, de 500 dólares, pelo menos nalguns estados existe este apoio social. E também há bairros sociais, os projects. Isso de não haver Estado Social é um mito, embora haja algumas diferenças entres estados.

Ninguém fala é de outras realidade americana, que por cá na Europa, e em Portugal, não se vê. Há muitas universidades ou hospitais que têm equipamentos como bibliotecas inteiras ou edifícios inteiros oferecidos por milionários. Por exemplo, muitos ex-alunos oferecem infra-estruturas ou equipamentos, por vezes no valor de dezenas de milhar de dólares a universidades onde estudaram. E os americanos têm uma sociedade muito activa, dinâmica, mutável e mobilizável, que organiza imensos eventos de «charity».

É outras realidade, irrita-me quando criticam os americanos por tudo e por nada. Do outro lado, em boa verdade, há muitas qualidades que faziam falta aos europeus.
 
Penso que na Alemanha não há limites de velocidade nas auto-estradas. Imaginem se fosse cá.

Lisboa e Vale do Tejo é a região da Europa com mais quilómetros de auto-estrada por habitante. E Lisboa, à escala europeia, é um pólo industrial e demográfico secundário, nada comparável a Milão, Paris, Londres, Roterdão ou Madrid.

Recordo isto:
http://aeiou.expresso.pt/nove-auto-estradas-nao-sao-necessarias=f507569

Mas saliento outra coisa, os constantes alargamentos e obras que estão sempre a ser feitos nas auto-estradas, alterações por todo o lado que nada têm de manutenção. Ninguém fala disso, mas quem beneficia com isso? Quanto custa aos contribuintes?
 
Se tivessem o dobro do tráfego seriam certamente estradas viáveis, um bom negócio. O problema é o dinheiro que se gasta em estradas que não tem tráfego que justifique o que se gastou. Não sei se sabes o que se tem passado em Espanha, há umas quantas concessões de autoestradas que estão a ir à falência e negoceiam agora desesperadamente apoios do Estado. Em Espanha fizeram-se coisas loucas nos últimos anos, só aeroportos "fantasma" têm uns 6 ou 7, e alguns deles custaram largas centenas de milhões de euros cada um, muito mais que o nosso de Beja que comparativamente é uma pechincha (porque foi uma adaptação da BA).

Em Espanha contudo tem mais sorte que nós. Em Portugal negociaram-se contratos ruinosos onde não há destes riscos para os privados, por cá se o negócio corre mal, o Estado automaticamente paga ! Dizem que isso é liberal hehe. Mas apesar disso, o antigo ministro do PS, o Sr.Jorge Coelho da Mota Engil, já se mostra preocupado com o rumo das coisas:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=496107

Eu por mim veria com bons olhos a falência destas aventuras, talvez dêem poder negocial ao Estado em renegociar as loucuras que se cometeram, no Marão as obras já pararam por falta de dinheiro, pode ser um bom sinal. Hoje o único grande banco nacional que não foi classificado como junk foi precisamente o BPI, que saltou fora das PPP's no início do ano passado.

Mas já agora, sobre as carnificinas nas estradas, haveria muito a dizer sobre o assunto mas é off-topic, de qualquer forma digo apenas o seguinte. Mesmo estradas como IP4 ou a antiga IP5 em muitos países (nos nórdicos e muitos outros por exemplo) são boas estradas, normalíssimas, onde não ocorrem carnificinas.... Não te esqueças que Portugal sofreu uma mudança muito brusca, de um país onde poucos tinham carros e os que tinham eram Renault5 e Fiat127 e Citroen2cv, com a entrada na UE passámos de repente para um país com dinheiro para muitos e melhores carros e muitas viagens, onde para muita dessa gente o automóvel se tornou um patético símbolo de status, que não servia para andar devagar numa estrada. Há todo um choque civilizacional, que demora anos a aprender, desde atirar lixo fora, cuspir no chão, tratar a mulher como uma criada do lar ou saber andar na estrada, tudo isso leva alguns anos de aprendizagem de civilidade. Mas felizmente, diga-se, embora lentamente, temos progredido neste campo.


Vince sabes perfeitamente que hoje para fazeres 100km em estradas Nacionais em que as aldeias nao despegam umas das outras levamos com 80 rotundas, lombas, semaforos etc. Acho que o País precisava de modernização ou ainda mais atrasados estavava-mos em relação à Europa. Poderia ser melhorado era o plano de investimentos, nao fazer auto-estradas paralelas, e apostar de forma a ter em conta a coesão do País.
 
Vamos então esperar sentados pela iniciativa privada. As grandes transformações sociais aconteceram por iniciativa pública. Das viagens de Colombo à Corrida Espacial, tudo é estado.

Quem acha que o impacto de uma autoestrada se mede apenas pelos custos iniciais ou dos combustíveis devia boicotar a ponte 25 de abril e atravessar o tejo a nado, em favor da livre iniciativa privada. Esta ponte em 1966 foi um brutal incentivo ao transporte automóvel com um custo escandaloso, dinheiro que o país não tinha e que o endividou por vários anos. 45 anos depois ninguém quer saber dos privados para nada.

As economias planificadas funcionam sempre desde que a expectativa privada (dos mercados, da bolsa e demais especuladores) não seja exagerada. Porque quando a expectativa é exagerada entram coisas como o desvio de fundos públicos e a corrupção.
 
Vamos então esperar sentados pela iniciativa privada. As grandes transformações sociais aconteceram por iniciativa pública. Das viagens de Colombo à Corrida Espacial, tudo é estado.

Quem acha que o impacto de uma autoestrada se mede apenas pelos custos iniciais ou dos combustíveis devia boicotar a ponte 25 de abril e atravessar o tejo a nado, em favor da livre iniciativa privada. Esta ponte em 1966 foi um brutal incentivo ao transporte automóvel com um custo escandaloso, dinheiro que o país não tinha e que o endividou por vários anos. 45 anos depois ninguém quer saber dos privados para nada.

As economias planificadas funcionam sempre desde que a expectativa privada não seja exagerada.


Tocas num ponto muito interessante. Na altura a ponte 25 de Abril foi muito contestada pelo grande géografo Orlando Ribeiro. O professor alertou que se não fossem tomadas medidas, Lisboa começaria a ficar despovoada e nasceriam subúrbios desorganizados na Margem Sul.

Entretanto, no final dos anos 60 houve alterações legislativa no planeamento urbano. Começaram então a surgir as aberrações que hoje vemos na maior parte das nossas cidades e subúrbios. Esta liberalização do Ordenamento do Território construiu grandes fortunas em poucos anos, entre o final dos anos 60 e o 25 de Abril, sendo de destacar os que enriqueceram rapidamente com a construção na Margem Sul. Diz-se que o próprio Marcelo Caetano quis acabar com o regabofe, mas não mesmo dentro do Regime as pressões não permitiram... e daí para cá, tudo continuou praticamente na mesma, ou pior ainda, pois o Ordenamento em Portugal continua a ser uma farsa.

Ainda assim, a ponte foi uma obra importante, pena que os sábios de Portugal não tenham sido escutados. O Arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles anda há décadas a alertar para a questão do Ordenamento e ninguém o ouve.

Por falar em obras públicas, é ridículo que a viagem de Porto a Vigo demore 4 horas, quando deveria demorar pouco mais de uma hora. Um terço ou um quarto do dinheiro gasto nas auto-estradas tidas como desnecessárias deveria ter sido gasto no transporte público. Portugal agora poderia ter uma ligação Porto-Galiza em Alfa Pendular, o Algarve poderia ter um Intercidades VRSA-Sagres, que tão importante seria para o turismo, as linhas do interior poderiam ter comboios turísticos, nem que fosse apenas durante metade do ano (Primavera-Verão).

Os países da Europa Central nas últimas décadas fizeram fortes investimentos no ferroviário. Enquanto nos anos 80 e 90 lá fora se apostava no ferroviário e no portuário, aqui desmantelávamos o ferroviário. Houve coisas absurdas feitas pelo Governo do iluminado Professor Cavaco Silva. Fecharam o apeadeiro de VRSA, que era utilizado pelos turistas que vinham de barco de Ayamonte, acabaram com a primeira classe nos combois da linha do Algarve, em localidades que serviam mais de 5 000 habitantes fecharam as estações... o povo foi como que empurrado para o carro privado. Entrando em teorias da conspiração, parece até que a CP «expulsou» a clientela para depois haver justificação para o seu desmantelamento e para a sua venda.

Por exemplo, na minha zona os horários dos comboios deixaram de ser coincidentes com os horários das escolas. Os jovens antigamente iam de comboio para o liceu de Faro, para a secundária de VRSA ou para a de Tavira. Ora os autocarros, por sua vez, começaram a ter horários coincidentes com as secundárias, resultado, os estudantes praticamente deixaram de usar o comboio.
 
Tocas num ponto muito interessante. Na altura a ponte 25 de Abril foi muito contestada pelo grande géografo Orlando Ribeiro. O professor alertou que se não fossem tomadas medidas, Lisboa começaria a ficar despovoada e nasceriam subúrbios desorganizados na Margem Sul.

Não é alheio ao regabofe o facto de entre 1974 e 1985 (adesão à CEE) terem passado pelos transportes e ordenamento do território 31 ministros diferentes.
 
Pequenas mudanças que irritam disse:
O ministro das Finanças é pontual e cioso com as horas. Pois está mal: há quem ache este detalhe obsessivo e risível, desvalorizando a pontualidade como um fétiche ‘very british’ que não interfere na competitividade de um país ou de uma empresa.

O ministro das Finanças fala pausadamente, num estilo minucioso e com uma polidez fora de moda. Pois está péssimo: há quem lhe encontre alguma sobranceria e ache que o governante, de tão explicadinho, está a ser paternalista com os jornalistas e os deputados e a insultar a inteligência dos índigenas.

O ministro da Economia prefere que o tratem pelo nome próprio. Pois é um desplante: há quem ache que um governante que prescinde do título académico (mesmo quando, como já sucedeu, não o possua) não se dá ao respeito e deve ser achincalhado na praça pública.

A ministra da Agricultura apelou à moderação na utilização do ar condicionado e aconselhou os funcionários do ministério a abdicarem da gravata. Pois é incrível: há quem ache que a ministra aterrou esta semana de Marte onde a poupança de energia é um problema real, ao contrário do que sucede neste país iluminado pela Providência Divina.

Ser pontual, valorizar a pedagogia, subordinar o título académico ao conhecimento, adoptar práticas que representam uma opção pela poupança e pela eficiência energética, não são, obviamente, um programa de governo. É preciso muito mais e exige-se muito mais a um Executivo.

Mas todos estes pequenos gestos de mudança constituem boas práticas pouco reconhecidas em Portugal. Não deixa, porém, de ser relevante o facto de os primeiros a criticarem, de forma corrosiva e ‘blasé', estes primeiros sinais, serem personalidades que têm responsabilidades na formação da opinião pública.

É um defeito português, e uma desvantagem competitiva, esta tendência para condenar ao ridículo qualquer idiossincrasia de um governante ou pequeno gesto de mudança de um governo.

Refém das aparências, deslumbrada com o aparato da forma que o anterior primeiro-ministro usou até à exaustão, boa parte de nós tende a aceitar a prepotência, a opacidade e até a mentira. Mas, conservadores empedernidos, não perdoamos que as coisas - mesmo as pequenas coisas - deixem de ser o que sempre foram.

Chegar atrasado, falar em velocidade de cruzeiro, exigir ser tratado por doutor ou desvalorizar os pequenos actos quotidianos que nos tornam melhores cidadãos, parecem, ironicamente, requisitos indispensáveis para desempenhar um cargo público. Mas, não o são num país civilizado e desenvolvido. Eis um enorme defeito português: não perdoamos, e até achincalhamos, as pequenas mudanças que nos irritam. Mesmo quando não sabemos porquê.

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Miguel Coutinho

in http://economico.sapo.pt/noticias/pequenas-mudancas-que-irritam_122791.html
 
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