O Estado do País

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«SCUT pagam-se a si próprias e geram excedente orçamental»
João Cravinho, Novembro 2005[/B]

Conhecendo as cidades da Guarda, Covilhã e principalmente Viseu, não teho dúvidas que as Scuts ( A25, A23) num prazo de 20 anos, geram riqueza que ultrapassa o investimento feito. Essas cidades cresceram e captaram investimentos que com meras estradas nacionais não conseguiam. A evolução demografica dos concelhos que partilham o eixo da A25 e mesmo A23 é superior a todos os outros. Basta ver as estatisticas demais e ver que esses dois eixos podem verdadeiramente chamar-se de estruturantes.

Acredito que haja mais exemplos destes pelo País, falo destes em espacial que conheço bem.

Não esquecer que além da captação de investimentos, são receitas adicionais via impostos que se conseguem obter além de uma coesão maior na troca de bens e capital entre cidades.
 
Conhecendo as cidades da Guarda, Covilhã e principalmente Viseu, não teho dúvidas que as Scuts ( A25, A23) num prazo de 20 anos, geram riqueza que ultrapassa o investimento feito. Essas cidades cresceram e captaram investimentos que com meras estradas nacionais não conseguiam. A evolução demografica dos concelhos que partilham o eixo da A25 e mesmo A23 é superior a todos os outros. Basta ver as estatisticas demais e ver que esses dois eixos podem verdadeiramente chamar-se de estruturantes.

Acredito que haja mais exemplos destes pelo País, falo destes em espacial que conheço bem.

Não esquecer que além da captação de investimentos, são receitas adicionais via impostos que se conseguem obter além de uma coesão maior na troca de bens e capital entre cidades.

É bem verdade. Eu lembro-me de imagens de Viseu desde mais ou menos os meus 10anos, ou seja, há 5anos atrás, e mesmo neste curto espaço de tempo a cidade expandiu-se brutalmente, pode-se dizer que a cidade está a chegar a Vila Chã de Sá, sim, porque para mim Repeses já faz parte da cidade.

Mas não sei até que ponto SCUT pagas não serão prejudiciais para a região.:(
 
A cidade expandiu-se, mas tem mais indústrias? Tem mais empresas da área do sector de bens transacionáveis? A população está mais culta, mais letrada? A cidade tem mais sociedade civil?

É que nos últimos anos quase todas as nossas cidades se expandiram de forma impressionante, mas foi à custa de um endividamento insustentável, das autarquias e dos privados. Um endivididamento que levou a que quase 80% dos portugueses tenham habitação privada, quando 60% dos alemães vivem em habitações arrendadas.

Em termos relativos, Portugal tem na realidade regredido, e provavelmente o único sector de sucesso é a saúde, devido à baixíssima taxa de mortalidade infantil e ao aumento da esperança média de vida.

Em 1974 Portugal era o 24.º país mais desenvolvido do mundo. Hoje é o 40.º, ou seja descemos 14 posições. Portugal tem o crescimento do PIB estagnado há uma década. De 2000 para cá, o a dívida pública em percentagem do PIB passou de perto de 60% para mais de 100%. Mas o PIB permaneceu estagnado.

Todo o crescimento ilusório que se vê nas cidades é miséria dourada, dívidas dos privados e do sector público para betão e mais betão, mas nada de investimento na indústria, nas pescas, na agricultura, no turismo de qualidade, no comércio de qualidade, na ciência e tecnologia.

Poderei estar enganado, Viseu poderá ser uma excepção e de facto ser tipo uma daquelas cidades do norte de Itália ou da Alemanha, com 50 a 100 mil habitantes, que têm centros históricos com comércio de qualidade, recebem milhares e milhares de turistas e nos seus subúrbios estão cheias de indústrias que produzem sapatos, roupas, electrodomésticos, componentes electrónicos, etc.
 
Qualquer cidade deste país desenvolveu-se brutalmente, basta ver como era Olhão há uns 10 anos atrás, onde eu vivia tinha uma vista magnífica para a Ria e a costa agora tenho mamarrachos em toda a volta. Tinha uma vista via as ondas no lado da costa e dou graças a deus que a construção e o imobiliário tivesse estoirado que foi a salvação senão nesta altura, acho que até por cima já tinha construído outro prédio em cima deste.

Quanto a empresas e relativo ao emprego pouco há para fazer em Olhão, a salvação é Faro onde a maioria dos olhanenses trabalham. Olhão não passa de uma cidade dormitória que pouco mais há do que prédios e mais prédios. :lol:
 
A cidade expandiu-se, mas tem mais indústrias? Tem mais empresas da área do sector de bens transacionáveis? A população está mais culta, mais letrada? A cidade tem mais sociedade civil?

É que nos últimos anos quase todas as nossas cidades se expandiram de forma impressionante, mas foi à custa de um endividamento insustentável, das autarquias e dos privados. Um endivididamento que levou a que quase 80% dos portugueses tenham habitação privada, quando 60% dos alemães vivem em habitações arrendadas.

Em termos relativos, Portugal tem na realidade regredido, e provavelmente o único sector de sucesso é a saúde, devido à baixíssima taxa de mortalidade infantil e ao aumento da esperança média de vida.

Em 1974 Portugal era o 24.º país mais desenvolvido do mundo. Hoje é o 40.º, ou seja descemos 14 posições. Portugal tem o crescimento do PIB estagnado há uma década. De 2000 para cá, o a dívida pública em percentagem do PIB passou de perto de 60% para mais de 100%. Mas o PIB permaneceu estagnado.

Todo o crescimento ilusório que se vê nas cidades é miséria dourada, dívidas dos privados e do sector público para betão e mais betão, mas nada de investimento na indústria, nas pescas, na agricultura, no turismo de qualidade, no comércio de qualidade, na ciência e tecnologia.

Poderei estar enganado, Viseu poderá ser uma excepção e de facto ser tipo uma daquelas cidades do norte de Itália ou da Alemanha, com 50 a 100 mil habitantes, que têm centros históricos com comércio de qualidade, recebem milhares e milhares de turistas e nos seus subúrbios estão cheias de indústrias que produzem sapatos, roupas, electrodomésticos, componentes electrónicos, etc.

Por acaso muitas industrias se fixaram, hoje para uma empresa já nao se medem distâncias mas sim o tempo que se demora a chegar a determinado lugar. Outro exemplo, desde que se fez uma variante pela cidade da Guarda designada de Viceg, nesse eixo instalou-se uma plataforma logistica, um centro comercial, a zona industrial angariou mais meia duzia de empresas, um Mac Donalds, agora uma empresa de mobiliario, isto que me lembre.

Claro que sem crédito nada se fazia, se não houvesse crédito e o consequênte individamento, estariamos talvez na area da saude parecidos com a albania, na modernização do País parecidos com o Quénia.
 
Conhecendo as cidades da Guarda, Covilhã e principalmente Viseu, não teho dúvidas que as Scuts ( A25, A23) num prazo de 20 anos, geram riqueza que ultrapassa o investimento feito. Essas cidades cresceram e captaram investimentos que com meras estradas nacionais não conseguiam. A evolução demografica dos concelhos que partilham o eixo da A25 e mesmo A23 é superior a todos os outros. Basta ver as estatisticas demais e ver que esses dois eixos podem verdadeiramente chamar-se de estruturantes.

Acredito que haja mais exemplos destes pelo País, falo destes em espacial que conheço bem.

Não esquecer que além da captação de investimentos, são receitas adicionais via impostos que se conseguem obter além de uma coesão maior na troca de bens e capital entre cidades.

Partilho um pouco desta visão. E até acrescento mais.

As SCUT's foram um fôlego rejuvenescedor para algumas cidades de localização privilegiada. Ao longo da A23 não podemos esquecer juntamente com a Covilhã que teve um boom astronómico também a cidade de Castelo Branco. Não sei se à conta da dívida como refere o user frederico. Posso compreender essa visão frederico. Mas o que é certo é que de uma forma ou outra Castelo BRanco e Covilhã tonaram-se polos muito atractivos, que aliam uma muito interessante qualidade de vida a um conjunto vasto de serviços, industrias, infrastruturas, que podem a qualquer momento ser pontos chaves na revitalização do inteirior do país. As fáceis ligações, nomeadamente as tranfronteiriças tornam estes locais pontos estratégicos. Aqui as SCUT's tiveram certamente a sua vantagem. A inclusão de portagens poderia à partida até ser um mau mal menor pesados prós e contras. Contudo são vias que ao longo do seu percurso e, nomeadamente, na ligação a Espanha, não apresentam alternativas satisfatórias. E isto pode ser fatal! É que basta atravessar a fronteira, por exemplo em Vilar Formoso, para observar o que são vias de qualidade a custo 0...

Não falei aqui em duas cidades porque apresentam características diferentes... por diferentes razões.

Viseu seria à partida uma cidade de 2ª linha em termos de benefícios das SCUT's da beira interior uma vez que não teria essa ligação tão aproximada da fronteira. Contudo, influência das vias de comunicação ou de outros factores, o que é certo é que Viseu é nesta altura uma cidade extraordinária (senão uma das melhores do país para se viver). Uma cidade que alia património, modernidade, serviços, transportes, pura qualidade de vida. Um exemplo sem dúvida.

O reverso da medalha: Guarda. Supostamente a cidade mais beneficiada palas SCUT's com uma localização previligiadissima, no eixo A23 - A 25, a 40km da fronteira, teria tudo para ser uma cidade florescente no interior de Portugal. A Guarda que eu conheço definha... Foram colocados centros e espaços comerciais que andam ás moscas... As pessoa preferem deslocar-se à Covilhã frequentemente nos seus momentos de lazer. O centro histórico da Guarda é, quase todos os dias, um deserto onde até dá receio andar... O comércio local ressente-se... O parque tecnológico segundo sei está parado aos anos... As empresas locais fecham portas...

Como justificar estas diferenças... Mero acaso? Competência vs incompetência autárquica? Outras questões? Eu continuo a achar que não obstante um maior ou menor alheamento do poder central é sempre possível dinamizar o interior do país. Assim haja vontade.
 
A diferença entre a Guarda e Viseu é que Viseu está com uma centralidade diferente, já quase hoje com as Scuts se pode considerar na faixa litoral, Aveiro fica ali a meia hora... A Guarda está morfologicamente limitada no crescimento pela sua condição de montanha e pelo seu interior profundo.

Viseu tem meia duzia de cidades já interessantes perto ( Tondela, Mangualde, etc), o que potenciam o seu crescimento.

A covilhá apesar do investimento sistematico de alguns governos nomeadamente PS, talvez pela influencia de ser o berço de alguns ex liders ( Socrates e Guteres) em que impulsinioram a UBi e ate agora o investimento da PT consegue perder muitos mais habitantes que a Guarda e ter um indice de desemprego superior. O centro comercial já era depois de fazerem um na Guarda.

Fora estas diferenças Naturais, as três cidades conseguiram um pulo estratégico e colocarem-se mais atractivas e melhorar a qualidade de vida. imaginem a Covilha sem A23, atras da serra.

Isto tudo sendo sensivel ao tal individamento, mas no Prazo de 20/30 anos as vantagens sobrepoem-se aos custos. O País hoje nao conseguia competir em nada estando com estradas tipo a Roménia numa Europa estruturada, se bem que endividada.
 
Quando os políticos (alguns), referem que não ficou demonstrado que as SCUTS não potenciaram o suficiente o desenvolvimento económico local, e que por essa razão, devem ser cobradas portagens, só tenho uma palavra a dizer: não basta semear, há que regar também, saber tratar para acolher mais investimentos! Os políticos que referem não ter valido a pena, só tenho a dizer, que deviam ter trabalhado mais, muito mais!

Eu não consigo imaginar o estado do interior caso as SCUTS não tivessem sido construídas! Preferia que não tivessem destruído a maior parte dos IP, mas fizeram-no. E acho muito injusto o preço estimado para as portagens, na ordem dos 8centímos/km! Que eu saiba, as SCUTS foram construídas com dinheiros comunitários, pelo que até deveria ser proibido os estrangeiros comunitários pagarem portagem nas SCUTS! Se há alguma coisa a pagar são apenas os custos de exploração, em especial a manutenção das mesmas!

Quanto ao desenvolvimento das cidades do interior, e não só, um pouco por todo o país não ficou a dever-se às SCUTS! Não estou a falar do desenvolvimento económico (da parte produtiva de indústria, não de serviços nem comércio), mas da modernização/requalificacão das cidades que é aquilo que salva à vista! O que é que todas têm em comum? Não são as SCUTS, mas sim o programa POLIS!

Viseu: já era uma cidade em crescimento, bem desenvolvida.

Castelo Branco: conseguiu requalificar-se graças ao POLIS e é hoje uma cidade moderna, capaz de captar investimento, e de segurar a população. As SCUTS permitiram que uma parte da população se desloque desde Covilhã a Abrantes para trabalhar em Castelo Branco. Falta-nos a tão prometida via rápida (talvez um traçado IP) que nos melhore as ligações a Espanha (estradas nacionais e ICS), pois do lado espanhol o traçado é de autoestrada (sem custos) e faltam menos de 20km para ligar a Portugal/castelo branco. Seria sem dúvida um factor de desenvolvimento da raia nos 2 países, melhorando as relações económicas entre eles, reduzindo custos e tempo.

Covilhã: Também se modernizou, requalificando-se graças ao POLIS, é uma cidade com gente jovem, potenciada pela universidade, e ultimamente tem captado bons investimentos em serviços, tão necessários para baixar o desemprego!

Fundão: localizado entre covilhã e castelo branco, encontrou na promoção dos seus produtos regionais (Cereja) a solução para o seu desenvolvimento, não apenas dependente do POLIS, graças à A23 foi fácil colar-se ao desenvolvimento das cidades do eixo A23 a norte e a sul.

Guarda: temo que a autarquia não tenha feito um bom trabalho, não encontro outra justificação. Pois para desenvolver uma cidade há que segurar o emprego e/ou captar mais investimento. O POLIS ali ajudou a melhorar a zona histórica, empurrando a cidade para zonas mais baixas, um pouco como a covilhã. Mas se a Guarda está como está, deve-se à perda de empresas.
 
A diferença entre a Guarda e Viseu é que Viseu está com uma centralidade diferente, já quase hoje com as Scuts se pode considerar na faixa litoral, Aveiro fica ali a meia hora... A Guarda está morfologicamente limitada no crescimento pela sua condição de montanha e pelo seu interior profundo.

A covilhá apesar do investimento sistematico de alguns governos nomeadamente PS, talvez pela influencia de ser o berço de alguns ex liders ( Socrates e Guteres) em que impulsinioram a UBi e ate agora o investimento da PT consegue perder muitos mais habitantes que a Guarda e ter um indice de desemprego superior. O centro comercial já era depois de fazerem um na Guarda.

Fora estas diferenças Naturais, as três cidades conseguiram um pulo estratégico e colocarem-se mais atractivas e melhorar a qualidade de vida. imaginem a Covilha sem A23, atras da serra.

Isto tudo sendo sensivel ao tal individamento, mas no Prazo de 20/30 anos as vantagens sobrepoem-se aos custos. O País hoje nao conseguia competir em nada estando com estradas tipo a Roménia numa Europa estruturada, se bem que endividada.

Sim, viseu já era uma cidade moderna e em crescimento, também em virtude da sua localização, próxima de coimbra, aveiro, porto!

Relativamente à covilhã, houve alguns investimentos não sei se em virtude do governo sócrates. Pois o presidente da câmara da covilhã é psd e já lá está há uns 16anos! O guterres não é da covilhã mas do fundão (das donas)! :)
se o governo tivesse ajudado muito a covilhã, a cidade não estaria completamente endividada como está!
Mas sim, fizeram-se alguns investimentos pelo estado: hospital cova da beira, central de compostagem, e mais?? Não chega!! :)

Castelo Branco, fez um bom negócio com a venda do negócio de exploração de água e tratamento de resíduos em alta, às águas do centro. E já antes não tinha grande endividamento..
Actualmente é uma cidade com crescimento sustentável, sem dívidas, com dinheiro e boa pagadora a tempo aos seus fornecedores! É assim que se deve crescer, não é penhorando o futuro!
 
Eu não contesto que uma boa rede viária seja fundamental para o interior. Os problemas mor são outros.

Há auto-estradas com tráfego que não justificaria muito a sua existência, como a auto-estrada Lisboa-Madrid, mas são vias fundamentais, o mesmo se pode dizer da ligação Lisboa-Faro. Agora há outras auto-estradas claramente desnecessárias, por exemplo, há tres ligações entre a auto-estrada do Norte e a auto-estrada do Sul. Há duas ligações Lisboa-Porto, sendo que a auto-estrada do Norte foi sujeita a vários alargamentos e está muito longe da sua capacidade máxima, e o governo de Sócrates ainda preparava uma terceira ligação Lisboa-Porto e uma auto-estrada paralela à auto-estrada do Norte, a 10 km da A1, para ligar parte do distrito de Aveiro a Coimbra! E depois havia auto-estradas projectadas que roçavam o ridículo, como uma de Castelo Branco até à fronteira, numa zona quase sem população alguma!

Nós cometemos dois grandes erros, o primeiro foi a destruição das estradas nacionais, que foram ladeadas de habitações, comércio, e estão cheias de semáforos e rotundas, e isso foi feito nos últimos 20/30 anos. Já andei em estradas que serão as equivalentes das nossas nacionais noutros países europeus e não há o povoamento disperso que se vê em Portugal, nota-se que há mais ordenamento, mesmo aqui ao lado em Espanha já é tudo diferente. Muitas estradas nacionais poderiam assim ter sido alargadas a três vias nalguns troços onde se poderia circular a 100 km/h.

Outro erro foi não se ter optados por IP's em vez de auto-estradas, mais baratos e sem o problema das portagens.

E depois há a questão da segurança. O problema é também cultural, não se pode dizer que o país precisa de mais auto-estradas para reduzir a mortalidade. O discurso deve ser sim este: os portugueses precisam de ser melhores cidadãos! No Algarve há muitos estrangeiros que gostam de se deslocar de bicicleta e a pé e que se queixam muito da condução dos portugueses, do excesso de velocidade e da falta de respeito pelos peões. Isso denota apenas o nosso atraso cultural.
 
E auto-estradas por si não trazem população e riqueza.

Exemplo: o concelho de Alcoutim tem um IP há vários anos que faz a ligação ao litoral em pouco menos de meia hora. No entanto no último Census ficou demonstrado que foi um dos concelhos do país onde houve uma maior redução da população.

Por outro lado, as auto-estradas provocam fuga e despovoamento de alguns locais, é o que tem acontecido nalgumas áreas urbanas, com a população a optar pelos subúrbios, enquanto os centros urbanos são abandonados.

A defesa das auto-estradas em Portugal tem muito de «fanatismo religioso». Noutros países fazem-se as infra-estruturas quando fazem falta, por cá fazem-se infra-estruturas e depois logo se vê.
 
Talvez dos factores que levam às populações se fixarem nas suas cidades é o emprego. Por vezes mudam-se para outras cidades, mesmo esquecendo outro factor importante como sejam a segurança ou a qualidade de vida.

Não são as autoestradas que seguram as populações. Um bom traçado IP com umas melhorias, seria o bastante para a beira interior. A questão da autoestrada castelo branco-espanha, só se justifica porque os espanhóis já a têm praticamente concluída, e nós ainda com estradas de perfil nacional EN! Mas como digo, um bom IP será mais que suficiente e não se paga! Traria sem dúvida muitos turistas de fim-de-semana de lá para cá e vice-versa!

No desenvolvimento de uma cidade, a autarquia tem um papel fundamental, ao criar condições para o investimento com infra-estruturas pagas, e regulando se possível sem estrangular o equilíbrio entre os vários sectores da economia! Quero com isto dizer, que uma cidade não pode ser só comércio e serviços (para si própria), tem de ter indústria e agricultura.
Mas tornar uma cidade mais bonita, com verdes, com planos de ordenamento feitos com pés e cabeça, também ajuda a fixar as pessoas. Depois há a questão da fiscalidade, etc, etc..

Muitos patrões, gerentes, directores fabris não se deslocalizaram porque gostam da cidade e das gentes. Ex: Delphi castelo branco

Há toda uma sociologia que distingue cidades. Vou falar da covilhã, que hoje em dia já está muito mas muito melhor: nos anos 70 era ver fábricas de têxteis a arder, para que os seguros pagassem algo, que desse para distribuir algum dinheiro das falências. A covilhã estava demasiado especializada em têxteis/lanificios o que dificultou em muitos anos senão decadas a substituição desta indústria por outros sectores. Também aqui os sindicatos tiveram a sua culpa ao precipitar as falências com greves muitas vezes desnecessárias! E qual o interesse deles podem perguntar? É que das negociações com uma empresa falida, os sindicatos levavam 20% para os seus bolsos! Portanto houve culpa de muita gente: trabalhadores sem outras qualificações, patrões que não tiveram visão para mudar e fazer melhor, a europa que abriu portas à china sem ter em conta os interesses de portugal, e até os sindicatos que tinham um enorme apetite por dinheiro das sobras!

E a realidade é esta, e desta realidade que são feitas as cidades que tanto amo no meu interior! E nem precisei de falar de autoestradas!! Os factores de desenvolvimento mais importantes são outros, aqueles que relatei.. :)

O futuro, afigura-se muito negro, mas muito mesmo! Os apoios sociais irão continuar a reduzir-se, o emprego quando há será mais precário. E toda uma grande fatia de população das grandes cidades que não sabe fazer nada senão roubar para comer, receber subsídios, álcool ou droga, vai ter de mudar de vida, quem sabe voltar para a agricultura.. Só tinham era de aprender, coisa que não é fácil, e muita vontade de trabalhar também! Mas não estou a ver grande futuro nos bairros degradados de lisboa e porto..
 
Na minha terra, no eixo entre Tavira e VRSA está a começar uma emigração maciça.

Vila Real de Santo António é uma cidade que no passado teve alguma indústria, especialmente indústria conserveira, e um comércio pujante. Algures entre meados dos anos 80 e o início dos anos 90 acabou a indústria conserveira, e em Ayamonte nasceu um dos maiores pólos de Espanha desta indústria. Estranho. O comércio da cidade começou a decair, também por culpa dos donos das lojas. Muitas embarcações sofreram abates, e o turismo na cidade nunca foi potenciado. Nos últimos anos a coisa aguentou-se à custa da construção civil, aumentando o tamanho da cidade, de forma desorganizada, enquanto o centro está despovoado, ao abandono. Agora, com a queda da construção, o concelho enfrenta uma situação muito complicada, e se não fossem as ajudas sociais, a situação ainda era pior.

Em Monte Gordo, os donos dos hotéis queixam-se cada vez mais da redução do número de turistas, especialmente no Inverno.

Na zona entre VRSA e Tavira boa parte das quintas estão ao abandono, quando há vinte ou trinta anos davam muito emprego sazonal às populações locais. Fechou a adega cooperativa de Tavira, e fecharam pequenos lagares e moagens da região.

Tavira tem o comércio do centro da cidade decadent. Tal como em VRSA, proliferam cada vez mais lojas de chineses.

E depois há a situação de alguns grande projectos imobiliários e de golfe, que ainda está por explodir...

Em suma, o sotavento algarvio está condenado. Não há emprego e boa parte da população terá de emigrar.

A solução seria um retorno às pescas, à agricultura e à indústria, e um melhor aproveitamento das infra-estruturas turísticas já existentes, em boa parte sub-aproveitadas. Mas para já isso afigura-se impossível. Só se... sairmos do euro.
 
Antes de entrarmos no euro havia mais turismo. Especialmente no Inverno, notava-se que havia mais estrangeiros. E havia muita compra de casa por parte de holandes, ingleses ou alemães. A entrada no euro foi muito prejudicial para o turismo algarvio. Não somos um destino de luxo, como Capri, as ilhas Gregas ou a Riviera da França. Tirando a Quinta do Lago, Vale do Lobo ou Vilamoura, o Algarve sempre foi maioritariamente um destino para a classe média ou média-baixa. Os «ricos» sempre preferiram outros destinos.

A entrada no euro levou a que tivéssemos preços europeus. A relação qualidade/preço ficou prejudicada. O Algarve não tem os monumentos, os festivais, a água quente, o Algarve não tem os atributos de outras regiões concorrentes no Sul da Europa. E agora com o aumento da insegurança, o futuro está a ficar ainda mais negro. Tem havido violações de estrangeiras, assaltos e até o assassinato de turistas.
 
E auto-estradas por si não trazem população e riqueza.

Por outro lado, as auto-estradas provocam fuga e despovoamento de alguns locais, é o que tem acontecido nalgumas áreas urbanas, com a população a optar pelos subúrbios, enquanto os centros urbanos são abandonados.

Isto tem a ver com a ausência de politicas sustentaveis na área urbana, há tempos o bloco de esquerda e penso que outro partido sugeriram uns incentivos à requalificação da malha urbana dos centros das cidades.

Não só as nossas cidades, mas sim em todas de uma maneira geral, até mesmo numa escala mundial. A actual politica de expansão periférica vai levar a desiquilibros graves a nivel ambiental, social e outros.

Há que elaborar propostas de aumento significativos de impostos na construção de habitações em novos bairros e estimulos musculados a remodelações, restauros de habitações dos centros urbanos. Tornando as cidades mais saudaveis, equilibradas e que desvastem menos o ambiente que cada vez mais leva pancada do sector imobiliário.
 
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