Não sei se muitos leitores têm noção dos apoios que as grandes superfícies têm.
Primeiro, o projecto aparece com a promessa de milhares de postos de trabalho. O presidente da câmara vem logo anunciar pomposamente o novo investimento milagroso. O projecto é rapidamente aprovado, em nome do emprego e do desenvolvimento local, quando um pequeno ou um médio empresário tem por vezes de esperar anos pela aprovação dos seus projectos. Mas os benefícios não se ficam por aqui. Para a instalação das grandes superfícies, há por vezes cedências de terrenos a baixo custo, e até benefícios fiscais. Mais uma vez, em nome do emprego.
Mas o lado negro do conto de fadas nunca é mencionado pela comunicação social. Simultanemamente à abertura das grandes superfícies, um número incalculável de empregos desaparece do comércio tradicional. Para além disso, enquanto que no comércio tradicional os lucros da actividade são distribuídos por várias famílias, nas grandes superfícies os lucros ficam concentrados numa minoria de grandes empresários que dominam o sector. Mais. A decadência do comércio tradicional tem motivado o despovoamento dos centros urbanos, um caso único a nível europeu. E a relação qualidade/preço, não raras vezes, beneficia o comércio tradicional.