O Estado do País

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A questão da Madeira não pode ser alvo de uma análise leviana nem por comparação a outras regiões do país. Não pretendo ser advogado de defesa de ninguém, nem tão pouco dizer que sou um defensor acérrimo de todas as medidas tomadas por AJJ e os seus secretários ao longo destes anos de governação.

Infelizmente, poucas pessoas têm noção do que era a Madeira do antigamente e o que é a Madeira de hoje. O atraso secular que vem de trás não pode pura e simplesmente ser ignorado. Nas minhas voltas de miúdo pela ilha (ainda pouco conhecia fora do calhau) via tudo de uma forma perfeita. A paisagem era fantástica, podia fazer praia quase todo o ano, ia passar os fins de semana ao Porto Moniz numa estrada sem fim e via com naturalidade os miúdos, mais ou menos da minha idade, que pediam esmola e mergulhavam no cais do Funchal para apanhar as moedas que os turistas jogavam para o fundo do mar.

Depois, fui crescendo e percebendo que afinal a Madeira não era perfeita e algo não estava certo do ponto de vista social e estrutural. Nas voltas que dava com o meu pai, ele apontava-me grutas (sim, grutas) onde tinham morado famílias inteiras. Não um sem-abrigo, mas familias inteiras... O Curral das Freiras era a freguesia mais pobre de toda a União Europeia, e as pessoas que moravam no Norte da ilha que tinham de se deslocar de urgência ao hospital do Funchal acabavam por morrer ao longo dos longíquos trilhos entre vales e montanhas que ligavam o Norte ao sul. Não havia acesso a saneamento e electricidade nas zonas altas em pleno Funchal e entrar para o ensino superior era utópico para o comum dos madeirenses.

Eu sei que no Continente o cenário também foi de dificuldade na era pré-25 de Abril. Mas não é nada comparável à situação da Madeira. O que AJJ tentou fazer foi reverter esta situação, construíndo. Construindo, porque as politicas sociais só são viáveis se houver obra feita. Esta tentativa de esbater as diferenças entre a realidade da Madeira e a realidade do Continente teve um preço. É por isto que o AJJ vai ganhar sempre as eleições. Porque ninguém quer morrer porque está muito longe do hospital, ninguém quer voltar a ver os "míudos das caixinhas" no cais do Funchal, ninguém quer viver à luz das velas e ninguém quer dizer aos filhos: "não podes ir estudar, tens que ficar na ilha". É a isto que os madeirenses associam AJJ.

Podem acusar-nos de falta de solidariedade mas, sinceramente, acho tremendamente injusto. Quando se diz que os continentais estão a pagar os túneis e as pontes da Madeira, é preciso não esquecer que os madeirenses também estão a pagar as auto-estradas no continente, os estádios do Euro 2004, as inúmeras pontes sobre o Douro, um sem número de obras das quais nunca vão usufruir. Mas costumam ouvir o povo madeirense a contestar? O conceito de "investimento" vs "despesismo" não pode ser definido em função da região do país que estamos a falar.

Infelizmente, penso que além do grande desafio que será acarretar as medidas que virão devido à conjuntura, os madeirenses terão também de fazer frente a este "desafio social", em que são acusados de falta de solidariedade por parte dos portugueses do continente. Tenho visto cronistas nos principais jornais portugueses a escrever que os madeirenses terão de escolher entre "AJJ ou Portugal". Sinceramente, este tipo de situação deixa-me bastante apreensivo, mas haveremos de superar as batalhas. Todos.
 
A questão da Madeira não pode ser alvo de uma análise leviana nem por comparação a outras regiões do país. Não pretendo ser advogado de defesa de ninguém, nem tão pouco dizer que sou um defensor acérrimo de todas as medidas tomadas por AJJ e os seus secretários ao longo destes anos de governação.

Infelizmente, poucas pessoas têm noção do que era a Madeira do antigamente e o que é a Madeira de hoje. O atraso secular que vem de trás não pode pura e simplesmente ser ignorado. Nas minhas voltas de miúdo pela ilha (ainda pouco conhecia fora do calhau) via tudo de uma forma perfeita. A paisagem era fantástica, podia fazer praia quase todo o ano, ia passar os fins de semana ao Porto Moniz numa estrada sem fim e via com naturalidade os miúdos, mais ou menos da minha idade, que pediam esmola e mergulhavam no cais do Funchal para apanhar as moedas que os turistas jogavam para o fundo do mar.

Depois, fui crescendo e percebendo que afinal a Madeira não era perfeita e algo não estava certo do ponto de vista social e estrutural. Nas voltas que dava com o meu pai, ele apontava-me grutas (sim, grutas) onde tinham morado famílias inteiras. Não um sem-abrigo, mas familias inteiras... O Curral das Freiras era a freguesia mais pobre de toda a União Europeia, e as pessoas que moravam no Norte da ilha que tinham de se deslocar de urgência ao hospital do Funchal acabavam por morrer ao longo dos longíquos trilhos entre vales e montanhas que ligavam o Norte ao sul. Não havia acesso a saneamento e electricidade nas zonas altas em pleno Funchal e entrar para o ensino superior era utópico para o comum dos madeirenses.

Eu sei que no Continente o cenário também foi de dificuldade na era pré-25 de Abril. Mas não é nada comparável à situação da Madeira. O que AJJ tentou fazer foi reverter esta situação, construíndo. Construindo, porque as politicas sociais só são viáveis se houver obra feita. Esta tentativa de esbater as diferenças entre a realidade da Madeira e a realidade do Continente teve um preço. É por isto que o AJJ vai ganhar sempre as eleições. Porque ninguém quer morrer porque está muito longe do hospital, ninguém quer voltar a ver os "míudos das caixinhas" no cais do Funchal, ninguém quer viver à luz das velas e ninguém quer dizer aos filhos: "não podes ir estudar, tens que ficar na ilha". É a isto que os madeirenses associam AJJ.

Podem acusar-nos de falta de solidariedade mas, sinceramente, acho tremendamente injusto. Quando se diz que os continentais estão a pagar os túneis e as pontes da Madeira, é preciso não esquecer que os madeirenses também estão a pagar as auto-estradas no continente, os estádios do Euro 2004, as inúmeras pontes sobre o Douro, um sem número de obras das quais nunca vão usufruir. Mas costumam ouvir o povo madeirense a contestar? O conceito de "investimento" vs "despesismo" não pode ser definido em função da região do país que estamos a falar.

Infelizmente, penso que além do grande desafio que será acarretar as medidas que virão devido à conjuntura, os madeirenses terão também de fazer frente a este "desafio social", em que são acusados de falta de solidariedade por parte dos portugueses do continente. Tenho visto cronistas nos principais jornais portugueses a escrever que os madeirenses terão de escolher entre "AJJ ou Portugal". Sinceramente, este tipo de situação deixa-me bastante apreensivo, mas haveremos de superar as batalhas. Todos.

Excelente texto, tal e qual :thumbsup:
 
Concordo Hawk.Mas pelo menos aqui no fórum quando estamos a falar do AJJ,nada tem haver com o povo Madeirense. Somos todos iguais,não há portugueses de primeira nem de segunda(ou pelo menos não devia haver). Vamos todos pagar a dívida,por isso não podemos permitir que qualquer senhor a aumente.Seja o AJJ,seja o Sócrates(já foi..) ou o Portas. :thumbsup:
 
…e agora Nós disse:
meu Povo,

começo assim a reflexão de hoje, faço parte de um Povo Madeirense lutador e que em cada adversidade olha de frente e transpõe todas as barreiras.

Transpomos a Barreira do Isolamento, primeiro com barcos, depois com os aviões chegamos a esse Mundo fora e lutamos com a força do trabalho. Hoje vamos mais longe, com empresas fortes, privadas e regionais. Chegando tão longe como o Cristiano Ronaldo ou o Leonardo Jardim.

Sim temos de ter orgulho e o Madeirense é aquele que luta, que se esforça e que Vence.

Claro, hoje não creio que estejamos propriamente contentes com as últimas noticias. Dá um certo de mal estar mas…

… E a trinta anos atrás? Que éramos nós?…

Éramos um povo esquecido pela república, que tínhamos o mínimo e o essencial, não produzíamos, éramos apenas um porto para o Brasil e África. O vinho Madeira era um Gourmet de degustação mas não assim tão importante para a Pátria.

Veio Sá Carneiro, a Autonomia…um Homem

Por todo o certo e o errado que o Ser Humano tem, é isso que nos difere de máquinas, esse Homem tem o apelido de Jardim…

…Com paixão…

Fomentou o crescimento interno, promoveu o acesso a saúde, a educação, a acessibilidade desde a Ponta do Pargo até ao Caniçal. Até a fibra óptica chegou a nossa ilha e foi com a luta pela Autonomia, a Igualdade de Oportunidades, e a Qualidade de Vida dos Portugueses que em Lisboa e no Porto viviam.

Esse é o objecto “Estado Unitário”! É ajudarmo-nos uns aos outros e não falo só aos Madeirenses ou aos Açorianos, faz-me também tremenda confusão o pessoal de Lordelo, Transmontanos ou os Alentejanos. Mas como Madeirense falo…

…e agora EU, não deixo de ter as minhas ideologias, ler sobre Sá Carneiro e rever-me, gostar da minha Terra e lutar por ela!…

…e agora EU, não aceito um PS-M que é submisso ao PS Nacional, aquele que destruiu a Nação aquele que é submisso a uma Máquina Socialista Internacional…

…e agora EU, não aceito um CDS que anda também vendido de Jornalista a CEO, que tem gente que se vai vendendo só por não ter sido levado ao colo dentro do PSD-Madeira…

…e agora EU, não aceito um PND que de extrema-direita nacional, reveste-se de contornos estranhos a nível Regional porque tem um mentor financeiro Inglês, aquele revoltado de ver o império construído com a escravidão dos Madeirenses cair…

…e agora EU, não aceito um BE que coloca a maioria das pessoas fora do contexto e da verdade. Dá a essas minorias importância e apenas a esses eles se importam…

…e finalmente EU, não aceito um Coelho que diz mal e que nunca apresentou uma solução para a Madeira e para os Madeirenses…

…digo não ao facilitismo e à subsidiariedade generalizada…

…EU, não tenho vergonha de ser Social-Democrata, porque é com a educação do povo, a promoção da igualdade de oportunidades, e o empenho de cada um de nós, que nos tornará mais fortes e melhores!

@ http://Visto.Blog.pt
Bom dia, o resto verei depois.
 
Pergunta: será possível um governo regional esconder um buraco de 1 100 milhões de euros (o orçamento anual da Madeira é da mesma ordem de grandeza), durante tanto tempo sem que algum organismo se aperceba disso? Será possível que o tribunal de contas, governo, assembleia da república, assembleia regional, nunca tenham percebido ou sequer desconfiado, que havia um buraco tão grande?

Pois eu acho que o governo regional não conseguiria esconder um buraco desta dimensão sozinho. Nem Sócrates, que controlava parte da comunicação social, entidades reguladoras, etc, o conseguiu. Para além das responsabilidades criminais que deveriam recair sobre o governo regional, deveria investigar-se aqueles que, com dolo ou negligentemente, não repararam num buraco destas dimensões.

Na verdade foi o Portas do CDS que começou as hostilidades já no 30 de Julho o que na altura foi considerado uma demonstração de força para dentro da coligação. A esquerda foi a reboque e transformou isso num dos temas da reentré'.
O PSD nacional para além da auditoria, tem estado calado.

O CDS e a esquerda estão em campanha eleitoral, e têm feito acusações deste tipo em quase todas as eleições regionais, às quais o PSD sempre responde defendendo AJJ. Desta vez não, se bem que era muito difícil defendê-lo. Mas o modo como esta notícia saiu cá para fora denota que o PSD não tem interesse em suportar AJJ. Basta ver a diferença de tratamento para quando a troika descobriu os buracos de Sócrates (que também obrigaram a corrigir em alta o défice do ano passado) em vésperas de eleições legislativas. Houve na altura uma clara contenção da troika, de modo a não influenciar o rumo das eleições. A imprensa noticiou a correcção do défice devido a critérios contabilísticos diferentes, nunca se falou em buraco. Se houvesse interesse do PSD nacional, estas notícias só viriam a público daqui a 3 semanas.
 
O argumento da transformação, ou da obra, não devemos nunca usa-lo em certas circunstancias. Eu morei quase uns 20 anos no concelho de Oeiras e votei muitas vezes no Isaltino Morais, a muitos amigos o gabei durante anos como sendo o melhor autarca do país. Tinha uma profunda admiração pelo homem e o seu charuto. Ele transformou Oeiras num dos melhores, senão o melhor do país, no concelho instalaram-se muitas dezenas ou mesmo centenas de empresas nacionais e multinacionais (Linda a Velha, Quinta da Fonte, Tagus Park, etc) a larga maioria empresas de tecnologia e informação, ainda por cima conquistadas a Lisboa, Oeiras tornou-se o concelho com os habitantes com as melhores habilitações académicas do país, atraiu imenso emprego ainda por cima quadros muito qualificados. Ou seja, foi um excelente autarca.

Mas a partir daquele dia em que se começaram a descobrir as contas na Suíça em nome do sobrinho, os esquemas de favorecimentos para umas quantas empresas, o caricato sistema de transportes SATU para um centro comercial, uns terrenos supostamente oferecidos por governantes de uma ex-colónia etc, etc, ele perdeu toda a minha confiança apesar de ter passado anos a elogia-lo. Nas últimas eleições autarquias cheguei a enervar-me na rua com uma arruada de miúdos da campanha dele, a perguntar-lhes se se sentiam bem ao apoiar uma pessoa que até foi condenada em tribunal. Uma vez numa discussão uma pessoa até me respondeu uma coisa deste tipo: "oh, ele até pode ter roubado algum, mas fez imensa obra, já se encheu e não quer mais, agora querem irem para lá outros para lá roubar ainda mais".

Ora isto não é aceitável numa democracia, e todos sabemos que as pessoas pensam muito assim, na obra feita perdoando tudo o resto, e é por isso que políticos gastam muitas vezes desmesuradamente, o povo adora e retribui com votos. Não podemos aceitar isso, é um dos nossos mais graves problemas.

O caso de Isaltino é interessante. Deve ter feito alguma desfeita a algum dos grupos do regime enquanto Ministro do Ambiente, pois só isso justifica a quantidade de investigações que lhe caíram em cima em tão pouco tempo. Não estou com isto a dizer que ele é inocente, mas há certamente uma tentação em investigar todos os podres de Isaltino. Faz lembrar DSK, de um dia para o outro apareceram uma mão cheia de mulheres a dizer que ele era bruto, e uma jornalista a quem ele tentou fazer umas festinhas, resolveu fazer uma queixa contra ele quase 10 anos depois do sucedido.

Comparando com uma "vizinha" do Isaltino, que em directo na televisão, foi acusada de corrupção por um conhecido fadista, que já foi deputado, e que não foi alvo de nenhum processo, vê-se aqui uma diferença de tratamento. Tanto que no município dessa senhora toda a gente, não era só o fadista, sabia que havia corrupção na autarquia. Eu teria na altura uns 10 anos, quando à minha frente, em pleno edifício da câmara, um funcionário disse a um familiar meu, que tinha ido apresentar uma queixa contra uma urbanização que não cumpria uma meia dúzia de regulamentos urbanísticos, que ele bem que se poderia queixar, que a obra iria sempre para a frente, porque o empreiteiro havia financiado a campanha do partido dessa senhora.

Em política todos sabem os podres uns dos outros, e quando se querem livrar de alguém é só debitar a notícia para o jornal, ou fazer chegar uma denuncia anónima. Enquanto essa pessoa dá jeito, escondem-se os podres. Não foi à toa que a Ana Gomes, que é bastante desbocada e de vez em quando diz estas inconveniências, se referiu ao passado do nosso MNE e do seu alter ego cinematográfico, dizendo que isso poderia ser prejudicial ao país. A imprensa e a opinião pública fingiu que não percebeu, chamou-lhe homofóbica, maluca, mas é assim mesmo que isto se processa.
 
sábado, 17 de setembro de 2011

DEMISSÃO IMEDIATA DO GOVERNO

Não dispenso, pelo carácter urgente, que o drama em que estamos mergulhados não constitua motivo bastante para Sua Excelência o Representante manter-se em um enervante silêncio. Parece que nada está a acontecer e que estamos a discutir trocos. Não, Senhor Representante, estamos a discutir uma dívida para ser paga por todos ao longo de mais de 30 anos, estamos a discutir o agravamento do défice das contas portuguesas e estamos a discutir um problema com implicações internacionais. Não pode haver silêncio sobre esta matéria (...)


Em qualquer país onde se respire liberdade (em toda a extensão e implicações da palavra), face aos últimos acontecimentos, o candidato e o PSD, obteriam um resultado final entre os 10 e os 12% nas próximas eleições. Já seria um bom resultado. Há variadíssimos exemplos. Não vou mais longe... a Irlanda. Recordo aqui uma notícia da altura: "O partido de direita neoliberal (apresentado como de “centro-direita”) e que tem governado a República da Irlanda durante a maior parte do tempo desde a independência, em 1921, perdeu mais de 50 deputados e, à beira do fim do apuramento dos resultados, está apenas com 17 lugares e 17,6 por cento dos votos (...)".
É assim em qualquer parte com eleitores esclarecidos. Aqui, não sei o que acontecerá, depois deste terramoto financeiro, da vergonha internacional e da aldrabice em esconder os números da verdade aos madeirenses. O povo terá consciência da fraude, do embuste desta política de um homem que mente, esconde, subverte e continua a assumir que os outros é que são os culpados? O povo eleitor não terá consciência que está a ser enganado e que a presença do PSD só irá criar mais dissabores a todos os madeirenses?
Ora o encontro de Segunda-feira entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro não pode ficar por aí, por uma conversa entre quatro paredes, com um alto grau de confidencialidade entre dois homens de raíz partidária idêntica. O Representante da República, Juiz Conselheiro Irineu Barreto, porque aqui vive e acompanha a política regional, tem o dever de chamar (já deveria ter feito), urgentemente, ao Palácio de S. Lourenço, os representantes dos vários partidos na Madeira, ouvir o estado da democracia, escutar as preocupações derivadas da dívida pública, reflectir sobre a gigantesca mentira que foi mantida até ontem em segredo sobre o estado das finanças regionais e, depois, levar, com urgência, esse dossiê de preocupações ao Senhor Presidente da República. Eu, por mim, com todo o respeito pela pessoa do Senhor Representante, dispenso a recepção a um atleta campeão do mundo universitário (há tempo para isso e para enaltecer o feito), já não dispenso, pelo carácter urgente, que o drama em que estamos mergulhados não constitua motivo bastante para Sua Excelência o Representante manter-se em um enervante silêncio. Parece que nada está a acontecer e que estamos a discutir trocos. Não, Senhor Representante, estamos a discutir uma dívida para ser paga por todos ao longo de mais de 30 anos, estamos a discutir o agravamento do défice das contas portuguesas e estamos a discutir um problema com implicações internacionais. Estamos a discutir actos que configuram aldrabice política. Não pode haver silêncio sobre esta matéria, porque a existir, enquanto cidadão e político, sinto a conivência e a negação da responsabilidade política que incumbe a um Representante do Senhor Presidente da República. Eu sei que esse pedido de encontro seguirá e sempre quero ver qual será a resposta.

in: http://comqueentao.blogspot.com/
 
Pergunta: será possível um governo regional esconder um buraco de 1 100 milhões de euros (o orçamento anual da Madeira é da mesma ordem de grandeza), durante tanto tempo sem que algum organismo se aperceba disso? Será possível que o tribunal de contas, governo, assembleia da república, assembleia regional, nunca tenham percebido ou sequer desconfiado, que havia um buraco tão grande?

Isso eu tenho aqui debatido com unhas e dentes... :(
Assim fica respondido o meteo na sua transcrição.

meteo disse:
Devia ser melhor que tivesse tudo calado,e ficávamos mais uns anos sem saber do que se passa. Prefiro que se vá dizendo o que se passa,mesmo que quem o diga não tenha moral para o fazer.Já chega de encobrimentos. É que se só falar quem tem a folha limpa ninguem fala.
Já agora,qual é o problema do lider do PS? Chegou há tão pouco tempo,e já é perseguido.
Pelo menos o querer abater o AJJ,só surgiu várias décadas depois.O do PS está com mais azar...Nem 1 ano! Não percebo porque é que ao falarmos do AJJ,temos de falar dos outros sempre. Sou sincero,não gosto de defender dinossauros.
O AJJ dizer " Não pretendo fazer cortes nenhuns " é brincar com todos os portugueses,e nós entramos na festa falando do PS,Portas etc etc .
Não me lembro de ver esta vergonha. Uma região debaixo de fogo,que pode ser muito mau para nós e vem o dinossauro brincar connosco dizendo- " Não pretendo fazer cortes nenhuns "

Mas acrescento ao meteo existe Portugueses que são Madeirenses na Madeira, havendo a autonomia há governo próprio e há também delegações autonómicas dos partidos. Eu sei que o PS-Madeira pendura-se no trabalho da Maquina Socialista Nacional, mas o PSD-Madeira não, tem os seus militantes e produzem o seu trabalho. Algo que seria muito falta de respeito o Seguro insistir em aniquilar o poder de opção que o voto dos Portugueses Recenseados na Madeira têm em votarem em alguém que foi eleito por militantes regionais.

Fiz-me entender?

Vince percebo a tua revolta pelos insultos, mas diz-me se quando cá tiveste não foste sempre respeitado como Pessoa?
Os insultos de AJJ, pelo que me lembro foi sempre sobre a classe politica nacional, mas as pessoas ouviam e julgavam-se contra o povo Português...

Nem eu, nunca insultei ninguém e tenho grandes amigos aí, tive namorada daí e foi mais marginalizado por alguns continentais aí do que vice-versa. Algumas criticas que fiz veemente, e na minha forma particular de ser, foi de fazerem de conta que certos erros são normais...
 
Tens um bom exemplo, o Mesquita Machado, outro dinossauro há 35 anos no poder, praticamente metade da cidade de Braga deve conhecer os podres dele com bastante detalhe, a justiça andou de volta dele, descobriu imensa coisa, no entanto o homem paira acima de tudo, parece ter um escudo que o torna intocável.
Mas o que referes é muito interessante sim. É mesmo assim que a coisa se processa na política nacional. Os "podres" são guardados, se for preciso durante anos como trunfos para usar no jogo político no momento adequado. É mero oportunismo para obter vantagens políticas e raramente o interesse da sociedade que move a classe política em inúmeros casos. E é claro que toda esta discussão da Madeira só existe agora por causa das eleições. E infelizmente muitas vezes a justiça parece estar ao serviço disso, que é a parte mais grave disto tudo. Repara como as coisas funcionam em ciclos, e só na eleição presidencial é que apareceram uns detalhes novos do BPN para atacar o cavaco. Provavelmente o exemplo que eu dei, o Mesquita, se ele um dia tivesse tido ambições políticas nacionais, estaria completamente lixado. O "erro" do Isaltino provavelmente foi ter ido para ministro.

Por razões profissionais já me reuni algumas vezes com funcionários de autarquias na região. Entre Viana do Castelo e o Porto, quando se fala em corrupção, toda a gente fala em Mesquita Machado.

Não me esqueço aquele que é para mim o grande momento da campanha presidencial de José Manuel Coelho, na praça principal de Braga, a chamar ladrão a Mesquita Machado.
 
O Espírito dos Tempos disse:
Um homem só

Na luta eleitoral por um lugar ao sol, o Dr. Maximiano do PS mantém-se convencido da magnanimidade da sua estratégia política para o nosso arquipélago. Mau grado aquele acidente de percurso que lhe mancha o currículo – a persistente mania de votar contra a Madeira e os madeirenses e a sua enorme autopromoção à volta desse assunto – ele tenta agora, em esforço, chegar ao fim da corrida. No entanto, parece que os seus correligionários não lhe garantem grande protecção nem grande solidariedade, coisa que infantilmente se nota na cobertura noticiosa. Por agora não sabemos se o Dr. Maximiano se limita a seguir à risca aquela velhinha máxima do mais vale só do que mal acompanhado. Mas desconfio que em breve descobriremos.
Um futuro ex-representante
No dia 29 de Agosto, o DN local garantia que José Manuel Rodrigues seria o novo representante institucional do CDS/PP. No dia 30 de Agosto, o Público online anunciava Nuno Melo como novo representante institucional do mesmo CDS/PP. Entre um dia e outro, algo de grave deve ter acontecido para ocorrer tão radical alteração. De um modo porventura suspeito, ninguém quis saber do assunto, incluindo os que fizeram a notícia. Mas certas coisas não passam assim tão despercebidas como se julga. Nem andamos todos nós assim tão distraídos.

Chover no molhado

A Constituição voltou ao debate e com ela os velhinhos dogmas do costume. Entre os que querem alterar para piorar e os que querem acrescentar para limitar, não há grande diferença de objectivos ou de ambições. Resumindo: parte da discussão à volta deste assunto mantém-se ridicularizada por motivos que toda a gente confirma. Infelizmente, a nossa elite governativa ainda não se convenceu de que é a Constituição que é feita para as pessoas e não as pessoas que são feitas para a Constituição. Sem perceber isto, continuamos indecorosamente a chover no molhado. Já quase não vale a pena.

O envelhecimento populacional

Com a quebra da natalidade e o aumento da esperança de vida, o envelhecimento populacional trará uma transformação profunda nas estruturas sociais e no modo como com elas lidamos. Se a idade média subir para valores perto dos 50 ou mais anos, como se prevê já no meio deste século, há todo um conjunto de problemas que vão emergir porque uma população envelhecida é mais resistente à mudança, mais conservadora nos hábitos e no modo de pensar e menos afoita na procura de oportunidades. Nestes moldes, não nos admiremos que toda uma concepção de vida que temos como maioritária hoje – alguma dela excessivamente baseada no viver como se não houvesse amanhã – desapareça para dar lugar a estilos de vida mais maduros e ponderados. Na verdade, e pensem bem, que sentido fará mostrar trapinhos e bugigangas em miúdas de 20 anos, quando o público-alvo tem grosso modo mais de 50 anos? Alguma vez pensaram na enorme transformação social que aí vem?

O aparelho de Estado

Althusser explicou: por um lado, temos o aparelho de Estado ideológico composto por comunicação social, educação, família e cultura e, por um outro lado, temos o aparelho de Estado repressivo composto pela polícia, tribunais e exército. São, no entender deste teórico marxista, dois aparelhos distintos, mas com um objectivo comum: manter a hegemonia burguesa. Substitua agora “hegemonia burguesa” por “hegemonia socialista” e temos o quadro da actual situação portuguesa. Porque é que ainda se mantém este estado de coisas é enigma que prefiro nem tentar compreender. Mas aqui se prova que às vezes é preciso mexer em alguma coisa para deixar tudo exactamente na mesma. Só que assim, não vamos lá.

BRUNO MACEDO
(Deputado do PSD/Madeira na ALM)
http://ohomemdocasteloalto.blogs.sapo.pt

Partilhado para perceberem mas alguma coisa sobre a realidade regional...
 
Concordo Hawk.Mas pelo menos aqui no fórum quando estamos a falar do AJJ,nada tem haver com o povo Madeirense. Somos todos iguais,não há portugueses de primeira nem de segunda(ou pelo menos não devia haver). Vamos todos pagar a dívida,por isso não podemos permitir que qualquer senhor a aumente.Seja o AJJ,seja o Sócrates(já foi..) ou o Portas. :thumbsup:

Obviamente não me referia aos users do fórum, Tenho acompanhado este tópico com bastante atenção, e é de realçar o nível das opiniões e posições aqui tomadas.

O que me referia, acerca desta espécie de "atentado" ao povo madeirense, é algo que até pode não estar a acontecer já, mas bastante susceptível de acontecer depois de algumas opiniões tornadas públicas por parte de pessoas que esperamos que apelem à serenidade e à distinção daquilo que são os erros do Governo Regional da Madeira e os erros do povo da Madeira. Basicamente seria o mesmo que os alemães darem um grito de revolta e dizerem "nem mais um tostão para Portugal", por os portugueses terem reforçado o apoio a Sócrates numa altura em que as coisas já estavam a descarrilar. Como dizia um cronista num artigo de opinião do Diário Económico esta semana:

"Os portugueses (do continente) detestam as dívidas da Madeira como os alemães detestam as dívidas de Portugal. Dívidas são dívidas: compreendemos as nossas, grandes ou pequenas, sensatas ou estúpidas. No entanto, desprezamos as dos outros por causa desse facto elementar: são dos outros e os outros, que o Diabo os leve, são por natureza gastadores e calões".

Mas este artigo é uma excepção. Passo a exemplificar algumas das opiniões que foram transmitidas publicamente esta semana e que podem levar a uma mobilização social "perigosa":

"Já basta de pagarmos os desmandos de Jardim e seus apaniguados. Se eles não querem aliviar-nos da sua indesejável companhia, só há uma solução: vender a Madeira a quem der mais" - Vital Moreira na Causa Nossa

"Se a 9 de Outubro a opção dos eleitores for renovar a maioria absoluta de Jardim, e após tantos anos a validar as ameaças de independência da Madeira, é tempo então de os madeirenses assumirem autonomicamente os sacrifícios a que todos estamos obrigados" - Nuno Saraiva no DN

"A grande ameaça é que os 'cubanos' se queiram ver livres da Madeira a qualquer preço. A 9 de outubro os madeirenses terão de escolher entre Jardim e Portugal" - Miguel de Sousa Tavares, in DN

mas são muitos, muitos mais...

Por incrível que pareça, já existem movimentos no Facebook a organizar manifestações em Lisboa com vista o embargo de fundos para a Madeira...
 
Vergonhoso, abjecto, criminoso o que essa gente diz. A prova de que não há elites, nem homens ou mulheres com elevação na nossa política. A Madeira foi descoberta e povoada por nós, é parte de Portugal! Se há um endividamento excessivo, que se ponha a casa em ordem! O correcto seria que AJJ pedisse a demissão e não se recandidatasse, mas se o fizer, e vencer, será moralmente correcto da nossa parte montar um Auto da Fé? «O vício choca mais os libertinos», escreveu um dia o Marquês de Sade; e nós cá no Continente temos Gondomar, Valongo, Lisboa, Faro, Portimão, Alandroal, Castanheira de Pêra, Aveiro, entre tantos outros concelhos com as suas dívidas exorbitantes! Deveríamos «vendê-los»? O nosso mau exemplo não serve de pretexto para desculpabilizar o mau exemplo madeirense, ou para sermos complacentes com AJJ; apenas para demonstrar que estamos todos no mesmo barco, como uma família onde a mãe tudo gasta em roupas, o pai tem uma amante brasileira e os filhos destroem as mesadas em noitadas! Cada um cometeu os seus erros, haja elevação moral para corrigir o vício! Recordemos pois os nossos valores morais e éticos da Antiguidade clássica e do cristianismo, é hora de serem aplicados.
 
A Madeira foi descoberta e povoada por nós, é parte de Portugal!

Creio que foi essa maneira de pensar que levou a longa Guerra do Ultramar, acabando por ambas as partes perderem...
 
Hawk,

também conheci a serra algarvia e o Baixo Alentejo com uma pobreza imensa. Aldeias sem electricidade, acessos em estrada de terra batida, sem recolha de lixo, esgotos, água canalizada, televisão ou ponte de acesso. No Inverno, em períodos mais chuvosos, algumas aldeias ficavam mesmo isoladas durante vários dias! E estávamos nos anos 90, foi há pouco tempo. Os holandeses, os ingleses ou os alemães ficavam impressionados por verem na Europa aldeias onde se vivia como na era pré-industrial. Não havia fome nem falta de roupa, mas isso também sucedia porque nas famílias havia muitos imigrantes que enviavam dinheiro, o qual servia para pagar, por exemplo, despesas de saúde.

A alimentação era pobre, pouco variada, à base de carne de porco, enchidos, leite de cabra, leguminosas, frutas e legumes da época, tudo cultivado nos vales junto das ribeiras. Ah, e o pão, sempre presente. Das vendas de frutos secos e de azeitonas vinham parcos lucros que serviam para fazer uma conta bancária miserável, ao longo da vida havia quem não juntasse mais de 10 ou 15 mil euros.

A roupa era feita à mão, ou então comprada aos ciganos, nas feiras anuais, que havia em Tavira ou Vila Real de Santo António, ou então nos mercados semanais, como o de Cacela.

Havia muito artesanato, fabrico de cestos, peças em latão, mobiliários, tudo feito manualmente, com materiais da natureza, lenha de loendro, linho, lã de ovelha.

Ninguém tinha carro, toda a gente se deslocava a pé ou de burro, mula, macho ou cavalo. Nem havia bicicletas. Algumas crianças andavam a pé mais de meia hora, pelo meio do mato, para chegarem à escola. Isto é, as que frequentavam o ensino primário.

O que está em causa é que passámos para o outro extremo, do 8 ao 80, e pelo que me contam madeirenses aí foi igual, excesso de gente no Governo Regional, obras desnecessárias, uma série de gente que subiu na vida à custa da construção a gravitar em torno do Governo Regional e das autarquias.

Uma vez feitas as obras necessárias, isto é, em termos de saneamento, acessos, electricidade, deveríamos ter abrandado!
 
Creio que foi essa maneira de pensar que levou a longa Guerra do Ultramar, acabando por ambas as partes perderem...

Angola e Moçambique tinham povos nativos quando lá chegámos. A Guiné-Bissau também, tal como Timor-Leste. Se não tivéssemos dado a independência a São Tomé e Cabo Verde, provavalmente estariam ainda connosco sem problemas.

Se é para «vender» a Madeira, que se venda também Gondomar, Valongo, Faro, Portimão, etc.
 
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