A questão da Madeira não pode ser alvo de uma análise leviana nem por comparação a outras regiões do país. Não pretendo ser advogado de defesa de ninguém, nem tão pouco dizer que sou um defensor acérrimo de todas as medidas tomadas por AJJ e os seus secretários ao longo destes anos de governação.
Infelizmente, poucas pessoas têm noção do que era a Madeira do antigamente e o que é a Madeira de hoje. O atraso secular que vem de trás não pode pura e simplesmente ser ignorado. Nas minhas voltas de miúdo pela ilha (ainda pouco conhecia fora do calhau) via tudo de uma forma perfeita. A paisagem era fantástica, podia fazer praia quase todo o ano, ia passar os fins de semana ao Porto Moniz numa estrada sem fim e via com naturalidade os miúdos, mais ou menos da minha idade, que pediam esmola e mergulhavam no cais do Funchal para apanhar as moedas que os turistas jogavam para o fundo do mar.
Depois, fui crescendo e percebendo que afinal a Madeira não era perfeita e algo não estava certo do ponto de vista social e estrutural. Nas voltas que dava com o meu pai, ele apontava-me grutas (sim, grutas) onde tinham morado famílias inteiras. Não um sem-abrigo, mas familias inteiras... O Curral das Freiras era a freguesia mais pobre de toda a União Europeia, e as pessoas que moravam no Norte da ilha que tinham de se deslocar de urgência ao hospital do Funchal acabavam por morrer ao longo dos longíquos trilhos entre vales e montanhas que ligavam o Norte ao sul. Não havia acesso a saneamento e electricidade nas zonas altas em pleno Funchal e entrar para o ensino superior era utópico para o comum dos madeirenses.
Eu sei que no Continente o cenário também foi de dificuldade na era pré-25 de Abril. Mas não é nada comparável à situação da Madeira. O que AJJ tentou fazer foi reverter esta situação, construíndo. Construindo, porque as politicas sociais só são viáveis se houver obra feita. Esta tentativa de esbater as diferenças entre a realidade da Madeira e a realidade do Continente teve um preço. É por isto que o AJJ vai ganhar sempre as eleições. Porque ninguém quer morrer porque está muito longe do hospital, ninguém quer voltar a ver os "míudos das caixinhas" no cais do Funchal, ninguém quer viver à luz das velas e ninguém quer dizer aos filhos: "não podes ir estudar, tens que ficar na ilha". É a isto que os madeirenses associam AJJ.
Podem acusar-nos de falta de solidariedade mas, sinceramente, acho tremendamente injusto. Quando se diz que os continentais estão a pagar os túneis e as pontes da Madeira, é preciso não esquecer que os madeirenses também estão a pagar as auto-estradas no continente, os estádios do Euro 2004, as inúmeras pontes sobre o Douro, um sem número de obras das quais nunca vão usufruir. Mas costumam ouvir o povo madeirense a contestar? O conceito de "investimento" vs "despesismo" não pode ser definido em função da região do país que estamos a falar.
Infelizmente, penso que além do grande desafio que será acarretar as medidas que virão devido à conjuntura, os madeirenses terão também de fazer frente a este "desafio social", em que são acusados de falta de solidariedade por parte dos portugueses do continente. Tenho visto cronistas nos principais jornais portugueses a escrever que os madeirenses terão de escolher entre "AJJ ou Portugal". Sinceramente, este tipo de situação deixa-me bastante apreensivo, mas haveremos de superar as batalhas. Todos.
Infelizmente, poucas pessoas têm noção do que era a Madeira do antigamente e o que é a Madeira de hoje. O atraso secular que vem de trás não pode pura e simplesmente ser ignorado. Nas minhas voltas de miúdo pela ilha (ainda pouco conhecia fora do calhau) via tudo de uma forma perfeita. A paisagem era fantástica, podia fazer praia quase todo o ano, ia passar os fins de semana ao Porto Moniz numa estrada sem fim e via com naturalidade os miúdos, mais ou menos da minha idade, que pediam esmola e mergulhavam no cais do Funchal para apanhar as moedas que os turistas jogavam para o fundo do mar.
Depois, fui crescendo e percebendo que afinal a Madeira não era perfeita e algo não estava certo do ponto de vista social e estrutural. Nas voltas que dava com o meu pai, ele apontava-me grutas (sim, grutas) onde tinham morado famílias inteiras. Não um sem-abrigo, mas familias inteiras... O Curral das Freiras era a freguesia mais pobre de toda a União Europeia, e as pessoas que moravam no Norte da ilha que tinham de se deslocar de urgência ao hospital do Funchal acabavam por morrer ao longo dos longíquos trilhos entre vales e montanhas que ligavam o Norte ao sul. Não havia acesso a saneamento e electricidade nas zonas altas em pleno Funchal e entrar para o ensino superior era utópico para o comum dos madeirenses.
Eu sei que no Continente o cenário também foi de dificuldade na era pré-25 de Abril. Mas não é nada comparável à situação da Madeira. O que AJJ tentou fazer foi reverter esta situação, construíndo. Construindo, porque as politicas sociais só são viáveis se houver obra feita. Esta tentativa de esbater as diferenças entre a realidade da Madeira e a realidade do Continente teve um preço. É por isto que o AJJ vai ganhar sempre as eleições. Porque ninguém quer morrer porque está muito longe do hospital, ninguém quer voltar a ver os "míudos das caixinhas" no cais do Funchal, ninguém quer viver à luz das velas e ninguém quer dizer aos filhos: "não podes ir estudar, tens que ficar na ilha". É a isto que os madeirenses associam AJJ.
Podem acusar-nos de falta de solidariedade mas, sinceramente, acho tremendamente injusto. Quando se diz que os continentais estão a pagar os túneis e as pontes da Madeira, é preciso não esquecer que os madeirenses também estão a pagar as auto-estradas no continente, os estádios do Euro 2004, as inúmeras pontes sobre o Douro, um sem número de obras das quais nunca vão usufruir. Mas costumam ouvir o povo madeirense a contestar? O conceito de "investimento" vs "despesismo" não pode ser definido em função da região do país que estamos a falar.
Infelizmente, penso que além do grande desafio que será acarretar as medidas que virão devido à conjuntura, os madeirenses terão também de fazer frente a este "desafio social", em que são acusados de falta de solidariedade por parte dos portugueses do continente. Tenho visto cronistas nos principais jornais portugueses a escrever que os madeirenses terão de escolher entre "AJJ ou Portugal". Sinceramente, este tipo de situação deixa-me bastante apreensivo, mas haveremos de superar as batalhas. Todos.
