Como não sou altruísta, recuso-me a fazer futurologia, para saber o que vai acontecer daqui a 15 dias. Mesmo que assim fosse, seria no atual cenário de confinamento. Ao desconfinar, os dados seriam outros, daí que não faz ainda sentido sair da situação atual (por muito que nos custe a todos).
Não é futurologia, são contas.
Neste momento deveremos andar pelos 800 casos diários na pior das hipóteses (estamos com média móvel ligeiramente abaixo de 1000 dos casos detectados, que corresponde aproximadamente a 7 a 10 dias atrás).
O tempo de geração do contágio de Covid-19 (generation time, diferença de tempo entre a infecção e o passar a estar infeccioso) é de 4 a 5 dias (consideremos 4 dias que é o pior).
O Rt da Covid-19 a correr livremente e com imunidade nula é de 3,3 a 5, conforme a estirpe. No entanto, mesmo durante o descalabro natalício, o máximo que se registou em Portugal foi de 1,25. Contando com as medidas que estiveram sempre em vigor (máscara, distanciamento social) e com a imunidade que já é importante, consideremos um R de 1,25 já como um grande maximizante.
Deste modo, teríamos o seguinte número de casos se a partir de amanhã adoptássemos as medidas e os encontros sociais do Natal passado e se a imunidade da população fosse semelhante à que tínhamos em dezembro:
02 março: 800
06 março: 1000
10 março: 1250
14 março: 1563
18 março: 1953
Logo, a média de casos nos próximos 15 dias seria igual à dos últimos 15 dias, durante os quais o número de internados em UCI desceu a pique. Para exemplificar, é uma média semelhante à de meados de outubro que originou cerca de 200 doentes em UCI.