Pandemia da COVID-19 2021

Na primeira semana de 2021 (4 a 10 de janeiro) registaram-se 3 634 óbitos, mais 563 óbitos relativamente à última semana de 2020 (3 071 óbitos) e mais 830 que a média de 2015-2019. Do total de óbitos na primeira semana de 2021, 729 óbitos foram por COVID-19, correspondendo a 20,1% do total.
Em 2020 registaram-se, em Portugal, 123 409 óbitos (dados preliminares), mais 11 118 que em 2019 e um excesso de mortalidade de 12 220 óbitos relativamente à média dos últimos cinco anos. Do total de óbitos, 61 441 foram de homens e 61 968 de mulheres, mais 5 269 e 5 849 que em 2019 e um excesso de mortalidade, respetivamente, de 5 643 e de 6 578 óbitos, em relação à média de 2015-2019.
Em 2020, mais de 70% dos óbitos (88 634) foram de pessoas com idades iguais ou superiores a 75 anos, dos quais cerca de 60% (53 088) de pessoas com 85 e mais anos.
Cerca de 1/3 dos óbitos registaram-se na região Norte. A Área Metropolitana de Lisboa e a região Centro concentraram cerca de metade da mortalidade registada em 2020.
O maior acréscimo de óbitos ocorreu fora de um estabelecimento hospitalar (domicílio ou noutro local), mais 16,5% que a média de 2015-2019 e mais 14,4% que em 2019.

-> https://www.ine.pt/xportal/xmain?xp...&DESTAQUESdest_boui=473839541&DESTAQUESmodo=2
 
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Carlos Antunes: “O medo vai ter de voltar”

Carlos Antunes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, pede um “fecho integral” e mais rastreio e testagem. É preciso mais e melhor do que fizemos em Março.

Andrea Cunha Freitas
21 de Janeiro de 2021, 22:12

Carlos Antunes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, estava habituado a fazer previsões sobre o dramático efeito das alterações climáticas. Agora tudo o que faz é sobre covid-19. Em entrevista ao PÚBLICO no dia em que o Governo anunciou que iria fechar as escolas depois de vários dias de hesitação, o investigador constata que andámos a perder tempo, que já perdemos o controlo. "Nós estamos a caminhar para o caos, deixámos de controlar o sistema. O sistema é que nos está a controlar a nós”.


Devíamos fechar tudo. Não só as escolas, mas parar as fábricas, a construção civil, o take away dos restaurantes, tudo. E testar mais, muito mais. E, mesmo assim, avisa Carlos Antunes, convém estarmos preparados para os murros no estômago que aí vêm, nomeadamente com a chegada da variante do Reino Unido e das outras. Perdemos tempo e cometemos erros em cima de erros. Mesmo quando, no início de 2021, uns diziam que não existiam dados para avançar com medidas, já existiam alertas mais do que suficientes, confirma o especialista. Talvez só agora os portugueses sintam que lhes “estão a pisar os calos” e as coisas mudem. Talvez agora o medo volte. É isso que é preciso, diz o investigador que se confessa quase tão triste como preocupado e que espera agora que os portugueses tenham medo, tenham muito medo. Muito mais do que tiveram em Março.


A novidade do dia é o fecho das escolas. O que é que isso muda?

Em princípio, do ponto de vista teórico, todos os contactos que sejam reduzidos vão ajudar. Estávamos com uma redução da mobilidade muito baixa, uma redução de 30% no fim-de-semana e depois de 10% no início da semana. O fecho de escolas obrigatoriamente vai reduzir essa mobilidade e os contactos. O que se sabe, pela monitorização noutros países, é que reduzir os contactos vai ter um impacto.


Qual?

Vai depender da dimensão das medidas. É só as escolas ou vai haver mais medidas? Penso que devem vir aí mais medidas. O objectivo será exactamente tentar ter pelo menos o impacto que tivemos em Março. Contudo, nós já sabemos que o impacto de Março é insuficiente. Os médicos estavam preparados para oito semanas para conseguirmos chegar ao nível de Natal. O que estamos a observar é que essa trajectória afinal não é de oito semanas, mas pode ser de dois meses e meio, três meses. Portanto, temos de conseguir melhores resultados do que tivemos em Março.

Como?

Tem de ser uma coisa mesmo integral. Não sei ainda o que vai sair hoje do Conselho de Ministros, mas acredito que seja uma coisa mesmo integral.

O que é isso de uma coisa mesmo integral? Que tipo de medidas?

Daquilo que vejo nos outros países, só permitir a saída de casa mesmo só exclusivamente para aquilo que é essencial e só uma pessoa de cada casa. Não ter ninguém na rua. Nem os passeios higiénicos, mesmo esses têm de ser mínimos e à volta de casa. Houve países que puseram uma limitação a cinco quilómetros. A questão é que, ao nível de incidência em que nós estamos, temos de fechar tudo o que seja possível.


Fecho integral também devia incluir o take away dos restaurantes?

Acho que sim.


E o trabalho, há pessoas que não podem fazer o seu trabalho à distância...

Se é um serviço mínimo, a questão, por exemplo, da cadeia de distribuição de produtos essenciais para os mercados tem de se manter.


Mas há fábricas...

Exacto. Ou a construção civil. Há um conjunto de actividades que podem ser fechadas durante uma semana ou 15 dias. Porque enquanto não conseguirmos reduzir ao máximo os contactos não conseguimos trazer a incidência para baixo. Ela está muito elevada. Isto está disseminado por todos os concelhos. O mapa está quase todo vermelho. O vermelho quer dizer que praticamente existe uma pessoa em cada 100, 1% das pessoas estão infectadas. E vimos pelo gráfico dos grupos escolares que a partir dos 12 anos têm uma incidência acima de mil. Passámos o limite. O problema é que agora não queremos aceitar estas medidas drásticas, mas não compreendemos que fomos além daquilo que podíamos ter ido. Se tivéssemos conseguido antes do Natal trazer a incidência para mil, tudo bem. Mas não conseguimos. Partimos de um patamar elevado. Deixámos que a terceira vaga partisse de um valor muito elevado.

E agora?

E agora ainda temos o problema da nova variante. Sabemos que no final do mês vamos ter 60% de contágio com a nova variante.


Vai tornar-se dominante...

Sim. E repare o que é que significa uma variante que aumenta a sua carga viral no trato respiratório superior em 32 vezes. Quando expiramos, expiramos 32 vezes mais partículas virais do que nas variantes anteriores. É isso que dá essa capacidade de ser mais transmissível. Com esta variante a circular, isso não vai permitir reduzir a incidência a níveis que necessitamos.


E é por isso que precisamos do tal fecho integral?

Sim. Mas não só. Embora existam pessoas que são contra e que dizem que é impraticável porque não há recursos, a única forma é também duplicar, triplicar ou quadruplicar a capacidade de rastreio, inquéritos epidemiológicos e testagem. Estávamos quase a enveredar por ir para as escolas testar os alunos todos. Isso é uma testagem aleatória e com isso não se encontra quase nada. Foi o que demonstrámos no Natal. Aquela corrida aos laboratórios não alterou a curva de casos. Ao passo que os 25 mil testes que fizemos a menos do rastreio epidemiológico no Natal levaram a cinco mil casos que nós perdemos e que criaram cadeias de transmissão. A testagem tem de ser feita de forma criteriosa.


Continua:

https://www.publico.pt/2021/01/21/ciencia/entrevista/medo-vai-voltar-1947401
 
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Algarve vive «momento complicado e de exigência» no combate à Covid-19

https://www.sulinformacao.pt/2021/0...plicado-e-de-exigencia-no-combate-a-covid-19/

233 internados, 33 nas UCI e 17 ventilados, números algo assustadores, para a região em si.

Há surtos em 12 lares do Algarve, envolvendo um total de 421 casos

https://www.sulinformacao.pt/2021/0...-do-algarve-envolvendo-um-total-de-421-casos/


Algarve está a «testar mais do que a média nacional»

https://www.sulinformacao.pt/2021/01/algarve-esta-a-testar-mais-do-que-a-media-nacional/

""Desde o início da pandemia e até ao Natal, nós temos 872 casos em crianças até aos 16 anos, em idade escolar. E depois, desde o Natal e até há dois dias, tínhamos 818. Portanto, num período muito mais curto um número quase equivalente", disse Ana Cristina Guerreiro."
 
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polícias que interpelam pessoas na rua, sobre o que faziam ali ao início da tarde.

não há aulas, eram duas jovens nas proximidades da universidade em passeio.
 
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continuo na minha...

as variações do virus são relevantes mas as temperaturas diurnas onde exercemos a nossa atividade profissional ou social, também.

20ºC ou mais... certamente menos virus.
 
E o pesadelo continua.

COVID-19: Variante inglesa parece ser 30% mais mortífera, além de mais contagiosa
As primeiras evidências científicas sugerem que a variante do coronavírus que surgiu no Reino Unido pode ser mais mortífera, disse o primeiro-ministro Boris Johnson com base em dados preliminares.

Cientistas do Grupo de Aconselhamento sobre Ameaças de Vírus Respiratórios Novos e Emergentes, que analisam as tendências epidemiológicas e que trabalham em conjunto com o governo do Reino Unido, admitem que a taxa de letalidade da variante britânica do coronavírus SARS-CoV-2 é 30% mais letal. No entanto, todas as evidências científicas são ainda referentes a estudos preliminares, frisam os investigadores.

"Além de se espalhar mais rapidamente, agora também parece que há alguma evidência de que a nova variante - aquela que foi identificada pela primeira vez em Londres e no sudeste (de Inglaterra) - pode estar associada a um grau mais alto de mortalidade", disse Boris Johnson, durante uma conferência de imprensa na residência oficial em Downing Street.

"É em grande parte por causa do impacto desta nova variante que o serviço de saúde britânico está sob uma pressão tão intensa", acrescentou.

Variante inglesa a alastrar
Um estudo sobre a prevalência do vírus no país publicado pelo instituto de estatísticas britânico (ONS, na sigla em inglês) sugere que a variante inglesa, considerada mais contagiosa, espalhou-se pelo resto do Reino Unido, com grandes aumentos de casos na Escócia, País de gales e Irlanda do Norte, mas está em declínio em Londres e em outras partes do sul de Inglaterra.
De acordo com a atualização feita hoje pelo Governo, o índice de transmissibilidade efetivo (Rt) no Reino Unido desceu para entre 0.8 e 1. Porém, os especialistas consideram que ainda é cedo para dizer se este é o resultado do confinamento nacional iniciado em janeiro.

O primeiro-ministro, Boris Johnson, tem evitado avançar com um calendário para o alívio das restrições, mas alguns cientistas acreditam que tenham de ficar em vigor até pelo menos abril ou maio.

Entretanto, a Irlanda do Norte anunciou na quinta-feira que o confinamento na região vai permanecer até 05 de março no mínimo e a Escócia até meados de fevereiro,

Fonte

A estirpe Sul Africana já foi detetada e a Brasileira, como refere o @algarvio1980 também já deve andar por aí.

Isto está para durar e durar, enfim...
 
Acho que se a variante inglesa (já agora, por que é racismo chamar ao vírus chinês e não é chamar a estirpe de inglesa?) é mais contagiosa, em consequência os infectados receberão mais facilmente uma maior carga viral, o que torna a infecção potencialmente mais grave. Tem toda a lógica a relação entre a maior letalidade de uma estirpe e a sua capacidade de disseminação.
 
Chief government scientist Patrick Vallance said the new variant could be 30-40 percent more deadly for some age groups, although he stressed the assessment relied on sparse data.

"There's a lot of uncertainty around these numbers and we need more work to get a precise handle on it, but it obviously is of concern," he said, flanking Johnson in Downing Street.

"You will see that across the different age groups as well, a similar sort of relative increase in the risk."

Patrick Vallance told a news conference that “there is evidence that there is an increased risk for those who have the new variant.”

He said that for a man in his 60s with the original version of the virus, “the average risk is that for 1,000 people who got infected, roughly 10 would be expected to unfortunately die.”

“With the new variant, for 1,000 people infected, roughly 13 or 14 people might be expected to die,” he said.

But Vallance stressed that “the evidence is not yet strong” and more research is needed.

In contrast, he said, there is growing confidence that the variant is more easily passed on than the original coronavirus strain. He said it appears to be between 30% and 70% more transmissible.

“I don’t think this virus is going anywhere,” he said. “It’s going to be around, probably, forever.”
 
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