Política e economia internacional 2015

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Manifestação em favor do 'sim' no referendo:



Encontrei uma notícia com 2 anos. Acho apropriada tendo em conta a situação atual. Na altura deve ter sido publicada. Está inserida no segmento: 'a troika é mais inteligente que os portugueses' e nunca é de mais voltar a publicar:

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O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, acaba de retirar do currículo um mestrado em Economia Empresarial, pela University College Cork (UCC), que nunca existiu naquela instituição.

O ministro das Finanças retirou a referência ao mestrado, substituindo-a pela realização de uma "investigação em Economia Empresarial com vista à obtenção de um mestrado na University College Cork".

A correcção do currículo que existia em vários sites oficiais, incluindo no do Eurogrupo, acontece depois da denúncia do Sunday Independent.

O jornal inglês, citando fonte da referida universidade, garantia que o mestrado referido no currículo de Jeroen Dijsselbloem “não existia”.

De acordo com a mesma fonte, o presidente do Eurogrupo esteve alguns meses na University College Cork a realizar uma investigação sobre economia agrícola.

O Ministério holandês das Finanças assumiu o erro, alegando que se ficou a dever a “uma fonte de informação incorrecta”.

http://www.publico.pt/economia/noti...etirando-mestrado-que-nao-tinha-feito-1591368

Mas enfim. Os de fora é que são honestos e impolutos. E os alemães então...

Por fim, uma boa medida da Dinamarca:

Denmark's new foreign minister has told his German counterpart of plans to reimpose border controls while sticking to the rules of the Schengen Agreement. The move is apparently aimed at stopping migrants and smugglers.

http://www.dw.com/en/jensen-tells-steinmeier-denmark-will-reimpose-border/a-18551965

:thumbsup: Algo que deveria ser feito em Portugal. Por cá também se assiste à liberdade desmesurada dos serviços secretos e pouca ou nenhuma discussão há. Só haverá choque quando um dos políticos que apoia esta medida for espiado. Aí a indignação será indiscritível.
 
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Isso das ajudas... às vezes o dinheiro fácil é o pior que se pode dar a alguém.

Por que motivo Israel em poucas décadas tornou-se um país rico, mais rico que Portugal, e fez do deserto um jardim? Por que motivo a Suiça cheia de montanhas, sem acesso ao mar, rodeada de inimigos, é um país rico? E por que motivo Angola é tão pobre, cheia de recursos? E nós que tivemos um dos maiores Impérios de sempre tínhamos o povo na Metrópole pobre e culturalmente atrasado?

Uma sociedade para ser avançada tem de ter pessoas formadas a todos os níveis, e tem de ter instituições sólidas e honestas. Os gregos têm muitos défices culturais e de personalidade, são atrasados culturalmente em muitos aspectos, as instituições são frágeis e corruptas. Na colecta de impostos e organização do Estado devem estar 30 anos atrasados em relação aos portugueses.

Atirando dinheiro para a Grécia só levará a que fique tudo na mesma, se não querem o plano de reformas saiam do euro e vivam com o que produzem, é assim que as pessoas aprendem.

Nós aqui já devíamos saber no que dá o dinheiro fácil, gerimos mal e estoirámos a fortuna imperial e andámos sempre pobres e atrasados.

Curiosamente houve talvez mais modernização em Portugal no sector dos transacionáveis desde que começou a crise que nos tempos dos fundos comunitários na era do cavaquismo e do guterrismo.
 
Rodapé da SIC-N - Grécia pede adiamento do pagamento dos 1.5 mil milhões até Novembro. Porque é que acho que o controlo de capitais vai-se estender pelo Verão? Muitas falências causará.

Por que motivo Israel em poucas décadas tornou-se um país rico, mais rico que Portugal, e fez do deserto um jardim?

Se a Grécia tivesse alguém para lhe pagar as despesas militares... o défice seria dramaticamente reduzido. Dificilmente Israel é um bom exemplo de autodeterminação. Os israelitas receberam 233 mil milhões (que penso terem sido maioritariamente injetados na economia, não para salvar o sistema financeiro):

http://www.haaretz.com/business/u-s-aid-to-israel-totals-233-7b-over-six-decades.premium-1.510592

Fora as mais que prováveis ajudas em termos de conhecimentos e de tecnologias. O estado israelita também tinha uma urgência para sobreviver e prosperar que outros países não têm (é uma questao psicológica muito importante. Está ao mesmo nível do Holocausto).

Por que motivo a Suiça cheia de montanhas, sem acesso ao mar, rodeada de inimigos, é um país rico?

Pode ter disciplina. Contudo também usufrui da proximidade à Europa Central. Nem vou falar na 2ª guerra mundial nem no paraíso fiscal que é. Vendo o perfil das trocas comerciais:

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https://atlas.media.mit.edu/en/profile/country/che/

A Suíça é um hub para ouro. É a única coisa que explica a elevada percentagem das trocas comerciais com a Índia. E 20% das trocas comerciais em ouro é muita coisa.

E por que motivo Angola é tão pobre, cheia de recursos?

Numa perspetiva histórica, 40 anos não é nada. Comércio de escravos e colonianismo durante séculos causam mossa. Mossa essa que dura bastante tempo para sarar. As guerras civis tipicamente terminam quando um grupo armado derrota outra. Sem surpresa nenhuma, há consolidação do poder. Grupos democráticos tipicamente não andam armados. Isso depois complica quando nações externas fomentam as guerras civis. Até parece que a Europa teve sempre democracia e direitos humanos.

De resto, concordo parcialmente.
 
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Desculpem a falta de solidariedade, mas nem 1euro tenciono doar... Eles é que se meteram nesta situação, agora terão que sair dela. Como disse o David, mais depressa ajudaria pessoas em África do que os gregos.

Eles no passado também não foram muito solidários com Portugal... :rolleyes:

Capturar_zpswpkrqtty.png

Pois, mas vais ter que dar mais que 1Eur (dá direito a uma foto tipo pass do tsipras ou do varoufaquis)! :)

Caso se realize o 3o resgate, tal como é defendido pela oposição, cada português do mais pequenote ao mais velhote, vai entrar com 106eur de empréstimo à grécia, a 30anos com 0% de juros. A cota de Portugal é de 2.5%, em primeiro lugar a alemanha com quase 40%, a frança e itália com quase 20% e da espanha com 11%.

Eu sou da opinião, que em vez de ajudarmos com dinheiro, podíamos ajudar em generes alimentícios (ex: leite para fazerem iogurtes)! A corruptos, burloes, caloteiros não se empresta dinheiro!
 
Jeroen Dijsselbloem, o Relvas do Eurogrupo.
 
Duvido que consiga albergar tudo neste comentário mas a situação da Grécia é extremamente complexa. A utilização do referendo é algo que poderá ser utilizado vezes sem conta até se atingir um resultado próximo do pretendido. Técnica arriscada porque pode fazer com que o governo perca toda a credibilidade. O governo grego joga com a impossibilidade da Europa expulsar a Grécia. Já há sondagens que dão a vitória do 'sim'. A Europa sabe que o resultado da Grécia será o resultado de outros países. A Europa não se pode dar ao luxo de mais um corte na dívida.

Se o "não" ganha, o governo tem o equivalente a novas eleições. Mas continua na estaca zero nas negociações. Se o "sim" ganha, acredito que o governo se demita. Não quererá o atrito de ter que gerir um país com austeridade, especialmente porque defendeu um plano diferente. Se sair, poderá usar a desculpa que tentou defender o país como pôde. Sai pela porta grande e atribui a si mesmo a capacidade moral de criticar os governos subsequentes. Ou então usa a desculpa do povo ter decidido e quando as coisas voltarem a correr mal volta novamente a esta situação.

Se há chantagem da Europa? Sem dúvida que há. Os governos estão a defender as suas economias mas especialmente os seus lugares. Se a Grécia tem muita corrupção? Tem. Mas muita gente beneficiou dela, incluindo os 'credores'. Claro que os do sul é que são os corruptos e preguiçosos:

Complicit in Corruption: How German Companies Bribed Their Way to Greek Deals

http://www.spiegel.de/international...bribed-their-way-to-greek-deals-a-693973.html

A união política da UE é um erro. A harmonização das regras comunitárias é um erro. No fim de contas, e mais cedo ou mais tarde, será utilizada para manter o status quo. A Europa do Norte produtora e a do Sul consumidora. É como os alemães, que não gostam de regras sobre a poluição atmosférica mais rígidas porque afeta a sua produção de carros:

http://www.bbc.com/news/world-europe-24532284

Se fosse um país fraco como Portugal a tentar proteger a sua produção haveriam gritos de anti-competitividade e ameaças de Bruxelas. Os alemães pré-escolheram o Juncker. Mas a narrativa oficial é que a Europa federal será a luz mundial de democracia e fraternidade num mundo podre. Quem sou eu para a disputar?

O Governo grego também cai no erro de culpar exclusivamente os outros. A economia paralela e a corrupção não são resolvidas. Mas o FMI também não é uma entidade impoluta. Para além da sua função económica tem uma função política.

Como resolver esse imbróglio? É muito difícil. Também não é justo que os contribuintes portugueses tenham de pagar mais impostos porque os gregos não pagaram os seus empréstimos. Se a Grécia não estivesse no Euro (ou outro qualquer país), o problema seria muito mais fácil de conter. E o problema grego também é francês e britânico. A seu tempo também terão problemas severos. Uma Europa federal só funcionará com orçamentos que não permitam défices. Eu cá aposto que não demorará muito até que os povos se comecem a queixar dos burocratas não eleitos de Bruxelas (já o fazem). O seu estilo autoritário não será diferente de agora. Este tópico é também muito interessante.

Quanto a líderes políticos, penso que as pessoas têm sentimentos contraditórios inconscientes sobre o autoritarismo. As circunstâncias encarregam-se de os despertar alternadamente. O autoritarismo é louvado porque é sinónimo de liderança e segurança. É especialmente exigido im/explicitamente pela população aquando de situações difíceis. De forma contraditória, esse mesmo autoritarismo é criticado quando se aplica internamente. O autoritarismo reflete-se na perda de liberdades e imposição de escolhas. Internamente, as pessoas exigem o processo mais lento e imprevisível da colaboração e democracia. Podem os dois estilos coexistir na mesma pessoa ou líder? Penso que não. A implementação de uma visão pessoal inevitavelmente chocará com os interesses dos demais. Como é que alguém pode ameaçar, coagir e forçar estrangeiros e conterrâneos para impor os seus interesses e ao mesmo tempo mostrar-se vulnerável mediante o processo democrático interno que ameaça terminar com o seu poder? O Putin da Rússia é um bom exemplo mas não termina aqui. Em alguns países da América Latina os limites constitucionais são alterados para permitir a perpetuação da mesma figura. E aí entra a criação de um inimigo externo e omnipresente que justifique a implementação de determinados objetivos. No mundo dito livre, esse papel está atribuído ao terrorismo islâmico. Ocidentais podem matar milhões de árabes. Não faz mal. Merecem. Se cair uma bomba num casamento, azar. Mas quando um árabe mata um ocidental são bárbaros e deve-se continuar a bombardear. Algumas figuras terroristas são mortas por acidente. Os ataques dos drones são indiscriminados. Obedecem a critérios gerais. Qual é a diferença entre as bombas barril do Assad e os drones? A exposição nas notícias.

Seria de esperar que a Europa fosse um pouco mais racional. Os ataques terroristas, excluindo o 11 de Setembro por razões óbvias, são irrelevantes tendo em conta o que o Ocidente fez, faz e continua a fazer no Médio Oriente.

Algo que não é propriamente novo:

The United States has blocked attempts by its Middle East allies to fly heavy weapons directly to the Kurds fighting Islamic State jihadists in Iraq, The Telegraph has learnt.

Some of America’s closest allies say President Barack Obama and other Western leaders, including David Cameron, are failing to show strategic leadership over the world’s gravest security crisis for decades.

They now say they are willing to “go it alone” in supplying heavy weapons to the Kurds, even if means defying the Iraqi authorities and their American backers, who demand all weapons be channelled through Baghdad.

...

But they are doing so with a makeshift armoury. Millions of pounds-worth of weapons have been bought by a number of European countries to arm the Kurds, but American commanders, who are overseeing all military operations against Isil, are blocking the arms transfers.

One of the core complaints of the Kurds is that the Iraqi army has abandoned so many weapons in the face of Isil attack, the Peshmerga are fighting modern American weaponry with out-of-date Soviet equipment.

...

The US has also infuriated its allies, particularly Saudi Arabia, Jordan and the Gulf states, by what they perceive to be a lack of clear purpose and vacillation in how they conduct the bombing campaign. Other members of the coalition say they have identified clear Isil targets but then been blocked by US veto from firing at them.

http://www.telegraph.co.uk/news/wor...directly-to-Kurds-to-fight-Islamic-State.html

O que seria de nós sem terrorismo islâmico com capacidade para atacar o ocidente? Os turcos devem estar entre os principais opositores. Algum do armamento destinado aos curdos iria parar ao seu território. A Rússia tem muitos negócios com a Turquia. Este país apenas quer ter acesso ao mercado comum. Poucas ou nenhumas semelhanças ou ligações significativas à Europa tem. Mas faz parte da OTAN. Os curdos têm mais vontade para combater do que os iraquianos. Poderiam absorver muito território rapidamente quer na Síria quer no Iraque. O governo iraquiano não ia gostar muito. O sírio também não. A situação pode ser facilmente percebida vendo isto:



Também deixo mais um artigo acerca dos emigrantes:

http://www.washingtonpost.com/blogs...hpModule_04941f10-8a79-11e2-98d9-3012c1cd8d1e

O mundo está-se encaminhando para a sua fase mais tumultosa de sempre. O declínio militar dos EUA está intimamente ligado à sua economia, mais concretamente às ajudas que compram aliados e garantem uma estabilidade mundial mínima. Egito, Paquistão e Israel serão 3 países que atravessarão fases críticas. Sem a ajuda militar e/ou económica, os dois primeiros atravessarão graves crises financeiras e tumultos internos. O 3º ficará bastante vulnerável face aos vizinhos. Prevejo guerras civis intermináveis no Iraque e Afeganistão. Relativamente ao Iraque, o Irão nunca deixará que o sul/governo caia. Os curdos tentarão ao máximo sobreviver e com o dinheiro do petróleo lá comprarão armas, mesmo de má qualidade. O oeste sunita, pobre e deprivado de petróleo, será um campo fértil de recrutamento. No Afeganistão, o Irão e o Paquistão apoiam os Talibã. Os EUA apoiam o governo. O controlo dos campos de ópio é o objetivo máximo. São a garantia de verbas sem qualquer tipo de supervisão.

Já aqui escrevi. O Irão irá ter a sua bomba (empatando e não acredito que venha a cumprir o seu acordo quando houver). A sua sobrevivência depende disso (da mesma maneira que Israel tem as suas). E os EUA já não têm liberdade de manobra para se meter em mais uma guerra. Israel só atacará o Irão sozinho em último caso. Sem a proteção americana arrisca-se a ter uma guerra aérea. Aliar-se-á aos países do Golfo? Os seus exércitos são muito atrasados em comparação. Por agora, Israel atravessa um momento mais tranquilo porque o Hezbolah está ocupado na Síria. O EI quer também eliminar o Hamas. Portanto, se formos a ver, Israel não tem interesse nenhum no término desta guerra. E não se importa que o EI ataque o Irão e afiliados. Claro que o EI não suporta Israel (há algum grupo militante islâmico que goste de Israel?). Mas um problema de cada vez.

PS: Tumultos no Egito farão com que o exército reforce a mão de ferro. Se a Irmandade Muçulmana voltar ao poder... Israel terá mais um inimigo declarado:

http://english.alarabiya.net/articles/2012/06/07/219272.html
 
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Para descontrair..

Se 'não' vencer, "a Grécia ficará entregue a si mesma"

É no mínimo de mau gosto, colocarem um anúncio de uma conhecida instituição de crédito, no meio de uma notícia sobre a Grécia. Deixo o link:
http://www.noticiasaominuto.com/economia/414872/se-nao-vencer-a-grecia-ficara-entregue-a-si-mesma

Até pode ser uma idéia para quem não tenha possibilidades de enviar donativos à Grécia (ou melhor, ao FMI), contraindo assim um empréstimo.

Correção: O anúncio não é estático, afinal, vai mudando mas sempre com instituições de crédito!
 
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