Política e economia internacional 2015

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https://twitter.com/reutersjamie
 
http://www.reuters.com/article/2015/06/27/us-eurozone-greece-idUSKBN0P40EO20150627

Grécia praticamente a declarar insolvência.

Depois da quebra de relações ontem após o governo grego ter convocado um referendo sobre a austeridade para 5 de Julho, os líderes europeus preparam-se para a saída da Grécia do Euro. Na Grécia, é a corrida aos bancos. E na Europa é a histeria dos governos, que não sabem o que fazer. E acham triste a ideia do referendo. Triste? Uma demonstração de democracia?

Perdi toda a minha esperança nestes líderes europeus, se é que ainda tinha alguma.

O caos começa. Este pode bem ser o momento Lehman Brothers 2, para a Europa.
Estou curioso por ver o quanto de choque financeiro serão os próximos dias. Os mercados vão reagir com alguma severidade pelo menos, e voltámos aos dias de 2008.

Já se sabia que a história iria acabar assim. Afinal era só imprimir dinheiro e exigir austeridade; estrangular os povos da Europa do sul até mais não, não achavam que as pessoas iriam mudar as intenções de voto? E a crise ainda só agora está a começar.

Hoje pode bem ser o início do fim do projecto Europeu. Vamos assistir aí a muita batatada financeira e política. Basta ver as intenções no Podemos na Espanha, no UKIP na Inglaterra, na Le Pen na França. Na Grécia é a incerteza do que irá acontecer. O povo está zangado e entre Syriza e Golden Dawn, vamos a ver o que acontece.

A Europa não será a mesma e a credibilidade nesta EU foi praticamente arrasada nestes últimos dias.

Vamos a ver, esperemos que isto não afecte muito Portugal, mas sinceramente não há boas expectativas face ao futuro europeu...as coisa estão a complicar-se... e nem sequer mencionei a crise dos migrantes e dos muçulmanos que parece nos estar a bater à Europa.
 
O referendo. Uma manobra do governo para tirar toda e qualquer culpa do capote. O bode espiatório da imposição de medidas. Por cá o PSD faz o mesmo. Na pré-crise pouco ou nada de diferente tinha feito. O Sócrates laranja da Madeira, o AJJ, é um bom exemplo. Ademais:

The majority of Greeks, 7 out of 10, choose to stay in the Eurozone at any cost, according to a latest opinion poll conducted by GPO.

http://greece.greekreporter.com/2015/06/16/poll-7-in-10-greeks-want-the-euro-at-any-cost/

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Discurso anti-contágio é treta. Mesmo que Portugal se safasse no primeiro ano, quando a economia começasse a encravar o precedente já estava aberto. O Teixeira dos Santos deve ser dos únicos, no campo político, a manter essa perspetiva. Quem não é anti-contágio é anti-patriota. Mas já é o costume nesse tipo de coisa.

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O projeto europeu vai bem. Esta crise grega até encaixa-se bem nos planos. A soberania dos países é a culpada. Há que haver centralização. Lá fora é tudo esperto. O ministro das finanças da UE é o ex-ministro das finanças de França. Não quis multar o seu próprio país por não cumprir as metas orçamentais. Isso seria passar uma nota de incompetência ao seu próprio trabalho. Mas lá fora é tudo mais inteligente e competente.

O dinheiro digital, que virá mais cedo ou mais tarde, anda de mãos dadas com o que escrevi anteriormente. A fuga fiscal dos cidadãos 'normais' é que é preocupante. Os biliões em paraísos fiscais são inócuos. Perguntem ao Juncker. Ele dirá isso.

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A crise. Dizer que os países gastaram de mais, está incorreto. Na Europa há duas crises. A primeira, vinda dos states, foi no setor privado (bancos). Os países tiveram que absorver a mossa de salvar os bancos e cumprir as suas obrigações sociais. Em 2011, sem surpresa, chega a crise soberana. E daí ainda não saímos. Em 2008 a dívida da Alemanha era de 64.9%. Em 2011 era de 80.3%. Em 2015 é de 74.7% mesmo com todos os excedentes comerciais recorde. O país mais rico da Europa teve um aumento brutal da dívida entre 2008 e 2011.

http://www.tradingeconomics.com/germany/government-debt-to-gdp

Isto serve para muito comentador nacional que põe exclusivamente a culpa da bancarrota de Portugal no Sócrates. Ele não é inocente. Mas não é o total culpado. Por fim, e para ilustrar a loucura da dívida que existe no mundo, deixo este gráfico. A crise coincide com o única queda abrupta do crédito nos EUA. Dinheiro é criado através do crédito. Crédito é dinheiro mais juros. Dinheiro é criado quando dívida é criada. Para se pagar os juros, outros têm que criar dinheiro, ou seja, adquirir dívida:

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As nações absorveram o excesso de dívida privada. E é o excesso de dívida privada que impede uma recuperação mais rápida. As pessoas têm que pagar as suas dívidas e as dívidas dos países. Novo crédito tem que estar permanentemente a ser criado para pagar crédito antigo (devido aos juros). O crédito não pode parar de aumentar. Quando o crédito para... crises acontecem.

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Última edição:
Li ontem um artigo num jornal inglês onde dizem preto no branco que o Chipre não é um país da Europa, pois eu acrescento que a Grécia também não é um país europeu no sentido de Europa Ocidental. A cultura dos gregos é mais próxima do Oriente, eles são Ortodoxos tal como os russos e essas sociedades têm um atraso cultural e social em relação aos católicos e aos protestantes. Para além disso os gregos tiveram lá os otomanos durante muitos século, durou até ao século XIX, a Grécia é um país recente com instituições muito débeis e nunca foi visto como um país muito viável. Entraram na CEE por questões geoestratégicas durante a guerra fria, e recordo que eles fizeram muita pressão para que Portugal e Espanha não entrassem.

Os gregos gastam mais de 17% do PIB em pensões, nós gastamos cerca de 14% e ainda assim estamos acima da média da UE, o salário mínimo na Grécia é mais elevado que o nosso, as pensões são mais elevadas, os impostos mais baixos, a Igreja Ortodoxa tem um poder desmesurado, há muitos monopólios e oligarquias. Do ponto de vista teórico a crise grega tem solução fácil, é reduzir os gastos pondo-os ao nível do que o país pode pagar, cortando nas pensões e no funcionalismo, e melhorar a máquina fiscal, que é muitíssimo atrasada em relação à portuguesa. Assim o país reduziria a dívida pública para valores sustentáveis em algumas décadas.

O Syriza é o equivalente a uma mistura do nosso BE com o Livre, o PCP e parte do PS, querem arranjar maneira de tirar a Grécia do euro e da UE. O Tsipras é um radical que deteste o Ocidente, a NATO, Bruxelas, é um malabarista mafioso que anda a fazer teatro para tirar a Grécia do euro atirando as culpas para o FMI e para a Alemanha. Nenhum país tem recebido tantas ajudas como a Grécia, quando Portugal entrou na CEE exigiram dinheiro, levaram há uns anos com um perdão de dívida, tinham juros mais baixos que nós e agora teriam um plano muito generoso dado o descalabro que armaram. Querem parasitar o resto da Europa, pois eu espero bem que sejam corridos a pontapé.
 
Li ontem um artigo num jornal inglês onde dizem preto no branco que o Chipre não é um país da Europa, pois eu acrescento que a Grécia também não é um país europeu no sentido de Europa Ocidental. A cultura dos gregos é mais próxima do Oriente, eles são Ortodoxos tal como os russos e essas sociedades têm um atraso cultural e social em relação aos católicos e aos protestantes. Para além disso os gregos tiveram lá os otomanos durante muitos século, durou até ao século XIX, a Grécia é um país recente com instituições muito débeis e nunca foi visto como um país muito viável. Entraram na CEE por questões geoestratégicas durante a guerra fria, e recordo que eles fizeram muita pressão para que Portugal e Espanha não entrassem.

Os gregos gastam mais de 17% do PIB em pensões, nós gastamos cerca de 14% e ainda assim estamos acima da média da UE, o salário mínimo na Grécia é mais elevado que o nosso, as pensões são mais elevadas, os impostos mais baixos, a Igreja Ortodoxa tem um poder desmesurado, há muitos monopólios e oligarquias. Do ponto de vista teórico a crise grega tem solução fácil, é reduzir os gastos pondo-os ao nível do que o país pode pagar, cortando nas pensões e no funcionalismo, e melhorar a máquina fiscal, que é muitíssimo atrasada em relação à portuguesa. Assim o país reduziria a dívida pública para valores sustentáveis em algumas décadas.

O Syriza é o equivalente a uma mistura do nosso BE com o Livre, o PCP e parte do PS, querem arranjar maneira de tirar a Grécia do euro e da UE. O Tsipras é um radical que deteste o Ocidente, a NATO, Bruxelas, é um malabarista mafioso que anda a fazer teatro para tirar a Grécia do euro atirando as culpas para o FMI e para a Alemanha. Nenhum país tem recebido tantas ajudas como a Grécia, quando Portugal entrou na CEE exigiram dinheiro, levaram há uns anos com um perdão de dívida, tinham juros mais baixos que nós e agora teriam um plano muito generoso dado o descalabro que armaram. Querem parasitar o resto da Europa, pois eu espero bem que sejam corridos a pontapé.



Muito boa analise , subscrevo inteiramente .

Só resta acrescentar que um partido da esquerda radical que , mal se apanha com o tacho , se coliga com a direita radical , perde qualquer credibilidade .

E um governo sem qualquer sentido de responsabilidade e sem quaisquer idéias .

Se querem experimentar a pobreza a serio , forca , desaparecam que já se faz tarde .

Já nao ha pachorra para esta novela mexicana inventada pelo syrisa .
 
Para começar, deviam haver eleições na Grécia. O Syriza quer a permissão do povo para ir contra o seu programa eleitoral.

Se o BCE corta o financiamento os bancos gregos não há outra solução se não imitar o Chipre, aquela solução que só iria ser usada uma vez (se bem que os depósitos são cada vez menores). Os bancos europeus já se safaram da dívida (não é para isso que servem os empréstimos do FMI?):

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As of the latest available data (September 2014), euro area banks’ exposures to Greece amounted to 96.6 million for Austria, 29.4 million for Belgium, 1368 million for France, 10203 million for Germany, 55.9 million for Ireland, 800 million for Italy, 923 million for the Netherlands, 263 million for Portugal and 301 million for Spain.

http://www.bruegel.org/nc/blog/detail/article/1557-whos-still-exposed-to-greece/

Quanto aos mercados... estou dividido. Penso que está tudo muito embriagado com o QE e com a mentira que de que não haverá contágio. Alguma turbulência, sim. Mas se nem a 'iminente invasão russa' fez mossa (grande) nos mercados... não acredito que faça agora.

Acho piada a movimentos de secessão e vontade de expulsar países. Temos o RU que ameaça sair da UE para obter mais regalias mas entra em pânico quando a Escócia faz o mesmo. Os espanhóis também não têm muita moral. Tudo têm feito para calar a dissidência basca.

Termino a minha intervenção relativamente à hipocrisia com um segmento recorrente:

The world will be unable to fight the next global financial crash as central banks have used up their ammunition trying to tackle the last crises, the Bank of International Settlements has warned.

The so-called central bank of central banks launched a scatching critique of global monetary policy in its annual report. The BIS claimed that central banks have backed themselves into a corner after repeatedly cutting interest rates to shore up their economies.

These low interest rates have in turn fuelled economic booms, encouraging excessive risk taking. Booms have then turned to busts, which policymakers have responded to with even lower rates.

http://www.telegraph.co.uk/finance/...inst-the-next-financial-crisis-warns-BIS.html

Quem são os diretores?

The BIS Board of Directors 1

Chairman: Christian Noyer, Paris

Mark Carney, London
Agustín Carstens, Mexico City
Jon Cunliffe, London
Andreas Dombret, Frankfurt am Main
Mario Draghi, Frankfurt am Main
William C Dudley, New York
Stefan Ingves, Stockholm
Thomas Jordan, Zurich
Klaas Knot, Amsterdam
Haruhiko Kuroda, Tokyo
Anne Le Lorier, Paris
Fabio Panetta, Rome
Stephen S Poloz, Ottawa
Raghuram Rajan, Mumbai
Jan Smets, Brussels
Alexandre A Tombini, Brasília
Ignazio Visco, Rome
Jens Weidmann, Frankfurt am Main
Janet L Yellen, Washington
Zhou Xiaochuan, Beijing

Por outro lado...

"El QE está funcionando bien". El presidente del Banco Central Europeo (BCE), Mario Draghi, defendió su política monetaria hoy en rueda de prensa tras la reunión en la que institución ha mantenido los tipos de interés en el 0,05%. Eso sí, el italiano advirtió de que "los mercados tendrán que acostumbrarse a periodos de una volatilidad mayor".

http://www.eleconomista.es/economia...s-tipos-de-interes-en-el-minimo-del-005-.html

A encruzilhada é tramada. Juros baixos levam a défices nos fundos de pensões, especulação em setores não produtivos e não aumentam a procura na economia. Juros altos levarão à falência da UE e dos seus cidadãos. Como sair disto? Não vai ser nem giro nem fácil. O colapso argentino dá uma ideia do que se pode passar.
 
Um bom gráfico no relatório do BIS. As subidas mais abruptas da dívida mundial ocorreram em... 2008 e 2011:

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A cultura dos gregos é mais próxima do Oriente, eles são Ortodoxos tal como os russos e essas sociedades têm um atraso cultural e social em relação aos católicos e aos protestantes. Para além disso os gregos tiveram lá os otomanos durante muitos século, durou até ao século XIX, a Grécia é um país recente com instituições muito débeis e nunca foi visto como um país muito viável. Entraram na CEE por questões geoestratégicas durante a guerra fria, e recordo que eles fizeram muita pressão para que Portugal e Espanha não entrassem.

A Grécia tem 2 mil anos. Os otomanos foram uma civilização avançada até no domínio das matemáticas. Não tinham as restrições de pensamento que a igreja de roma pregou. Relembro que o tribunal do santo ofício só foi extinto em Portugal em março de 1821.
 
O Syriza é o equivalente a uma mistura do nosso BE com o Livre, o PCP e parte do PS, querem arranjar maneira de tirar a Grécia do euro e da UE. O Tsipras é um radical que deteste o Ocidente, a NATO, Bruxelas, é um malabarista mafioso que anda a fazer teatro para tirar a Grécia do euro atirando as culpas para o FMI e para a Alemanha. Nenhum país tem recebido tantas ajudas como a Grécia, quando Portugal entrou na CEE exigiram dinheiro, levaram há uns anos com um perdão de dívida, tinham juros mais baixos que nós e agora teriam um plano muito generoso dado o descalabro que armaram. Querem parasitar o resto da Europa, pois eu espero bem que sejam corridos a pontapé.

Eu espero que o Syriza abra as suas fronteiras e dê passaporte europeu às centenas de milhares de africanos e asiáticos que querem entrar na alemanha, frança e inglaterra. Estes países têm leis para expulsar desempregados. Vamos ver como vão reagir as sociedades racistas desses países perante a realidade dos milhares de foragidos das guerras que fazem a milhares de quilómetros de casa.

Olho por olho, dente por dente.
 
Eu espero que o Syriza abra as suas fronteiras e dê passaporte europeu às centenas de milhares de africanos e asiáticos que querem entrar na alemanha, frança e inglaterra. Estes países têm leis para expulsar desempregados. Vamos ver como vão reagir as sociedades racistas desses países perante a realidade dos milhares de foragidos das guerras que fazem a milhares de quilómetros de casa.

Olho por olho, dente por dente.
Mandam-nos pa Grécia e eles que se amanhem.
 
Lê o post dele e depois percebes.

O problema da imigração não é só na Grécia. Há Itália e os países de Leste (a parede da Hungria é o melhor exemplo). Em Espanha não se vê disso porque espanhóis e marroquinos dão porrada neles em Marrocos. Alemães, franceses e britânicos não têm outra opção se não ajudarem. É para lá que os imigrantes querem ir. Algum dia vai haver uma tragédia em Calais se houver alguma revolta dos imigrantes. As fronteiras terrestres serão sempre as mais permeáveis. E o percurso Turquia-Grécia-Balcãs já devia ser alvo de fiscalização mais apertada. Eu sou a favor de uma fiscalização fronteiriça parcial. Do género das operações Stop. Paragens aleatórias. Não acho que causasse grande alarido económico e haveria muito mais segurança do que há agora. Os países mais pobres e ineficientes (Balcãs) são portas abertas para todo o tipo de problemas. E quanto mais a leste as fronteiras abrirem pior será.
 
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