Bom, chegou o dia do referendo...
A margem da vitória será importante. Se o 'Remain' ganhar por pouco as tensões continuarão a ser grandes. Contudo, já escrevi que na perspetiva geral será indiferente. A força motriz da insatisfação europeia é a estagnação/degradação económica. Isso não vai desaparecer. A reação ao separatismo é a integração à força o que não faz nada mais que fortalecer o primeiro movimento.
Como já é habitual abundam os artigos de opinião utópicos sobre a UE. Alegadamente a UE tem que ser menos burocrática e liberal. Cá vai uma dose de realismo: Todos os governos são burocráticos. E quando se tenta formar um governo europeu que unirá governos já de si burocráticos realisticamente não se pode esperar muita liberdade. As leis de cada país refletem, em parte, a sua cultura. Quando se tenta homogenizar as leis, está-se a homogenizar as culturas. Novamente, é o tal marxismo cultural que é em geral ferozmente criticado mas ignorado quando não é conveniente.
O projeto europeu está acima dos interesses individuais e nacionais (o que não necessariamente bom). Já escrevo isto há muito tempo. Mas pessoas pensam que a UE será uma instituição independente e benevolente. Pergunto eu: Há governos independentes? E é mesmo preciso responder à pergunta anterior?
Prime Ministers must stop listening so much to their voters and instead act as “full time Europeans”, according to Jean-Claude Juncker.
Elected leaders are making life “difficult” because they spend too much time thinking about what they can get out of EU and kowtowing to public opinion, rather than working on “historic” projects such as the Euro, he said.
http://www.telegraph.co.uk/news/201...ten-too-much-to-voters-complains-eus-juncker/
Há 20 anos se houvesse um político europeu proeminente a dizer que as opiniões dos votantes (e por extensão a democracia direta) são problemáticas isto seria alarmante. A UE seria automaticamente categorizada como fascista. Mas são sinais dos tempos. Do outro lado do Atlântico, fez-se uma peça humorística que aborda exatamente isso:
Quem acha que a UE irá fechar as suas fronteiras, incluindo à Turquia está-se a enganar. A UE precisa da Turquia. A Turquia é o estado-tampão entre a UE e o mundo islâmico. Não é europeu mas está na OTAN. A UE não pode deixar que a Turquia se radicalize. Mas também não a pode deixar no limbo indefinidamente nem a rejeitar porque isso pode acelerar a sua radicalização (já se assiste com o Erdogan).
Paralelamente aos problemas económicos há os demográficos:
It isn’t exactly a secret: White Americans are declining as a percentage of the whole. But, while
some predictions say that whites are on track to be a minority in the United States in the next 30 years, a new analysis of Census figures out Thursday found that the non-Hispanic white population has already dropped below 50 percent in hundreds of counties across the nation.
When Will Minorities Become The Majority In The US? It's Already Happening In Counties Across The Nation
http://www.ibtimes.com/when-will-mi...eady-happening-counties-across-nation-2385884
O partido republicano dos EUA tem duas opções. Adotar uma postura mais benevolente para com as minorias que se estão a tornar na maioria ou radicalizar-se ainda mais (que já se vê). Quando se perde a dominância demográfica, perde-se a dominância cultural (e por extensão a legislativa).
Paralelamente, isto acontece o mesmo na Europa. A mudança demográfica trará uma mudança cultural com todos os inevitáveis conflitos que isso acarreta. Estamos ainda nos princípio do choque cultural. A população europeia ainda vai envelhecer mais.
Concluo, repetindo isto até à exaustão: Votar em Bremain é ser marxista cultural e votar num projeto assumidamente fascista. A economia, demografia, política e a cultura estão todas interligadas.