Sem dúvida, o populismo em Portugal reside nessa ala política de esquerda ( atenção, digo populismo organizado, pois na direita também há populismo, mas que neste momento não tem organização que preocupe) .
A geringonça tem tido sorte, pois as lideranças de PSD e CDS ( vá lá saber - se porquê) desapareceram em combate.
Quando Nuno Melo quiser aparecer, aí sim, vai acabar - se o sossego da mesma, pois Nuno Melo tem uma capacidade de retórica e um discurso " agressivo ", penso que neste momento, único na direita. Que está muito amansada ( vá lá também saber - se porquê) e a deixar a esquerda cavalgar as suas ideias.
Dantes as pessoas de esquerda diziam que os partidos de esquerda faziam o jogo da direita, hoje digo que a direita faz o jogo da esquerda.
Desde que Paulo Portas se tornou líder do CDS que houve progressivamente uma descaracterização do Partido, e da direita em Portugal e é ai que digo que a direita faz o jogo da esquerda.
Em Portugal confunde-se muito neo-liberalismo com a direita, quando na pratica a ideologia que sustenta actualmente o CDS e o PSD são ideologias próximas da esquerda de outros países, como exemplo os EUA, a França ou o RU, são ideologias neo-liberais muito próximas da tecnocracia de Bruxelas.
Actualmente Portugal além dessa ideologia neo-liberal estar a mirrar porque com tudo isto, o discurso do PSD e do CDS pode começar a ficar esgotado, pois a própria UE terá outras prioridades bem mais urgentes que andar a discutir sanções por causa das décimas do défice excessivo de um pais como Portugal, ou seja, como a ideologia do PSD e CDS sustentou-se apenas e somente nisso, quando isso desaparecer ficará um vazio ideológico, logo de narrativa.
Hoje o eleitor português só tem uma direita como opção a direita neo-liberal, enquanto na esquerda, o eleitor tem vários tipos de esquerda, varias opções de esquerda para escolher. Isto cria um vazio que pode ser preocupante, pois poderá aparecer de repente um movimento qualquer populista que preenche esse vazio, se bem que em Portugal como o poder está muito centralizado numa só cidade, numa só imprensa, em interesses económicos também centralizados é um pouco difícil esses fenómenos surgirem pois á difícil algo ou alguém os patrocinar, temos um regime muito feudal, muito colonial nesse aspecto, onde o Poder está mesmo concentrado numa burguesia de esquerda ou numa direita direita neo-liberal e uma outra direita de cidadãos muito próxima até das elites de esquerda como é o caso dos dinossauros políticos tipo Bagão Felix ou Ferreira Leite ou Santana Lopes, ou os independentes Rui Rio ou Rui Moreira que se aproximam até mais do PS que do próprio PSD.
Mas o vazio na direita está lá, não existe uma representação de uma parte da população portuguesa, é impensável que num pais como Portugal nem uma direita mais ou menos conservadora mais ou menos euro-céptica, que não utilize o discurso do BE relativo aos migrantes ou refugiados( sem que seja xenófoba exista).
Por exemplo o tema do drama dos refugiados é um tema em Portugal totalmente monoteísta e todos sabemos inclusive o CDS, o Presidente da Republica, a esquerda que não é representativo da população, ou seja, em Portugal neste tema não existe pluralidade ou representação da vontade popular, pois todos os partidos dizem exactamente o mesmo e defendem exactamente o mesmo, o que não representa o sentimento da população portuguesa sobre este tema tornado o discurso até um pouco anacrónico. Já que o BE gosta de referendos poderiam referendar se os portugueses querem ou não querem o aumento das cotas de refugiados, se os portugueses querem ou não querem receber o dobro ou triplo do numero de refugiados que a UE nos impôs, esse referendo seria legitimo, mas ninguém o fará pois sabem que o mais certo é que perderiam e ficaria a descoberto que esta questão divide a sociedade portuguesa e ao contrário que os Partidos e Media dizem não é consensual no Povo português.
A questão aqui é que a Europa está a mudar com uma velocidade estrondosa, a própria direita europeia está a mudar, e esta direita portuguesa poderá ficar anacrónica, e não se aguentará, quase que aposto que se isto continuar, o CDS sofrerá grandes alterações nos próximos anos, e será forçado a ter um outro enquadramento que dê voz a uma direita que em Portugal está a ser negligenciada, não falo em xenofobia, em fascismo, para isso existe o PNR como existe o MRPP na esquerda, falo numa direita conservadora, que se destinge do neo-liberalismo, que em questões por exemplo do tema dos refugiados se demarque da posição quase unilateral existente em Portugal, uma direita que defenda mais o pais real e popular.
Por exemplo certos CDSs dos anos 80 e 90 de certeza que não estariam neste vazio e limbo ideológico.