Seguimento Meteorológico Livre - 2026

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A Kristin agora tem as "costas largas"...
Realmente. A Kristin em termos de precipitação nem resultou em acumulados excecionais, pior foi mesmo o vento. Considerando os solos saturados, claro que a chuva que lhe veio associada deu origem às subidas dos caudais, mas isso agora daqui em diante vai sendo o habitual sempre que chove, mesmo sendo poucas horas.

E tal como é preocupante quando estamos em seca, também é preocupante o cenário dos modelos que não param de prever acumulados muito elevados. Acima das 240h está a acontecer o inverso de quando estamos em período seco: surge o anticiclone a longa distância, mas acaba por se esfumar logo a seguir. :huhlmao:

Só o ECMWF prevê quase 150mm para aqui entre 1 e 8 de fevereiro, praticamente a normal de Elvas para o trimestre Janeiro-Março que é de 160mm. Já não se consegue "segurar" a água em lado nenhum, portanto o cenário não vai ser fácil na próxima semana em todo o território se isto realmente se vier a concretizar.

Gosto muito de chuva, mas tal como noutros aspetos, temos de reconhecer que já começa a ser extremo.
 
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Realmente. A Kristin em termos de precipitação nem resultou em acumulados excecionais, pior foi mesmo o vento. Considerando os solos saturados, claro que a chuva que lhe veio associada deu origem às subidas dos caudais, mas isso agora daqui em diante vai sendo o habitual sempre que chove, mesmo sendo poucas horas.

E tal como é preocupante quando estamos em seca, também é preocupante o cenário dos modelos que não param de prever acumulados muito elevados. Acima das 240h está a acontecer o inverso de quando estamos em período seco: surge o anticiclone a longa distância, mas acaba por se esfumar logo a seguir. :huhlmao:

Só o ECMWF prevê quase 150mm para aqui entre 1 e 8 de fevereiro, praticamente a normal de Elvas para o trimestre Janeiro-Março que é de 160mm. Já não se consegue "segurar" a água em lado nenhum, portanto o cenário não vai ser fácil na próxima semana em todo o território se isto realmente se vier a concretizar.

Gosto muito de chuva, mas tal como noutros aspetos, temos de reconhecer que já começa a ser extremo.
É chamada lei do retorno, o que pedimos durante 3 anos, chegou agora. :D:lol:
 
É chamada lei do retorno, o que pedimos durante 3 anos, chegou agora. :D:lol:
Acaba sempre por vir, só não se sabe quando. É como tudo. :D
Pode-se estar 10 ou mais anos sem chover algo de jeito e depois vir um cenário destes. É cada vez mais 8 ou 80.

No entanto, apesar de muita chuva, não estamos naquele padrão em que as depressões descem mais em latitude, vindas de Sul ou Sudoeste como ocorreu em 2010 ou noutros anos bastante chuvosos.
A Madeira, por exemplo, não tem tido muita precipitação. E mesmo nos Açores, as principais estações vão terminar janeiro abaixo da média.

Para já, parece mais uma sinóptica parecida ao inverno de 2016, mas com a precipitação a descer mais em latitude não havendo assimetrias tão significativas entre o Norte e o Sul.
 
Última edição:
Agora que o recorde nada invejável do vento do continente se afasta um bocadinho dos Açores, só o reduzido tamanho/dispersão das ilhas/anterior má cobertura das estações tem impedido a reconquista do primeiro lugar (ou a sua retenção).

Este ciclone, por culpa do IPMA, continua a ser um desnecessário mistério. 176qph de rajada máxima em StM... a estação continuou a funcionar? Em que ilhas nem havia estação? Tanta coisa por saber.

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Última edição:
Hoje surgiu-me uma curiosidade, que penso que os mais entendidos saberão responder, o que aconteceu ao nosso amigo anticiclone, o que nos tem originado estes dias a fio de chuva?

Enviado do meu 2312DRA50G através do Tapatalk
Não sou o maior conhecedor mas pelas últimas noticias que tive ele está de férias para os lados das caraíbas e deixou-nos com a fava...não está fácil o seu regresso, mas os nostálgicos saudosistas como eu aguardam o seu regresso a partir de meados do próximo mês... mesmo que seja de uma forma tímida e progressiva.

Alguém saberá explicar melhor e corrigir-me-á caso tenha proferido alguma barbaridade :)
 
Não sou o maior conhecedor mas pelas últimas noticias que tive ele está de férias para os lados das caraíbas e deixou-nos com a fava...não está fácil o seu regresso, mas os nostálgicos saudosistas como eu aguardam o seu regresso a partir de meados do próximo mês... mesmo que seja de uma forma tímida e progressiva.

Alguém saberá explicar melhor e corrigir-me-á caso tenha proferido alguma barbaridade :)
Foi para as Bermudas... Anticiclone querido, volta para casa, juro que não te volto a chamar Antílope (pelo menos até voltarmos a estar em seca)
 
Hoje surgiu-me uma curiosidade, que penso que os mais entendidos saberão responder, o que aconteceu ao nosso amigo anticiclone, o que nos tem originado estes dias a fio de chuva?

Enviado do meu 2312DRA50G através do Tapatalk
Este padrão atmosférico está a ser provocado pelo facto do Jet-stream (corrente de jato) estar mais a sul do que o habitual e, portanto, conecta diretamente a Península Ibérica com os Estados Unidos onde, por norma, surgem as grandes tempestades de inverno.
Esta corrente de jato mais a sul do que normal também "puxa" o ar húmido do Golfo do México até à Península Ibérica dando assim origem a este padrão chuvoso.

Cá está ele:

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O anticiclone anda ali pela zona da Madeira e das Canárias, onde a corrente de jato não tem grande impacto. Para já os modelos não mostram que o jet-stream suba em latitude tão cedo e desta forma, o anticiclone continuará por aquelas paragens, mantendo-se este padrão. É preocupante devido aos solos saturados e ao facto de estar tudo cheio? Sim, mas não podemos fazer nada.
 
Última edição:
Este padrão atmosférico está a ser provocado pelo facto do Jet-stream (corrente de jato) estar mais a sul do que o habitual e, portanto, conecta diretamente a Península Ibérica com os Estados Unidos onde, por norma, surgem as grandes tempestades de inverno.
Pois, penso que o problema está aí.

Estamos em guerra.

Começou por aqui..
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Depois temos isto..
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E depois vem a resposta..
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Sting Jet?

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Think again...
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Agora aguentem-se.


Vá, não levem a mal a brincadeira :hehe:
 
No meio de tanta destruição, prejuízos enormes e, infelizmente, perdas de vidas humanas, há uma ideia que custa a sair da cabeça: isto podia ter sido muito pior se tivesse acontecido de dia. Com pessoas na rua, trânsito, escolas abertas, obras, praias, estradas cheias… o risco teria sido incomparavelmente maior.
E há um detalhe curioso que muitos já repararam: as tempestades mais graves dos últimos anos, por pura sorte, aconteceram quase todas de noite. Não elimina os danos nem o perigo, claro, mas ter a maioria das pessoas em casa e menos circulação terá evitado ainda mais tragédias.
A tempestade Kristin (2026) teve o seu pico durante a madrugada de 28 de janeiro. O Leslie (2018) entrou pelo país já de noite, com o pior a acontecer perto das 23h. A depressão Martinho (2025) foi mais violenta entre a meia-noite e o início da manhã. A tempestade Cláudia (2025) agravou-se ao final da tarde e durante a noite de 15 de novembro. E a depressão Gong (2013) também teve o período mais crítico durante a noite de 18 para 19 de janeiro.
Não é para desvalorizar o que aconteceu, longe disso. Mas é impossível não pensar que, se algum destes eventos tivesse coincidido com horas de maior atividade, o número de vítimas podia ter sido bem mais elevado. Um lembrete de como estamos expostos a estes fenómenos e da importância dos avisos meteorológicos — mesmo quando “só” parece mais uma noite de mau tempo.
Talvez por o país ter muito poucos eventos destes, extremos, há o resultado de uma cultura de risco ridícula. O último evento extremo foi há já oito anos (Leslie). Obviamente que com o passar dos tempos tudo cai um pouco no esquecimento. E adia-se tudo. Vinha hoje a ouvir na Antena 1, a falarem de como é possível nem nas rádios locais estarem a falar sobre os riscos da Kristin, a incentivar a medidas de proteção. As mensagens no telemóvel foram do mais básico possível. Nem simples medidas básicas (como tirar o carro de zonas com árvores, proteger portas ou janelas), ou salientar mesmo "risco sério à vida". Sei que falar depois é fácil, mas foram inúmeros os meteorologistas amadores por essas redes sociais fora a alertar para o risco extremo da situação, e que era algo fora do comum. Hoje em dia essas páginas tem um papel importante. Pode por vezes haver alarmismo a mais mas pelo menos fazem chegar a mensagem a muita gente e são muito coesos na comunicação. A comunicação do IPMA é extremamente pobre. Ou pelo menos tem pouco impacto. Infelizmente a meteorologia também não tem presença na TV, falta gente influente e carismática a falar sobre o tema. Talvez o nosso membro André do Tempo chegue lá um dia, e seja o novo Anthímio de Azevedo. :D

Ainda hoje me lembrei daquele episódio de Fevereiro de 2014 em que passou também uma depressão com ventos muito fortes na região Centro, em dia de derby na Luz, e que em pleno aviso vermelho o jogo decorreu como se nada fosse. Resultado, não houve vitimas nesse dia por muito pouco, desfez a cobertura do estádio toda, com mais de 60 mil pessoas. Hoje em dia creio que a cultura de risco pelo menos já aumentou ligeiramente. Creio que não se repetiria tal coisa, mas nunca se sabe.
 
Talvez por o país ter muito poucos eventos destes, extremos, há o resultado de uma cultura de risco ridícula. O último evento extremo foi há já oito anos (Leslie). Obviamente que com o passar dos tempos tudo cai um pouco no esquecimento. E adia-se tudo. Vinha hoje a ouvir na Antena 1, a falarem de como é possível nem nas rádios locais estarem a falar sobre os riscos da Kristin, a incentivar a medidas de proteção. As mensagens no telemóvel foram do mais básico possível. Nem simples medidas básicas (como tirar o carro de zonas com árvores, proteger portas ou janelas), ou salientar mesmo "risco sério à vida". Sei que falar depois é fácil, mas foram inúmeros os meteorologistas amadores por essas redes sociais fora a alertar para o risco extremo da situação, e que era algo fora do comum. Hoje em dia essas páginas tem um papel importante. Pode por vezes haver alarmismo a mais mas pelo menos fazem chegar a mensagem a muita gente e são muito coesos na comunicação. A comunicação do IPMA é extremamente pobre. Ou pelo menos tem pouco impacto. Infelizmente a meteorologia também não tem presença na TV, falta gente influente e carismática a falar sobre o tema. Talvez o nosso membro André do Tempo chegue lá um dia, e seja o novo Anthímio de Azevedo. :D

Ainda hoje me lembrei daquele episódio de Fevereiro de 2014 em que passou também uma depressão com ventos muito fortes na região Centro, em dia de derby na Luz, e que em pleno aviso vermelho o jogo decorreu como se nada fosse. Resultado, não houve vitimas nesse dia por muito pouco, desfez a cobertura do estádio toda, com mais de 60 mil pessoas. Hoje em dia creio que a cultura de risco pelo menos já aumentou ligeiramente. Creio que não se repetiria tal coisa, mas nunca se sabe.
Concordo, mas também acho que o IPMA precisa de mais estrutura e financiamento, sangue novo, e comunicar de outra forma. O próprio site está igual há décadas?, precisa de uma atualização bem grande mas os meteorologistas não são web designers.

Pode ser que com a nova Ocean Campus em Oeiras alguma coisa mude, novas instalações são bem vindas. Agora, a parte atmosférica, precisa do dobro do esforço. A nomeação de tempestades facilita imenso a comunicação à população, mas por outro lado falha na redundância que é acontecerem 4 tempestades numa semana só, por exemplo, temos 4 nomes numa semana. As pessoas, claramente, deixam de levar tanto a sério. Sei que só alertas laranja ou acima levam a nomeação de tempestades, mas até que ponto isso faz sentido numa situação de rio atmosférico "severo", e.g. não afeta só o Minho desta vez.

Será provavelmente o Inverno mais chuvoso do século para o território, ficará para a memória de milhões, por boas e por más razões.
Agora que os maiores rios se aguentem dentro dos leitos de cheia, não acho isso alarmante. É preciso é haver capacidade de encaixe nas barragens, a Agueira e o Cabril não podem estar acima dos 80% e isso está a acontecer.