Seguimento Rios e Albufeiras - 2019

Tópico em 'Seguimento Meteorológico' iniciado por Ricardo Carvalho 2 Jan 2019 às 17:28.

  1. JPAG

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    Cumulus

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    Como tinha referido anteriormente no fórum, Vila Viçosa tem sido um dos municípios do sul do país a sofrer de forma agravada com a seca.

    Este comunicado*(ver link) por parte da Câmara Municipal de Vila Viçosa vem com cerca de 1 a 2 meses de atraso, altura em que começou a ser notado um enfraquecimento (e grandes falhas) no abastecimento da rede pública. É ridículo o tempo que demorou a haver um esclarecimento por parte da entidade camarária!!

    Por norma, entre as 7:30h e as 9h costuma haver água, entre as 12:30h e as 14h também e entre as 19h e as 21h também. Nas restantes horas do dia costuma variar entre a pressão baixa (difícil para pisos superiores a +1) e a falta total de água, dependendo do fluxo de água utilizado pela população e os níveis em que os depósitos se encontram... na zona alta da vila a situação também é bem mais complicada que as zonas mais baixas.
    Naturalmente os hábitos de cada família tiveram que se adaptar, dentro dos possíveis, a esta nova realidade!

    Por vezes penso que seria bom isto acontecer a toda a população portuguesa durante uns dias para a maioria dos portugueses perceberem o que é abrir a torneira quando é preciso sabendo que a água não é um bem infinito... Como se costuma dizer: "dar por adquirido aquilo que não é" ;)

    Nunca gastei muita água de forma "exagerada", mas assumo que por vezes excedia-me na duração dos duches. Hoje em dia acho que aprendi com esta "lição de vida".. certamente demoro metade do tempo que demorava anteriormente nalguns banhos. Ao contrário do que se diz muito por aí, é na atitude que cada um toma no dia a dia que as mudanças têm que ser feitas ;)

    *
    https://www.radiocampanario.com/ult...ume-do-abastecimento-de-agua-para-a-populacao
     
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  2. joralentejano

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    Seca e parasitas estão a matar os peixes do rio Guadiana
    [​IMG]

    O cenário é desolador nas margens do rio Guadiana, junto à Ponte da Ajuda, que liga Elvas e Olivença, no limite da albufeira de Alqueva, onde peixes mortos se vão avolumando, sucumbindo aos nefastos efeitos da seca extrema.
    o resultado de um caudal à míngua de água e de elevadas temperaturas, que propiciam ainda condições ao desenvolvimento de cianobactérias que estão a parasitar carpas, barbos e achigãs, segundo o presidente da Empresas de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva (EDIA), José Salema. A pesca, que há anos regressou ao rio, aguarda melhores dias, enquanto a agricultura também "desespera" por chuva suficiente, que permita avançar com as já atrasadas culturas de outono/inverno.

    "Isto já é uma tragédia, mas ainda vai ficar pior. Olhe lá onde está mais uma carpa em agonia sem conseguir respirar. E mais outra", diz o pescador Alexandre Dias, apontando em direção ao rio que mais parece um pego de águas paradas. Lá percorre as margens para mostrar ao DN a mortandade que se espalha nesta franja do Guadiana, acompanhada já de um intenso cheiro a putrefação.
    [..........]
    Nuno Sequeira, dirigente da Quercus no Alentejo, conhece o cenário que está a afetar os peixes do grande rio do Sul, associando a morte da fauna "à situação muito grave" provocada pela falta de água. "A maior parte das nascentes estão secas. Não há escorrências de ribeiras nem de ribeiros e isso prejudica a biodiversidade", refere, acrescentando que "havendo menos água, há menos oxigénio disponível para a mesma quantidade de organismos. E os peixes deixam de ter condições para respirar, acabando por morrer", diz, lançando um olhar crítico sobre os alegados "prejuízos provocados pelo aumento das culturas de regadio", dando o inevitável olival intensivo como exemplo.
    [...]
    A empresa gestora de Alqueva tem acompanhado o fenómeno, revelando que os peixes estão a morrer devido a cianobactérias que se alojam nas guelras, provocando a sua asfixia. "É uma doença, que não se deve ao facto de haver poluição ou falta de oxigénio", sustenta o presidente da EDIA, José Salema, avançando que as águas no Sul "têm a característica de serem muito quentes nesta altura, havendo alguns nutrientes, surgindo bichos que gostam de parasitar outros", revela com base na explicação obtida junto da Administração da Região Hidrográfica do Alentejo.
    A morte dos peixes no Guadiana começou, aliás, por se verificar ainda em Espanha, a montante da zona da Ajuda, com José Salema a admitir que a seca também ajuda a explicar o cenário, face à diminuição dos caudais, numa altura em que os espanhóis deixaram de libertar água, perante a "mudança do ano hidrológico", que teve lugar a 1 de outubro, no qual se estabelecem estratégias para o ano seguinte.

    "Acontece que os peixes são atraídos pelo caudal e sobem até à origem da água, mas depois, quando a água deixa de correr, eles ficam na parte seca e acontecem episódios de mortandade por causa disso", resume.

    Lavoura não arrisca a lançar sementeiras

    A agricultura assume o impasse perante o terceiro ano de escassez de água. "Já devíamos estar a preparar os terrenos para semear, mas sem chuva vamos perder tudo", lamenta João Paulo Calçudo, agricultor de Elvas, avançando que os poços - com 70 a 80 anos e cerca de 20 metros e profundidade - que em tempos abasteceram a cidade, estão secos.

    Nem a chuva que se anuncia para o país por estes dias convence quem trabalha na terra. "Se chover alguma coisa, não são mais do que cinco ou seis litros. Não conta para nada", assume resignado.

    A própria barragem do Caia - que rega uma área de 7500 hectares entre Elvas, Campo Maior e Arronches acabou a rega em meados de setembro, depois de ter atingido o mínimo (15%) para garantir abastecimento público durante três anos.

    "Era o que receávamos na primavera", recorda a presidente da Associação de Agricultores do Distrito de Portalegre, Fermelinda Carvalho, admitindo que o tema da falta de água que se verifica este outono já preocupava a lavoura desde abril. "É uma situação dramática para todas as explorações agrícolas. Ninguém pode semear sem água. Mas quem arriscar pode ser confrontado com chuva intensa lá mais para a frente que comprometa o ciclo da planta fora da época", diz a dirigente, para quem a solução no futuro passa pela criação de "pequenas albufeiras" que aumentem a capacidade de armazenamento das explorações.
    Fonte: Diário de Notícias

    _________________
    Para quem viu o Rio junto à ponte da Ajuda e quem o vê agora, é desolador...
     
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    #122 joralentejano, 13 Out 2019 às 16:59
    Última edição: 13 Out 2019 às 17:06
  3. jamestorm

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    Nimbostratus

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    O velho ditado faz o que digo e não o que faço.

    https://www.google.com/amp/s/www.pu...ter-de-libertar-agua-para-espanha-1811507/amp
     
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  5. jamestorm

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    Nimbostratus

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  6. António josé Sales

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    Concordo em absoluto:thumbsup:
     
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  7. clone

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    Cumulus

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    Não é tanto o país, mas os políticos subservientes que temos.
     
    #127 clone, 14 Out 2019 às 14:13
    Última edição: 14 Out 2019 às 19:19
  8. "Charneca" Mundial

    "Charneca" Mundial
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    Não ia dar em nada porque, como já falei por aqui, todo o Levante espanhol vive desta água. São quase 10 milhões a viver dessa água.
    Já alguém daqui foi ao Levante e viu aquelas estufas e aquelas urbanizações e gente toda num "deserto"? Agora digam-me lá: acham que aquilo está ali por acaso? :rain:

    Parece-me que há aqui gente que acha que os políticos espanhóis são muito civilizados e que respeitam as sanções, mas a verdade é a oposta. Impor sanções a Espanha seria algo como impor sanções à Venezuela por algo. :)

    Se fossem o Sanchez, o que decidiam: garantir a água aos 10 milhões no Levante ou garantir a água aos portugueses, que nem sequer votam nele? Decidam-se... ;)
     
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  9. joralentejano

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  10. AnDré

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    Ninguém parou um bocadinho para perceber o que se passou realmente?

    Esse vídeo retrata a albufeira de Cedillo, no rio Tejo. (Situada mesmo na fronteira)
    A albufeira normaliza o caudal do Tejo, proveniente da grande barragem de Alcantara, a montante.
    Assim como são as albufeiras no rio Douro, a albufeira de Cedillo, mantém um nível praticamente constante o ano inteiro. (Está sempre na casa dos 80%).
    Mas as barragens não são eternas e também precisam de manutenção.
    De resto, basta interpretar o gráfico em baixo.

    [​IMG]

    De dizer ainda que Alcantara, a montante, rapidamente poderá encher a barragem de Cedillo, fazendo com que Lentiscais volte a ter a albufeira com que se habituou ao longo das últimas décadas.
    E ainda que, toda essa água que saiu de Cedillo, correu rio a fora, por terras portuguesas. Não fosse Cedillo ficar na fronteira.
     
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  11. jamestorm

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    Então não estou a perceber nada...então o rio Ponsul fica jusante dessa barragem, agua não foi travada do lado português?

     
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  12. AnDré

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  13. jamestorm

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    incrível como eu tinha uma ideia diferente da geografia desse rio. Pensei q desaguava no Tejo português!
    Depois, pq não referiram as razões na reportagem? podiam ter dito que tinha havido manutenção. Por outro lado pq ninguém avisou as populações? Não deixa de ser caricato já que existem vaias actividades económicas que dependem dessa água.

     
    #133 jamestorm, 14 Out 2019 às 21:21
    Última edição: 14 Out 2019 às 21:27
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  14. Luis Martins

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    Cirrus

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    O estupido é que a barragem de Cedillo fica em Portugal . Ambos os paredões são em Portugal mas a barragem é espanhola.
     
  15. algarvio1980

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