Central Nuclear em Portugal - realidade ou utopia?

Paulo H

Cumulonimbus
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Dizer que queremos ou não queremos centrais nucleares em Portugal, é irrelevante! Senão vejamos:

Sabem a que distância está a Central Nuclear de Almaraz, em linha recta de Castelo Branco?

Esta central espanhola está a apenas 150kms de Castelo Branco, e não esquecendo que as águas de refrigeração dos reactores seguem o seu curso pelo Tejo, e este não dista mais de 15-20kms da minha cidade! Ah pois é.. Nestas coisas do nuclear, estar a 150kms e com a água a passar a 20kms, é o mesma coisa que termos por cá uma central núclear, igualinho, "radioactivamente" falando! :)

Sou contra as centrais nucleares, mas já que temos algum uranio no nosso país, sempre podíamos purifica-lo, obtendo combustível nuclear, portanto, com maior valor acrescentado, isto em vez de estarmos a exportar uranio em bruto! Em troca recebiamos mais dinheiro ou até energia eléctrica, gás natural ou petróleo.
 

Albifriorento

Nimbostratus
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Castelo Branco
.... mas já que temos algum uranio no nosso país, sempre podíamos purifica-lo, obtendo combustível nuclear, portanto, com maior valor acrescentado, isto em vez de estarmos a exportar uranio em bruto! Em troca recebiamos mais dinheiro ou até energia eléctrica, gás natural ou petróleo.

Purificar o Urânio??? Refere-se a conversão para plutónio através de centrifugadoras, ou simplesmente a limpar as escórias (material desnecessário)???

Sou de Castelo Branco, é fenomenal aqui em CB quando olhamos a volta e vemos os moinhos de vento da Gardunha ou os das serras de Oleiros :)...

Portugal não precisa de uma Central Nuclear, os custos na aquisição/transformação de matéria prima e depois a necessidade de vender os resíduos, visto que não temos instalações para o efeito, seriam proibitivos para a famosa TANGA portuguesa :sad:.

Como já disse o futuro está nas renovaveis, Eólica, mini-hídrica, biomassa.... e ainda mais aqui na zona da Beira Baixa onde temos uma empresa que já dá cartas no sector, a Generg. :)

Aqui até já se falou no aproveitamento do gás metano produzido pelo aterro municipal.
 

Paulo H

Cumulonimbus
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2 Jan 2008
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Castelo Branco 386m(489/366m)
Purificar o Urânio??? Refere-se a conversão para plutónio através de centrifugadoras, ou simplesmente a limpar as escórias (material desnecessário)???

Sou de Castelo Branco, é fenomenal aqui em CB quando olhamos a volta e vemos os moinhos de vento da Gardunha ou os das serras de Oleiros :)...

Portugal não precisa de uma Central Nuclear, os custos na aquisição/transformação de matéria prima e depois a necessidade de vender os resíduos, visto que não temos instalações para o efeito, seriam proibitivos para a famosa TANGA portuguesa :sad:.

Como já disse o futuro está nas renovaveis, Eólica, mini-hídrica, biomassa.... e ainda mais aqui na zona da Beira Baixa onde temos uma empresa que já dá cartas no sector, a Generg. :)

Apesar de o Plutónio e o Urânio serem elementos químicos diferentes, encontra-se muito pequenas quantidades de plutónio no minério de Urânio.

De forma artificial, o plutônio é produzido em reatores nucleares pela reação:

238U(nêutrons, radiação gama) → 239U(beta) → 239Np(beta) → 239Pu.

Enrriquecer o minério de urânio significa obter um composto final com maior % de urânio, podendo ainda ser conduzido o processo de refinamento por forma a obter uma maior % de urânio radioactivo.

A mim também não me agrada nada explorar material radioactivo em Portugal, mas a verdade é que:
- O minério existe por cá (ex: Nisa), com relativa abundância quando comparado com outros países. De que adianta vendê-lo ao desbarato, quando com um pouco mais de investimento valeria 10 ou 20x mais?
- O risco já existe, pois temos uma central nuclear em Espanha a pouco mais de 100km, cujas águas de refrigeração são do Tejo!

Evidentemente, que existiria um risco acrescido com os resíduos de exploração do minério, podendo contaminar águas subterrâneas. Nisa tem águas termais e outras nascentes, seria um desastre para a região.

Ainda bem que temos as Éolicas, mas nem tudo o que luze é ouro. Temos de pagar uma taxa de energias renováveis na factura da electricidade, o que não concordo de forma alguma, é uma aberração! Outro dos problemas da exploração das éolicas prende-se com a produção quando não faz falta (ex: à noite), mas pronto, isso já são questões mais técnicas e eu não sou especialista na matéria.. :)
 

Paulo H

Cumulonimbus
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2 Jan 2008
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Castelo Branco 386m(489/366m)
As centrais nucleares até podiam estar ao nível do mar, mas desde que os seus reactores estivessem a não menos de 100m de profundidade e dotados de um qualquer sistema de implosão em caso de emergência.. Assim tudo ficaria subterrado sem grandes riscos de contaminação radioactiva para a atmosfera ou lençois freaticos de água. Embora não se eliminassem os riscos com 100% de confiança, seriam minimizados de forma mais razoável. Mas pronto, o ideal é que utilizassemos apenas energias limpas/renováveis!
 

actioman

Cumulonimbus
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15 Fev 2008
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O que?... Este pessoal anda utópico de depois queixam-se da conta da luz lololololololol

Por mim podem ai fazer uma à porta da tua casa Knyght ;) :disgust:

O problema da energia nuclear é o nunca se ter em conta este tipo de riscos,sempre se pensa com idealismos e esperanças bacocas. Depois acontecem estas coisas e realmente se vê que afinal o que manda são os interesses de alguns em desfavor do bem geral de todos.
Há tantos anos a ser utilizada e continua a ser cada uma delas uma verdadeira bomba relógio por esse mundo fora, pois não há verdadeiras medidas de socorro em caso de emergência. Até mesmo essa da implosão que o Paulo H refere, traria dissabores e problemas com gravidade para o subsolo de uma extensa área, a começar com os lençóis freáticos...

Aquilo que não se pode usar em segurança, mais vale não utilizar!

E muitos poderão contestar, pois o historial a nível mundial demonstra que não tem havido desastres em massa e logo é uma tecnologia "segura".
É o que eu chamo uma meia-verdade, pois o problema é que apenas 1 desses desastres e os seus efeitos serão tão nefastos que tornam claro a perigosidade a muitos níveis na utilização desta energia aparentemente barata. E refiro aparentemente, pois a equação dos cálculos nunca teve em grande conta os reais riscos que esta fonte de energia envolve!

Estude-se primeiro a segurança, utilizem os "carolas" da área e certamente que algo aparecerá. Agora utilizando a técnica do escape sob vapor, ou esconder debaixo da terra ou água... Todas essas formas serão de enorme risco para vastas áreas envolventes à central nuclear. Como não interessa são sempre assuntos ao qual não se lhes dá destaque. Mas vejam o que se passou em Chernobyl à 25 anos atrás, procurem com olhos de ver.Vejam as deformações e as mortes que dai resultaram ao longo destas 2 décadas e meia. Eu por mim tenho-o claro, enquanto não for uma fonte de energia segura a 100% não a quero perto de mim. E no entanto sou dos que estou mais perto em Portugal, pois a Central nuclear de Almaraz está aqui mesmo ao meu lado... :shocking:
 

Knyght

Cumulonimbus
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10 Mai 2009
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1º A energia não pode ser armazenada
2º Eólica vem quando quer e vai quando menos se deseja, além de ser cara!
3º Fotovoltaica por painéis é igual a eólica, vem e vai de uma forma muito agradável (ou não) e ainda é mais cara que a eólica...
4º Marés? Vocês conhecem o que o sal faz ao vosso corpo? Nem imaginam o que faz aos materiais, e quando as mares vivas acordam...
5º Geotérmica só as pressões que ficam alteradas... :calor:

Resumindo a nuclear é a mais barata GW/h

Mas vocês queixam-se da conta da luz, por mim se quem paga hoje 50€ e não se importar de pagar já no mês que vem 100€
Num ano temos a rede toda com renováveis ;)
 

HotSpot

Cumulonimbus
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Sou totalmente a favor de uma central nuclear em Portugal. Era sem dúvida uma lufada de ar fresco para as contas nacionais e para a nossa factura de electricidade.

É perigoso? Pode ser, mas para isso já temos as Espanholas aqui ao lado.

As energias renováveis, nas quais estamos na vanguarda, são bastante positivas. O problema é que só daqui a alguns anos vamos tirar proveito(€€€) de tudo o que já foi feito. A energia nuclear iria colmatar o défice que temos em energia e reduzir substancialmente o factura de Portugal ao exterior.

O problema de Portugal é mesmo este, Nuclear é perigoso, barragens destroem pinturas rupestres e "depois queremos tudo do nada"...
 

irpsit

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9 Jan 2009
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Houve uma segunda explosão noutro reactor nuclear no Japão.

Americanos a 100km na costa já detectaram níveis de radiações e tiveram que mover os navios da marinha para outro local.

http://www.google.com/url?sa=t&source=web&cd=2&ved=0CC0QFjAB&url=http%3A%2F%2Fworld.foxnews.mobi%2FquickPage.html%3Fpage%3D26264%26external%3D789077.proteus.fma&ei=4tV9TYbWIYSnhAfL99XvBg&usg=AFQjCNEqFNhKFCxNY4Qx5DPCeNyBoYTbKw

Ou propunha mudar o tópico de "realidade ou utopia" para "distopia ou utopia"
Pois a realidade nuclear já existe
 

Knyght

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Sou totalmente a favor de uma central nuclear em Portugal. Era sem dúvida uma lufada de ar fresco para as contas nacionais e para a nossa factura de electricidade.

É perigoso? Pode ser, mas para isso já temos as Espanholas aqui ao lado.

As energias renováveis, nas quais estamos na vanguarda, são bastante positivas. O problema é que só daqui a alguns anos vamos tirar proveito(€€€) de tudo o que já foi feito. A energia nuclear iria colmatar o défice que temos em energia e reduzir substancialmente o factura de Portugal ao exterior.

O problema de Portugal é mesmo este, Nuclear é perigoso, barragens destroem pinturas rupestres e "depois queremos tudo do nada"...

Tudo de borla e não querem que seja mais caro que aqui ao lado!!!...
Concordo contigo HotSpot
 

MSantos

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Para os que defendem o nuclear em Portugal, eu só pergunto onde construir a central? Ninguém a vai querer perto de casa, ninguém, em Portugal podem ocorrer sismos fortes que poderiam levar directa ou indirectamente à fusão do reactor, como parece que vai ocorrer no Japão...

Se Portugal quisesse avançar para a energia nuclear iria estar décadas a fazer estudos e estudinhos, que quando a central fosse construída já deveria haver novas fontes de energia e esta já seria obsoleta, se para fazer um Aeroporto já está a ser assim para um central nuclear seria muito pior…

E além disso, o que fazer com os residuos nucleares?
 

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Cumulonimbus
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Moita, Setubal
Para os que defendem o nuclear em Portugal, eu só pergunto onde construir a central? Ninguém a vai querer perto de casa, ninguém, em Portugal podem ocorrer sismos fortes que poderiam levar directa ou indirectamente à fusão do reactor, como parece que vai ocorrer no japão...

Por mim, pode ser aqui ao lado. É engraçado que parece que ninguém sabe que já está "uma bomba relógio" instalada em Lisboa.

O ITN (Instituto Tecnológico e Nuclear) tem o RPI (Reactor Português de Investigação) instalado na zona de Lisboa desde 1961. Embora não seja propriamente uma central nuclear nunca se sabe que consequências poderia trazer para a população em caso de "falha". Provavelmente até nenhumas, não sou especialista...
 

ecobcg

Cumulonimbus
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10 Abr 2008
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Resumindo a nuclear é a mais barata GW/h

Ainda gostava de ver um estudo como deve ser a atestar esse facto!

Será que ao se dizer que o custo do GW/h do nuclear é o mais barato, esse valor já incorpora:
- Custos com a matéria-prima (Portugal tem urânio, mas precisa de ser enriquecido, o que não será feito cá);

- Custos futuros com o desmantelamento da central no seu final do período de vida (elevadíssimos);

- Custos relativos a potenciais danos ambientais: só aqui, teremos um custo de dimensões enormes. Em caso de acidente nuclear (situação que nunca poderá ser desprezada), teremos mortes directas, mortes indirectas por exposição à radioactividade, tratamentos durante largos anos às vitimas de radiação, destruição de recursos naturais existentes na envolvente da central (num raio considerável), destruição de habitats, perda de biodiversidade, destruição de culturas, destruição/poluição de reservas de água, etc, etc, custos associados à imagem do pais e à redução do turismo (sim, porque mesmo que, por exemplo, o Algarve estivesse bem longe da central, duvido que alguém quisesse cá vir numa situação de desastre nuclear);

- Para todos os danos ambientais atrás elencados (e muitos outros que se poderão acrescentar), terá que ser reposta a situação inicial, o que como será fácil imaginar, terá custos elevadíssimos;

- De acordo com o Decreto Lei da Responsabilidade Ambiental, todas as entidades são responsáveis pelos danos ambientais que possam causar (e que integram todas as componentes atrás referidas e mais algumas), tendo que constituir, OBRIGATORIAMENTE, seguros de Responsabilidade Ambiental ou outro tipo de fundos que garantam a reposição de todas as condições ambientais iniciais, em caso de acidente. Se para um simples ecocentro, que não tem resíduos perigosos, um seguro destes representa um custo de algumas dezenas de milhar de euros por ano (e falo por experiência própria), então nem sei quanto não custará o de uma central nuclear;

Portanto, tendo em conta só estes aspectos (já para não falar da localização, dos imensos estudos necessários, etc...), custa-me a acreditar que o valor do GW/h nuclear integre todos estes custos! Se integrasse, de certeza que não seria o mais barato...

Eu por mim, dispenso o nuclear por cá!
 

Lousano

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12 Out 2008
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Lousã/Casais do Baleal
Ainda gostava de ver um estudo como deve ser a atestar esse facto!

Será que ao se dizer que o custo do GW/h do nuclear é o mais barato, esse valor já incorpora:
- Custos com a matéria-prima (Portual tem urânio, mas precisa de ser enriquecido, o que não será feito cá);

- Custos futuros com o desmantelamento da central no seu final do período de vida (elevadíssimos);

- Custos relativos a potenciais danos ambientais: só aqui, teremos um custo de dimensões enormes. Em caso de acidente nuclear (situação que nunca poderá ser desprezada), teremos mortes directas, mortes indirectas por exposição à radioactividade, tratamentos durante largos anos às vitimas de radiação, destruição de recursos naturais existentes na envolvente da central (num raio considerável), destruição de habitats, perda de biodiversidade, destruição de culturas, destruição/poluição de reservas de água, etc, etc, custos associados à imagem do pais e à redução do turismo (sim, porque mesmo que, por exemplo, o Algarve estivesse bem longe da central, duvido que alguém quisesse cá vir numa sistuação de destares nuclear);

- Para todos os danos ambientais atrás elencados (e muitos outros que se poderão acrescentar), terá que ser reposta a situação inicial, o que como será fácil imaginar, terá custos elevadíssimos;

- De acordo com o Decreto Lei da Responsabilidade Ambiental, todas as entidades são responsáveis pelos danos ambientais que possam causar (e que integram todas as componentes atrás referidas e mais algumas), tendo que constituir OBRIGATORIAMENTE, seguros de Responsabilidade Ambiental ou outro tipo de fundos que garantam a reposição de todas as condições ambientais iniciais, em caso de acidente. Se para um simples ecocentro, que não tem resíduos perigosos, um seguro deste já representa um custo de algums dezenas de milhar de euros por ano (e falo por experiência própria), então nem sei quento não custará o de uma central nuclear;

Portanto, tendo em conta só estes aspectos (já para não falar da localização, dos imensos estudos necessários, etc...), custa-me a acreditar que o valor do GW/h nuclear integre todos estes custos! Se integrasse, de certeza que não seria o mais barato...

Eu por mim, dispenso o nuclear por cá!

Além desses factos, existem pelo menos mais 3:

- Em todos os países que existem essas centrais, elas são subsidiadas;

- A maior parte do valor monetário dispendido na construção, manutenção, etc, irá para empresas e trabalhadores estrangeiros-especializados (Areva; Siemens?), ou seja, pouco acrescentará à economia nacional.

- Derrapagens orçamentais. Em todas as construções de centrais nucleares as derrapagens têm sido altíssimas, e nem vou falar na que está a ser concluida na Finlândia, que vai a caminho do 3 x orçamento.