Foi eleito para cumprir o programa do memorando assinado entre o PS e a troika.
O que foi acordado no memorando, não é basicamente austeridade e mais austeridade? Ou será que em alguma parte no memorando, se fala em criação de emprego, ou em descida de impostos?
Não compreendo a dúvida.. Dpx de se tornar público o memorando, seria mesmo necessário anunciar austeridade, ou será que o conteúdo não é suficientemente revelador?
Nunca houve propriamente uma vontade de poupar dinheiro em nenhum partido.do arco do poder. Os problemas do excesso de despesa no Estado já se falam desde o famoso «monstro» de Guterres. Depois disso o que foi feito?
- a MFL congelou salários e aumentou impostos;
- o Sócrates aumentou impostos quando já estava aflito;
- a máquina fiscal modernizou-se ao ponto de em termos de IVA ser das melhores da Europa.
Mas e poupanças? As despesas do Estado foram sempre subindo à medida que a receita aumentava. O PS esteve no Governo e supostamente uma das suas tarefas seria pôr as contas em ordem depois do défice superior a 6% de Pedro Santana Lopes. E o que fez Sócrates? Atacou os professores e fechou maternidades, e deu a ideia que iria reformar, mas depois passados dois anos caiu a máscara e começou a esconder dívida e mais dívida, e não se reformou nada.
Se falarem com polícias, professores, professores universitários, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, vão ouvir certamente muitas sugestões de poupanças que não passam por cortes de salários nem por despedimentos de funcionários públicos. Há muito desperdício de dinheiro.
Uma coisa que ninguém liga mas onde as autarquias poderiam poupar muitos milhões por todo o país, a iluminação pública. Já conduzi muitas vezes à noite em Espanha em visitas a cidades ou áreas protegidas, e na maior parte das regiões não há luzes fora das povoações, ora por cá sempre que há eleições locais lá se ilumina mais uma estrada municipal ou rural. Há países onde fora das povoações são os donos da casa os responsáveis pela iluminação externa. Nas auto-estradas os cruzamentos também não precisam de tantas lâmpadas. As pontes também não. A Ponte do Guadiana, por exemplo, não tem iluminação, nunca teve. Então e as casas dispersas que estão a cair, abandonadas, e lá têm ao lado a lâmpada ou as lâmpadas de iluminação pública? Justifica-se?
Mas há muito mais, nem vou mencionar o exemplo da Saúde para não atiçar polémicas, pois o fórum é público e não quer criar inimigos na área.
Contudo posso referir exemplos escandalosos de desperdício na Educação, caso dos livros escolares, dos passes de autocarro quando há a alternativa do comboio ou do autocarro da câmara, zonas com escolas a mais...
O Baixo Guadiana tem cerca de 25 000 habitantes e tem 6 escolas até ao nono ano, o concelho de Tavira para a mesma área e habitantes tem 2! Nada justifica a existência de 2 escolas no concelho de Alcoutim e 4 no litoral, pelo menos uma em Alcoutim deveria fechar, e duas no litoral, a saber, a de Castro Marim e a de Monte Gordo. Ficariam 3, e a de Martinlongo só se justifica pelo factor distância, com o IC 27 rapidamente se chega a Vila Real.
Exemplos destes não faltam, mas há muitos mais.
Os ajustes directos prejudicam o erário público e continuam, o Estado nunca quis taxas as mais valias imobiliárias, o Estado continua a encomendar legislação a escritórios em vez de ter juristas próprios, o que como se sabe gera legislação que beneficia interesses e prejudica as contas públicas...
Ninguém fala destas coisas na campanha eleitoral, é este o nível a que chegámos.
O Costa se quisesse tinha muito por onde argumentar contra este Governo, poderia arranjar argumentos para reformar o Estado Social, baixar impostos e baixar a despesa do Estado.
Infelizmente até agora o Costa só disse uma coisa de jeito, que o modelo das cantinas sociais lesa o Estado, eu já o tinha dito aqui no fórum há meses, as IPSSs são uma negociata muito mal escrutinada e sairia mais barato ao Estado aumentar o RSI e aumentar os apoios a doentes do que andar a financiar intermediários. Há muito para escrutinar nas IPSSs e há muitos esqueletos no armário, esquemas e outras coisas, curiosamente muitas têm à frente gente ligada ao PS, a própria Maria de Belém esteve à frente da União das Misericórdias.
Por tudo isto acho este Governo muito mau, mas é nele que vou votar, pois o que o Costa propõe é desastroso. Neste momento o consumo está a níveis pré-crise, para quê aumentar mais? Para aumentar a dívida externa? Para aumentar as exportações? Depois nada propõe para reduzir a despesa do Estado, que permitiria o alívio fiscal das famílias e empresas. É um modelo igual ao que já tivemos e não funcionou, será mais tarde ou mais cedo desastroso.
Não temos cultura nenhuma de poupança, de austeridade e de organização, por isso nem tão cedo seremos ricos, pois só se enriquece um país acumulando riqueza e não dívidas ao exterior.