Se tivessem o dobro do tráfego seriam certamente estradas viáveis, um bom negócio. O problema é o dinheiro que se gasta em estradas que não tem tráfego que justifique o que se gastou. Não sei se sabes o que se tem passado em Espanha, há umas quantas concessões de autoestradas que estão a ir à falência e negoceiam agora desesperadamente apoios do Estado. Em Espanha fizeram-se coisas loucas nos últimos anos, só aeroportos "fantasma" têm uns 6 ou 7, e alguns deles custaram largas centenas de milhões de euros cada um, muito mais que o nosso de Beja que comparativamente é uma pechincha (porque foi uma adaptação da BA).
Em Espanha contudo tem mais sorte que nós. Em Portugal negociaram-se contratos ruinosos onde não há destes riscos para os privados, por cá se o negócio corre mal, o Estado automaticamente paga ! Dizem que isso é liberal hehe. Mas apesar disso, o antigo ministro do PS, o Sr.Jorge Coelho da Mota Engil, já se mostra preocupado com o rumo das coisas:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=496107
Eu por mim veria com bons olhos a falência destas aventuras, talvez dêem poder negocial ao Estado em renegociar as loucuras que se cometeram, no Marão as obras já pararam por falta de dinheiro, pode ser um bom sinal. Hoje o único grande banco nacional que não foi classificado como junk foi precisamente o BPI, que saltou fora das PPP's no início do ano passado.
Mas já agora, sobre as carnificinas nas estradas, haveria muito a dizer sobre o assunto mas é off-topic, de qualquer forma digo apenas o seguinte. Mesmo estradas como IP4 ou a antiga IP5 em muitos países (nos nórdicos e muitos outros por exemplo) são boas estradas, normalíssimas, onde não ocorrem carnificinas.... Não te esqueças que Portugal sofreu uma mudança muito brusca, de um país onde poucos tinham carros e os que tinham eram Renault5 e Fiat127 e Citroen2cv, com a entrada na UE passámos de repente para um país com dinheiro para muitos e melhores carros e muitas viagens, onde para muita dessa gente o automóvel se tornou um patético símbolo de status, que não servia para andar devagar numa estrada. Há todo um choque civilizacional, que demora anos a aprender, desde atirar lixo fora, cuspir no chão, tratar a mulher como uma criada do lar ou saber andar na estrada, tudo isso leva alguns anos de aprendizagem de civilidade. Mas felizmente, diga-se, embora lentamente, temos progredido neste campo.