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O Estado do País

Tópico em 'Off-Topic' iniciado por Rog 25 Mar 2009 às 10:35.

Estado do Tópico:
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  1. joseoliveira

    joseoliveira
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    Cumulonimbus

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    Frederico, concordo perfeitamente com isso, é de facto uma realidade e é a consequência directa de várias medidas implementadas que o tempo se encarregou de provar como ineficazes, mas como é lógico, esse faz parte dos vários pontos negros que convergem para o desde há muito complicado tema que é o arrendamento urbano. O pormenor que referi é apenas parte da colecção!


    O tecido urbano dos grandes centros desde há muito tem sido um tema suficientemente quente mas não devidamente abordado pelos sucessivos estados de governação. Em termos de indefinições legais mas sobretudo a falta de consenso nos acordos entre as duas partes, não tem sido apenas marca negativa da governação socialista! Desde que esta problemática começou efectivamente a ser discutida já passaram muitos anos e não recordo que durante os anos de governação social democrata tenham existido medidas concretas com vista à solução deste problema. Agora se se disser que o tema é uma das bandeiras hasteadas em épocas de campanha eleitoral e que serve de alimento à constante demagogia política, realmente é o que se tem observado!
     
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  2. joseoliveira

    joseoliveira
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    Cumulonimbus

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    Vince, deduzo que se refere aos vários pontos ou medidas em comum que as várias facções políticas insistem em fazer notar quando constantemente afirmam que o seu objectivo é marcar a diferença!
    Sim, a grande dependência do Estado tem sido o resultado da falta de iniciativa e coragem na resolução de questões essenciais como esta que infelizmente ainda prolifera e compõe a mentalidade portuguesa. :disgust:
     
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  3. frederico

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    Super Célula

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    Vince, nós temos um Estado obeso! Temos concelhos a mais, freguesias a mais, institutos a mais... Em 1974 tinhamos cerca de 170 000 funcionários públicos, hoje em dia temos cerca de 750 000! E depois, ainda temos uma miríade de fundações e associações que dependem do Estado, tanto de âmbito nacional como de âmbito regional e local!

    Para além do Estado sorvedor de recursos, não produzimos nada. Matámos a agricultura, as pescas e a indústria. Importamos a maior parte do que comemos. Até parte do pão e dos bolos já vêm congelados de Espanha ou do Brasil. Não temos espírito de iniciativa e cultura de risco.

    Esta década é a pior de sempre desde os anos 20. A dívida cresce ao ritmo de 2,5 milhões de euros por hora, e dentro de alguns anos o estrangeiro poderá parar de nos emprestar dinheiro. Poderão dizer que outros países desenvidos têm dívida externa elevada. Mas a questão é que esses países investem o dinheiro emprestado e produzem riqueza, nós consumimos e não produzimos.

    Pessoalmente não espero grande coisa. Os portugueses estão preguiçosos, deslumbrados, arrogantes e desinformados. É deixar o barco continuar a meter água. Quando naufragar, aí talvez mudemos.
     
  4. irpsit

    irpsit
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    Cumulonimbus

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    Que discussão política!

    Pessoalmente eu acho que já não vale a pena discutir o passado. O século XX foi um de extremismos políticos, o mundo esteve em guerra durante duas ocasiões, e esses modelos políticos são para esquecer.

    Por outro lado, os modelos actuais, também não funcionam, veja-se a corrupção, desemprego, desigualdade de oportunidades, destruição ambiental...
    A necessidade de mudança é algo muito urgente, mesmo que não seja reconhecida ou admitida.

    Para mim, os valores da liberdade são fundamentais, assim como a igualdade de oportunidades, e também não nos faria mal nenhum criarmos mais valor comunal, pois afinal de contas estámos todos no mesmo barco, partilhando os mesmos recursos. O egoísmo e ambição de poder dos humanos nunca levou e nunca levará a nenhum lado bom.
    É tudo uma questão de bom senso e tolerância dos diversos pontos de vista. Discutir ideologias, na dialética preto ou branco, é o ponto de partida para as separações, os conflitos e, em última instância, não é o nosso objectivo comum. Eu já não acredito no poder dos governos (que corrompe), acredito antes no poder local, dos movimentos sociais e de cada um.

    Devemos reconhecer algo: todos desejamos o mesmo. Portanto, se formos espertos não é dificil chegarmos a uma ideologia comum, pacífica, equalitária, livre e próspera.
     
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  5. joseoliveira

    joseoliveira
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    Cumulonimbus

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    Generalizando, se me permitem, em larga medida concordo com o que o Frederico mencionou no final porque mesmo a grosso modo acho que é este o cenário que existe:
    "Os portugueses estão preguiçosos, deslumbrados, arrogantes e desinformados."

    No fundo foi também o cenário traçado por comentadores há vários séculos atrás.
    Se na época dos Descobrimentos Portugal tinha em marcha um período de grande prosperidade económica, sendo reconhecido e invejado um pouco por todo o mundo até então conhecido mas todo esse reconhecimento carecia de uma base de gestão sólida e estável.
    O deslumbramento e vaidade deste povo diante de toda a riqueza acumulada oriunda de terras conquistadas, devido à descoordenada gestão desses recursos como resultado da desinformação subestimando a capacidade logística dos seus rivais nessa época, cruzou os braços talvez como sinal da sua frustração e falta de tenacidade; daí ao desalento e à preguiça foi um passo.
    Já nessa época Portugal dependia de toda essa riqueza até que durou. Se antes a mesma permitia comprar tudo como nunca antes sem ter que produzir nada, todo este monopólio ao esgotar-se deixou como herança uma sociedade mimada e totalmente dependente do exterior. Sem dinheiro, como sustentar um País que por muito tempo se habituou a ter tudo e sem produção de riqueza que garanta a estabilidade da balança comercial?
    O paralelo com os dias de hoje nunca foi tão evidente! :disgust:
     
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  6. Mário Barros

    Mário Barros
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    Furacão

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    "Os portugueses estão preguiçosos, deslumbrados, arrogantes e desinformados."

    "Estão" não, são :lmao:
     
  7. frederico

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    Há um interessante texto do século XVI, do qual não me recordo o nome do autor, de um mercador francês que caracteriza a sociedade portuguesa. O texto em questão refere que na época os portugueses da capital eram vaidosos e viviam acima das suas possibilidades. Na altura investimos pouco no desenvolvimento de manufacturas e infra-estruturas na metrópole, houve o Oriente, depois o Brasil e mais tarde África, e agora os fundos da UE e os estado-social.

    Um exemplo de modernização de louvar foi o seguido pelo Marquês de Pombal, que fruto da sua vivência no estrangeiro tentou modernizar o nosso país. A sua reforma da Universidade de Coimbra levou a que fosse uma das primeiras universidade da Europa a seguir as experiências de Lavoisier. Tentou criar produção nacional na área do vinho, dos tecidos ou do vidro. Pena que as suas políticas não tenham tido desenvolvimento.

    De facto, como diz Medina Carreira, o nosso problema base é a economia. Nós temos de produzir mais e melhor. Temos de ter agricultura, pescas e indústria, e exportar. Não somos nenhuma ilha de pequena dimensão para viver apenas do turismo, e não faz sentido continuar a viver da construção civil quando já há um excedente de habitação. Precisamos de empresários com iniciativa que arrisquem.
     
  8. frederico

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    Super Célula

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    Onde antes havia camponeses e artífices, o povo chão com raízes profundas entrelaçadas na terra, hoje há canalha suburbana e iletrada com poder, sentada atrás de computadores, esbracejando nas bolsas, promovendo e vendendo necessidades artificiais. Onde antes havia elites históricas, hoje há uns cavalheiros e umas cavalheiras absolutamente privados do sentido do sacrifício, macaqueando as boas e velhas aristocracia de serviço e a burguesia do risco e da iniciativa. O fenómeno da dissolução das ordens sociais e das classes é hoje assunto encerrado. Já não há qualquer diferença entre o arrumador de cinema e o ministro, pois qualquer ministro é hoje, sem tirar, igual a qualquer arrumador de cinema. A horizontalização provocou, sem mais, a morte das letras e das artes, o crepúsculo do pensamento e o embotamento da inteligência.




    Não sendo propriamente um reaccionário, não posso deixar de reconhecer que no transcurso da minha vida assisti ao irrefreável fenómeno da parvalhização e ao enterro das virtudes populares. Lembro-me, ainda, do tempo em que havia povo, cultura popular, valores populares e até uma etiqueta própria dessa gente sofrida e humilde, de coragem digna de respeito. Tudo isso desapareceu. Permaneci durante anos no Baixo Alentejo, servindo num regimento de infantaria. Como comandante de pelotão, palmilhei centenas de quilómetros de bornal e mochila às costas em longas marchas pelas planícies alentejanas. Lembro-me, como se fosse hoje, do encanto dessa gente serena e franca que nos recebia como se de familiares se tratasse, connosco dividiam o seu pão, o seu queijo e leite. Era um povo de porte nobre, com uma proverbial capacidade para fazer cultura sem o artifício do cânone coroado pelas academias. Temo que esse povo desapareceu, tragado no ambiente dos arrabaldes de Lisboa, futebolizado, telenovelizado, carrefourizado, city-banquizado, mecanizado e endividado na voragem da tentação de ter. Lembro-me do tempo em que os portugueses eram, quase todos(as), gente seca de carnações, de postura direita e natural e portadores de especial dom para a expansão de afectos e ideias através de construções frásicas e vocabulário cheio de graça. Era um encanto ouvir um rude trabalhador rural discretear sobre o sentido da vida e da morte. A parvalhização acabou com isso. Hoje quase só vejo gente violenta, respondona, invejosa e recalcada, gorda como sacos, apostrofando, difamando ou opinando sobre coisas que o natural defeso da inteligência e da humildade outrora reservava àqueles que se haviam consagrado ao silencioso mundo dos livros.




    Parece que tudo começou nos anos sessenta. Depois, foi uma cavalgada sem freio. Os dez anos de Cavaco foram uma verdadeira hecatombe, um etnocídio que destruiu o que de melhor havia no nosso povo. Lembram-se do desprezo votado aos trabalhos braçais, da galopante marcha dos empreendedoristas, dos novos tudo-e-mais-alguma-coisa, do fim dos pescadores e dos ofícios, do encerramento do comércio que dava dignidade e percepção de responsabilidade política aos pequenos proprietários, da substituição dos operários, dos cantoneiros e pedreiros, dos electricistas e canalizadores por uma chusma de patetas metidos em fatecos a brincar aos programadores, aos promotores de vendas e aos bancários ?



    http://combustoes.blogspot.com/

    Ainda conheci no Algarve, no Alentejo e em Lisboa uma geração de pessoas humildes, trabalhadoras, que tinham pouca formação mas admiravam quem lia e era culto, que privilegiava a formação dos filhos e dos netos em relação a bens desnecessários, que tinham vergonha de pagar com dinheiro emprestado ou de depender de alguém, mesmo que isso implicasse passar necessidades...
     
  9. joseoliveira

    joseoliveira
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    Cumulonimbus

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    Textos bem interessantes, frederico! :thumbsup:

    (...)
    Portugal dedicava toda a sua atenção ao comércio marítimo com os outros continentes, tornando-se essa actividade o sector mais lucrativo da nossa economia, mas isso não foi suficiente para que o Pais se modernizasse. Portugal não soube retirar do comércio colonial o mesmo proveito tal como por exemplo os rivais Inglaterra, Holanda e a França aos quais subestimou nos séculos XVII e XVIII.
    O que ganhava com a venda dos produtos coloniais gastava na compra de produtos alimentares e manufacturados que não produzia, gastando portanto por vezes mais do que ganhava.

    As viagens para o oriente tornaram-se dispendiosas e por isso quebrado o comércio das especiarias, sedas e porcelanas. Surgiu a Rota Triangular em que Portugal levava para África produtos manufacturados, armas e álcool que eram trocados por escravos negros os quais eram posteriormente levados para o Brasil para trabalharem nas plantações e engenhos de açúcar. Em larga medida, a sua função terminava por aqui porque por exemplo o açúcar e o ouro vindos do Brasil eram distribuídos por toda a Europa mas pelos holandeses e ingleses que foram os que realmente beneficiaram com este comércio.

    No auge do império colonial Português, o comércio dos produtos ultramarinos mais importantes era monopólio do Rei, ou seja, o Estado é que controlava o comércio com África e o Oriente. Isto associado ao facto de a Nobreza receber cargos de chefia naqueles territórios e que participava nas actividades comerciais, fizeram com que a Burguesia (classe empreendedora) em Portugal não se desenvolvesse, razões pelas quais este grupo social não garantiu a acumulação e investimento de capitais como aconteceu com a Inglaterra, Holanda e França.

    Outro dissabor para esta classe foi o facto de muitos dos grandes burgueses serem cristãos novos (judeus compulsivamente convertidos ao cristianismo) que foram perseguidos e expulsos de Portugal pela Inquisição. Muitos destes refugiaram-se em Países mais tolerantes como a Holanda que beneficiou da riqueza que transportavam e da capacidade empreendedora que colocaram ao serviço daquele País.

    Estes são apenas mais alguns de muitos pormenores que caracterizavam e que infelizmente ainda estabelecem um paralelo com a forma de estar dos portugueses actualmente.
    Simplesmente relacionar o passado com o presente!
     
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  10. Aristocrata

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    Super Célula

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    A meu ver um dos principais problemas é a subsidiodependência desde 1995.
    partir do momento que o estado central cria um subsídio à preguiça e ao ócio, deixamos de ter muita gente a apostar na força braçal e na vontade de "fazer pela vida".
    Um estado que promove uma geração a qual, se não tiverem rendimentos o estado dá o dinheiro, para além de casa, assistência na saúde e educação gratuitos, está apromover o quê? A criação de riqueza? Bem pelo contrário, está a criar as bases de um estado tipicamente socialista em que toda e qualquer acção de promoção da riqueza está apenas dependente da esfera política, sendo os remanescentes distribuidos pelo povo "adormecido", que se contenta apenas com as migalhas que lhes deixam...

    O Hugo Chavez dá o exemplo: aqueles que lutam pela vida, que criam riqueza são obrigados a partilhar essa riqueza com quem não que trabalhar. Se juntaram dinheiro para terem uma 2ª habitação e não a usam o estado apropria-se dela para a distribuir aqueles que não tem um tecto (mas nada fazem por isso). Perguntem a portugueses que lá estão e que fizeram alguma riqueza, o que por lá se passa. É o verdadeiro estado solidário no seu auge. A partir daqui quem quer criar o seu negócio? Quem quer criar riqueza? Para depois ver tudo a ruir por decisão dos gestores políticos de um país?

    Entendam-me: neste momento perguntem aos pequenos empresários (que são aqueles que nos poderão dar a maior riqueza do futuro) o quão difícil é a sua vida. Sem iniciativa privada - um predicado socialista sem sombra de dúvidas - quel é o país que cria riqueza?
    Só se for com o petróleo - mas até aí a riqueza é finita e distribuida apenas pelas cúpulas...não é o que acontece neste momento em Portugal com a presença de eméritos socialista em tudo o que é administração de grandes empresas públicas e privadas, para daí retirar uma parte para essa cúpula? A sede de poder está mais viva que nunca...
    :sad: triste é o país...Mas mais triste é o povo não ver o que se passa à frente dos seus olhos. :disgust:
     
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  11. frederico

    frederico
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    Super Célula

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    Leiam isto!

    Família milionária recebe agora rendimento mínimo

    Em 2001 uma quantia astronómica entrava na conta da família Almeida. Apesar das duas casas e três carros, vivem à conta do subsídio estatal e esperam por mais apoios.

    São donos de um património invejável. Têm duas moradias, avaliadas em setecentos mil euros, e três carros topo de gama. Foram bafejados pela sorte em 2001, ganharam numa sociedade 600 mil euros no Totoloto. Oito anos volvidos vivem à conta do Estado.

    Para a Segurança Social, é tudo legítimo. A família Almeida não tem liquidez e a ajuda é fundamental. Todos os meses entram 365,56 euros na residência familiar. A mãe e o filho também aguardam por nova ajuda da Segurança Social.

    "Trata-se de um agregado desestruturado, com um quadro familiar muito complexo. Enriqueceram subitamente e não demonstraram ter as competências necessárias à gestão do património, bem como à perspectivação do seu futuro. Para além da falência da empresa que criaram, viram-se sem qualquer tipo de rendimentos líquidos, embora com património", explica à Domingo fonte do Instituto de Segurança Social (ISS), ao enquadrar a decisão de dar a esta família o Rendimento Social de Inserção (RSI).

    Tudo legal segundo o Estado, mas também segundo a família. Os populares que conhecem a história é que não percebem e criticam a decisão. Fábio, o filho do casal, responde com simplicidade: "Isso que as pessoas dizem não interessa, porque a Segurança Social sabe de tudo o que se passa, está lá tudo escrito". Todavia, o filho do casal garantiu à Domingo que o pai não recebia Rendimento Social de Inserção: "É só uma pensão de invalidez de 190 euros, nada mais. Se ele não trabalha tem direito". Maria Augusta também fica indignada com a desconfiança: "Ainda estou à espera de receber, porque tenho direito. O meu filho também está à espera e as técnicas da Segurança Social já me disseram que seria beneficiado. Eu é que preferia que ele fosse trabalhar e ganhasse melhor. 190 euros não chegam para viver".

    Jorge Queiroz, proprietário do café em que o boletim foi registado, não quer polémicas. Para ele tudo é comercial, não há lugar a opiniões. "Foi bom ter dado o prémio. Agora a vida deles é só deles. Não me quero meter".

    PATRIMÓNIO SEM RENDIMENTO

    Mãe e filho reconhecem que o património que têm hoje é, porventura, mais valioso do que o prémio que ganharam em 2001. Tudo está a venda, dizem. O objectivo está definido: uma vida nova, longe daquele lugar, e diferente, se possível. França pode ser o destino, pois há mais trabalho e mais adequado para José, que tem limitações físicas. "Lá o trabalho é mais leve e ele não se pode esforçar muito. Cá não pode trabalhar, faz só uns biscates, umas coisas tipo servir churrasqueiras, em que ele é perito", justifica Fábio.

    As preocupações com a saúde de José Carlos são justificadas. Tem uma bala alojada junto à medula. Qualquer movimento brusco pode ser fatal. Uma discussão há dois anos terminou quase em tragédia familiar. José e Maria voltaram a entender-se, mas ficaram as sequelas. "Agora estamos bem", disse secamente Fábio, sem se querer alongar no tema.

    O histórico da família do Vale do Sousa com o Instituto da Segurança Social tem quase cinco anos. "A Sr.ª D. Augusta requereu pela primeira vez a prestação do Rendimento Social de Inserção em Outubro de 2005. Este requerimento foi indeferido por falta de preenchimento das condições específicas de atribuição (inscrição em centro de emprego). A prestação foi requerida novamente em Outubro de 2007, tendo sido deferida, uma vez que se enquadrava nos requisitos legalmente exigidos", relata fonte do ISS. "

    As duas casas que o agregado familiar possui encontram-se à venda numa imobiliária, uma delas já desde 2007. A segunda habitação, que não a residência actual, foi considerada no cálculo da prestação do RSI", acrescentou a mesma fonte. De assinalar que Maria requereu há três meses a pensão de invalidez, mas foi considerada apta pela junta médica.

    Fábio e Maria Augusta assumem alguns erros, que trouxeram desgostos à família, mas mesmo nesses falhanços parecem unidos. "Fizemos sempre tudo com a concordância de todos. Sentávamo-nos, discutíamos e decidíamos. Sempre foi assim", conta Maria Augusta. Preferiram arriscar, à estabilidade dos juros. Os sonhos foram maiores do que a segurança. "Há coisas que não gosto nada de recordar", finaliza Maria.

    OITO ANOS E TUDO MUDOU

    Passaram oito anos o tempo suficiente para tudo mudar. A exuberância da noite mágica em que os seis números bateram certo com as seis cruzes e multiplicaram a conta bancária da família Almeida para números milionários não se apaga da memória. O tempo passou, mas os problemas familiares graves, uma falência, dinheiro esbanjado e a incapacidade para trabalhar do homem que era "um artista nas obras" roubaram os sorrisos. Dos milhões do prémio, o ganho mensal destes "excêntricos" vem agora da Segurança Social, na forma do Rendimento Social de Inserção.

    "Foi um grande dia, como é normal. Até fui eu que fiz a chave. Mas ao quinto número, não vi mais. Não aguentei. Mostrei ao meu pai e ele viu que tínhamos os seis números: o Totoloto completo. Foi uma alegria. Fomos a correr para casa dos meus tios para festejar", relembra à Domingo Fábio, de 21 anos, mas ainda com o frenesim dos 12 que na altura tinha.

    As possibilidades ganharam número proporcional às vontades na pequena localidade rural de Várzea da Ovelha e Aliviada, Marco de Canaveses. Os pais, José Carlos e Maria Augusta, só queriam uma casa maior– tipo vivenda – para sair do pequeno anexo em que viviam. Também gostavam de carros, e o pequeno Peugeot já não servia. Na garagem, deu lugar a um potente Rover, um Mazda e, depois, a um Mercedes. A empresa de construção que sempre ambicionaram podia agora nascer.

    Eles sonharam e tudo surgiu. Mas não da forma que imaginaram. O caminho para a felicidade teve inúmeros percalços. "Se fosse hoje preferia não ter ganho porque apesar de o dinheiro trazer coisas boas, também nos prejudicou muito", diz, peremptória, Maria Augusta.

    Fábio abana com a cabeça, em sinal de desaprovação. "Não sou da mesma opinião. O dinheiro é bom. Não traz felicidade mas ajuda. Para se ser feliz pode-se ou não ter dinheiro, isso depende de nós", atira o jovem.

    PERFIL

    Fábio Almeida tem 21 anos e namora há dois. Quer casar e estabilizar.

    REVOLTA

    Não perdoa os que o pai ajudou e lhe viraram as costas.

    MIÚDO

    Tinha 12 anos e foi ele que preencheu o boletim.

    "A CASA JÁ ESTEVE À VENDA POR 500 MIL EUROS"

    Imponente e majestosa, a vivenda é bem visível a quem se aproxima da encosta. Quem a vê de fora percebe automaticamente que aquela é uma moradia faustosa e imagina que não seja barata. Fábio, o filho do casal, desfez as dúvidas à Domingo e revela que a casa já esteve à venda por "500 mil euros".

    A família tem ainda outra casa, feita anos depois de serem bafejados pela sorte. Fica em Tabuado, a poucos quilómetros da casa em que vivem. A nossa reportagem visitou a casa e a placa "Vende-se" é bem visível. A habitação está ainda por acabar. Ainda assim o valor pedido para a compra não é baixo. "Essa está avaliada em 240 mil euros", diz o jovem de 21 anos. "Se precisássemos mesmo, tínhamos de baixar o preço para vender".

    "ERA MUITO MIÚDO E QUIS UMA MOTO 4"

    A excitação de ter nas mãos o prémio do Totoloto é difícil de esquecer. Um momento único na vida. A felicidade transborda e todos as vontades e planos surgem à velocidade da luz. Ainda para mais, era apenas um rapaz de 12 anos. "Era muito miúdo e quis uma moto 4. Acho que é normal", diz o jovem, agora com 21 anos, à espera de aprovação. Esses momentos de alegria misturam-se agora na cabeça de Fábio com algum ressentimento. Mágoa com aqueles a quem o pai deu e não souberam agradecer. "Há muita gente invejosa e que nos quer mal. Mas eu com esses posso bem", concretiza, com o olhar perdido na paisagem.

    (...)

    ""NÃO CONCORDO QUE RECEBAM OS SUBSÍDIOS"

    O conhecimento profundo das gentes de Várzea da Ovelha e Aliviada, no Marco de Canaveses, que os oito anos à frente da junta de freguesia lhe deram, permitem a Carlos Monteiro apontar certeiro na sentença. "São boas pessoas, isso é inquestionável. Mas a verdade é que ganhar tanto dinheiro deu-lhes a volta à cabeça".

    A vaidade é outra das justificações para que a felicidade não durasse para sempre. "Sabe como é, construíram uma casa de luxo e depois fizeram outra. O negócio começou a correr mal e não conseguiram vendê-las". No entanto, quando o tema é o rendimento mínimo, Carlos Monteiro abana a cabeça e o desagrado é evidente. "Não concordo que recebam subsídios".

    NOTAS

    MILHÕES

    Em 2001, o prémio da sociedade feita em Várzea da Ovelha foi de cerca de 1 milhão e 200 mil euros.

    EXEMPLO

    O sócio da família Almeida é apontado pelo presidente da Junta como um exemplo na gestão.

    BISCATES

    O autarca, Carlos Monteiro, diz que José Almeida faz uns biscates, mas que não declara esses rendimentos.

    VÍCIO

    Um milhão de portugueses teve problemas com o jogo ao longo da vida e 200 mil caíram no vício.


    http://www.correiodamanha.pt/notici...ontentid=0561569B-FD72-43E4-A945-84258334B7F8

    :angry::angry::angry::angry::angry::angry::angry::angry::angry::angry:
     
  12. Mário Barros

    Mário Barros
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    Medina Carreira diz que Novas Oportunidades é «trafulhice» e «aldrabice»

    O antigo ministro das Finanças Medina Carreira arrasou na noite de terça-feira o programa Novas Oportunidades, classificando-o de «trafulhice» e «aldrabice», defendendo um regime educativo exigente como condição para a integração no mercado de trabalho

    Convidado da tertúlia 125 minutos com..., que decorreu no Casino da Figueira da Foz, Medina Carreira disse ainda que a educação em Portugal «é uma miséria» e que as escolas produzem «analfabetos».

    «[O programa] Novas Oportunidades é uma trafulhice de A a Z, é uma aldrabice. Eles [os alunos] não sabem nada, nada», argumentou Medina Carreira.

    Para o antigo titular da pasta das Finanças a iniciativa dos Ministérios da Educação e do Trabalho e da Solidariedade Social, que visa alargar até ao 12.º ano a formação de jovens e adultos, é «uma mentira» promovida pelo Governo.

    «[Os alunos] fazem um papel, entregam ao professor e vão-se embora. E ao fim do ano, entregam-lhe um papel a dizer que têm o nono ano [de escolaridade]. Isto é tudo uma mentira, enquanto formos governados por mentirosos e incompetentes este país não tem solução», acusou.

    As críticas de Medina Carreira estenderam-se aos estudantes que saem das escolas «e não sabem coisa nenhuma».

    «O que é que vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda por aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa-fandanga», frisou.

    Defendeu um regime educativo «exigente, onde se aprenda, porque os empresários querem gente que saiba».

    Questionado pela jornalista Fátima Campos Ferreira, anfitriã da tertúlia, sobre a avaliação de professores, Medina Carreira classificou-a de «burrice».

    «Se você não avalia os alunos, como vai avaliar os professores?», inquiriu.

    Admitiu, no entanto, que os professores terão de ser avaliados, desde que exista «disciplina nas aulas, o professor tiver autoridade, programas feitos por gente inteligente e manuais capazes», argumentou, arrancando aplausos da assistência.

    Lusa / SOL
     
  13. Agreste

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    «A dívida da Grécia ascende a "300 mil milhões de euros, a maior da história da Grécia moderna", disse hoje o vice-ministro das Finanças do país.

    Alarme soa na Grécia, bolsa afunda 11% esta semana 09/12/09

    Depois dos alertas da Fitch e da S&P, várias vozes do mundo financeiro se ergueram para dar uma garantia: a Grécia não deve entrar em incumprimento. Trichet, Soros e Angela Merkel foram algumas delas.

    Angela Merkel manifestou hoje solidariedade com a Grécia e afirmou que todos os países da zona euro têm uma quota parte de responsabilidade no destino do país.

    "O que acontece num Estado-membro fecta todos os outros, especialmente quando existe uma moeda em comum, o que significa que existe uma responsabilidade comum", afirmou hoje a chanceler alemã.

    O multimilionário George Soros afirmou por sua vez ter a certeza que o Governo grego não vai deixar que o país entre em incumprimento, apesar das crescentes dificuldades orçamentais e dos receios do mercado.

    "Tem de haver pressão sobre a Grécia para por a casa em ordem, mas tenho a certeza que não vão deixar que o país entre em incumprimento. E o mesmo se aplica ao Reino Unido", disse Soros em entrevista à Sky News.

    Já Jean-Claude Trichet pediu ao governo grego "medidas corajosas" que reduzam o défice orçamental e a dívida, uma vez que as dificuldades do país inquietam o conjunto da zona euro.

    "Perante a gravidade da situação, tenho confiança que o governo grego irá tomar a curto prazo as medidas corajosas e necessárias", disse o presidente do Banco Central Europeu (BCE) numa entrevista publicada em dois jornais belgas.

    Também o primeiro-ministro do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, afastou uma situação de falência do Estado grego, adiantando que o país não irá necessitar de apoio externo para fazer face às suas dívidas.

    "Excluo por completo uma falência do Estado grego", assegurou o responsável, citado pela Bloomberg.

    No mesmo sentido, Ewald Nowotny avançou que os receios em torno da dívida do país não são de todo uma razão que leve a pensar na eventual saída do país da União Europeia, apesar de uma maior subida do euro afectar a recuperação económica da região.

    Questionado sobre se existe um risco de separação entre os países da zona euro devido aos receios em relação à situação financeira da Grécia, o governador austríaco disse: "Não, não existe esse risco de forma alguma" e acrescentou: "a saída da Grécia da zona euro é algo completamente irreal".

    Também o governador do banco central belga, Yves Mersch, afirmou estar confiante de que as autoridades da Grécia estão conscientes da gravidade da situação do país e vão tomar todas as medidas necessárias.

    A Fitch desceu ontem o ‘rating' da dívida da Grécia de ‘Aaa' para ‘BBB+', depois da Standard & Poor's ter colocado a dívida do país em vigilância negativa uns dias antes.

    O primeiro-ministro grego, Georges Papandréou, convocou hoje uma reunião de todos os líderes partidários para lutar contra a corrupção e a fraude fiscal e enviar uma mensagem forte ao estrangeiro que mostre a vontade da Grécia de "limpar" a sua economia.

    Edição Digital do Económico de 2009-12-10
    Económico Investidor»

    Não podia deixar de chamar a atenção para o que se está a passar na Grécia... Défice de 12,7%, dívida externa a 120% do PIB em 2010, 135% em 2011, dívida externa creditada em BBB+ e crescimento negativo de 1,7% no último trimestre... uma autêntica camisa de forças...
     
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  14. frederico

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    O que está a acontecer na Grécia é o que nos espera em breve se avançarmos com mais obras públicas. A Grécia recentemente também apostou muito em obras públicas «estruturantes», com um novo aeroporto, auto-estradas, etc. Os resultados estão à vista. Em relação a Portugal, poucas esperanças tenho. Será o empobrecimento gradual até o dia que tenham de ir buscar outro Salazar. Os dados económicos assim o indicam.

    Penso que as previsões económicas a longo prazo para a Grécia são mais favoráveis do que as nossas. O que vai acontecer por cá é que quando a Europa começar a dar de novo o salto, vamos crescer 1 e tal por cento, mas depois estagnar aí... e quando os juros subirem, quero ver... Para chegarmos ao nível da Europa «rica» precisávamos de mais de 2 por cento durante uns belos anos, mas nada disso está à vista.
     
  15. frederico

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    «Governo irlandês adoptou medidas drásticas para controlar a despesa pública no orçamento para 2010 e decidiu reduzir salários a professores, enfermeiros e polícias. Está também prevista a redução de prestações da segurança social a desempregados e a famílias com filhos.

    O Orçamento do país, apresentado ontem ao fim do dia, prevê uma redução global da despesa de seis mil milhões de euros nos próximos dois anos, noticia hoje a imprensa internacional. O objectivo mais vasto é conseguir uma redução do défice público de 11,7 por cento este ano para 2,9 por cento em 2014.

    A Irlanda enfrenta este ano a maior recessão da zona euro, com uma previsão de recuo do PIB da ordem dos oito por cento. O pais pode mesmo sofrer três anos seguidos de recessão: depois de no ano passado ter tido um recuo de 2,3 por cento do produto, para o próximo a previsão é idêntica.

    Esta recessão, que é também a maior da sua história moderna, pôs a Irlanda a braços com uma paralisa do mercado imobiliário e com um sistema bancário à beira do colapso.

    O salário dos funcionários públicos será reduzido em dez por cento.
    Para dar o exemplo, o primeiro-ministro vai reduzir o seu próprio salário em vinte por cento e o dos seus ministros em 15 por cento.


    O subsídio às crianças vai ser reduzido para 16 euros mensais, o que, juntamente com cortes nas prestações para os desempregados, vai permitir poupar 760 milhões de euros em despesas da Segurança Social no próximo ano.

    O ministro das Finanças disse também que alguns impostos podem aumentar em 2011 e que os serviços públicos terão um corte de mil milhões este ano.»


    Por cá urge que se tomem medidas dos género, e que se nivelem os ordenados dos gestores, dos médicos, dos juízes ou dos deputados de acordo com a produtividade do país, que se despeçam milhares de funcionários públicos do poder local ou de outras dependências do Estado e que se anulem algumas ajudas sociais, mas quem tem coragem de GOVERNAR Portugal?
     
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