Tenho ao meu lado uma lista de livros que pretendo adquirir no futuro. Contudo, de momento, não tenho dinheiro para todos. Também gostaria de ir mais vezes ao estrangeiro, especialmente para assistir a bons concertos de música clássica e de ópera. Sou estudante, e portanto não tenho dinheiro.
Todos nós temos os nossos sonhos, e a verdade é que a concretização de muitos implica dinheiro. Coisa que não abunda, ao contrário do que alguns dizem, num país pouco produtivo e onde ainda há 30 anos atrás nem havia electricidade em muitas povoações.
Quando se lamentam da falta de dinheiro, os portugueses esquecem sempre um pormenor: parte substancial da riqueza que produzem, vai para o Estado. Sim, para o Estado, via impostos. Ora, seria de exigir que esse dinheiro que nos é tirado dos bolsos fosse escrupulosamente aplicado. Para desperdiçar, então o ideal seria permanecer connosco, e assim teria o destino que o nosso livre arbrítio assim julgasse.
Mas não é isso que sucede. Das derrapagens financeiras, que ninguém julga e para as quais nunca há culpados punidos na Justiça, às megalomanias de «província» e de Estado central, são aos milhões os euros que nos saem dos bolsos para nos empobrecer mais do que para nos desenvolver.
Parece que os portugueses não percebem isto, e ao invés de sair para a rua, e insurgirem-se contra o saque, por vezes ainda pedem mais roubo. Pobre povo o nosso, que saiu de uma ditadura para isto. Basta dar-lhe circo e betão que fica maravilhado.
A diferença entre propaganda e realidade, ou mais um exemplar para a lista dos filhos do saque (elefantes brancos):
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Aviação
Aeroporto de Beja poderá atingir 1,8 milhões de passageiros em 2020
03.02.2007 - 10h32
Por Lusa
Miguel Madeira/PÚBLICO (arquivo)
O turismo será a vocação de lançamento do aeroporto, onde deverão começar a aterrar muitos voos charter e low cost
O aeroporto de Beja prevê atingir, entre partidas e chegadas, uma média de 178 mil passageiros em 2009, que poderão aumentar até 1,8 milhões em 2020, segundo as previsões da empresa responsável pelo projecto.
Em entrevista à Lusa, o presidente da Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja (EDAB), José Queirós, justificou as estimativas com a "existência de condições para um crescimento da procura turística".
O responsável apontou o aproveitamento civil das infra-estruturas da Base Aérea nº 11 (BA11) como a "principal razão" justificativa da construção da plataforma aeroportuária.
"Sem as infra-estruturas militares da BA11 perfeitamente operacionais e de boa qualidade, como é o caso da pista, seria difícil e injustificável construir um aeroporto de raiz em Beja", disse, acrescentando que "nenhuma infra-estrutura do género custa 33,1 milhões de euros".
Os empreendimentos turísticos de grande dimensão que se "avizinham" no Litoral Alentejano e na zona de Alqueva, que "vão transformar o Alentejo numa região de alto valor turístico", são outras das razões apontadas por José Queirós.
O turismo será, por isso, afirmou, a "vocação de lançamento" do aeroporto, que deverá assumir-se como complementar aos de Lisboa e Faro e apostar, graças à sua estrutura simples e custos operacionais reduzidos, nos voos de passageiros de companhias "charter" (voos ocasionais) e de "low cost" (voos regulares de baixo custo).
Com condições naturais "excelentes" e "difíceis" de encontrar nos aeroportos próximos de grandes cidades, o aeroporto de Beja, salientou José Queirós, "está também vocacionado para a carga aérea e pode tornar-se a mais importante plataforma logística aeroportuária do Sul do país".
"Mais do que um complemento, pode ser uma alternativa ao aeroporto de Faro, que praticamente não processa carga devido às limitações logísticas e de comprimento de pista", afirmou.
Por outro lado, defendeu, o aeroporto "deve explorar a sua proximidade com o porto de Sines para se transformar também numa importante plataforma de distribuição aérea de produtos destinados à Europa".
Neste capítulo, José Queirós referiu o projecto da Associação da Indústria e do Comércio dos Chineses em Portugal (AICCP), que quer criar, junto ao aeroporto, um parque empresarial dotado de condições necessárias para se transformar num interposto comercial para abastecimento e distribuição de produtos chineses destinados ao mercado europeu.
A AICCP pretende também instalar, no parque, um pólo industrial de produtos semi-acabados, ou seja, um conjunto de fábricas para montagem e acabamento de produtos de empresas oriundas da China e que se destinam à comercialização no mercado europeu.
De acordo com José Queirós, junto ao aeroporto de Beja poderá também "nascer" um "cluster" aeronáutico, através da instalação de empresas ligadas ao sector, como unidades de fabrico de módulos e componentes aeronáuticos ou de manutenção de aeronaves.
http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1284570
País Real:
Aeroporto de Beja inicia actividade como parque de estacionamento para aviões
Por Carlos Dias
Apesar de a infra-estrutura estar quase concluída, vão ser necessárias mais obras não previstas.
O investimento foi de 33 milhões de euros, os prazos derraparam e agora ficou claro que não há operadores interessados no aeroporto de Beja. Solução? Usar a estrutura para estacionar aviões inactivos. Quanto ao tráfego aéreo, talvez lá para 2014.
O aeroporto de Beja está praticamente pronto e a partir de agora o objectivo prioritário é saber que uso lhe pode ser dado. Esta é a conclusão que se pode retirar do Plano de Marketing do que passa a ser designado "Aeroporto do Alentejo".
Face à falta de operadores interessados em investir na nova unidade aeroportuária, a Ana - Aeroportos de Portugal, entidade que detém a sua concessão, admite que o Aeroporto do Alentejo vai ter "um arranque muito difícil", observa Luís Taborda, técnico de marketing da empresa, que se deslocou na quinta-feira a Beja para apresentar aos empresários da região as tarefas que vai ser necessário executar para "vender" um aeroporto que tem anunciada a sua abertura ao tráfego civil para Setembro de 2010.
Como não são conhecidos operadores interessados em utilizar o aeroporto, a ANA estabeleceu um programa, em três fases, que se vai prolongar até 2014. "A primeira passa por parquear" na placa de estacionamento do novo aeroporto "os aviões inactivos que estão a ocupar espaço noutros aeroportos", anuncia Luís Taborda. Segue-se o propósito de instalar empresas de manutenção de aeronaves "e só então, lá para 2014, é que podemos pensar no tráfego de passageiros".
Também aqui as perspectivas não são animadoras. Espera-se um fluxo de 24 mil passageiros e dois voos semanais, sem que seja possível identificar de onde virão e para onde irão.
O Aeroporto do Alentejo, descrito por José Sócrates em 2007 como "um baixo investimento para um grande benefício", foi dimensionado para dar apoio à componente turística que foi anunciada para a zona de Alqueva. Mas até ao momento nenhum dos projectos programados iniciou obra, e já se questiona se arrancarão de facto.
O projecto Parque Alqueva tinha um investimento previsto de mil milhões de euros. Vai iniciar a primeira fase de obra "com 50 milhões de euros", referiu Taborda. A alternativa está em aproveitar o "turismo que a região actualmente já recebe", acentua o técnico da Ana. Acontece que a maioria vem de carro de Espanha, como reconhecem as "Orientações Estratégicas para o Sistema Aeroportuário Nacional", de 2006.
http://jornal.publico.clix.pt/notic...ue-de-estacionamento-para-avioes-18446737.htm
Ou seja, gastaram-se 33 milhões de euros para nada. Agora, há que contar com os custos de manutenção. Estádio do Algarve, Estádio de Aveiro, Estádio de Coimbra, quatro ou cinco auto-estradas e agora um aeroporto. Milhões de euros que nos saíram dos bolsos e entraram nas contas das grandes construtores. Assim meus caros, assim se empobrece e se destrói a classe média de um país.