Essa é a triste realidade que se vê nestes tempos Vince.
O povo atónito, adormecido, espezinhado, vai compadecendo com os ataques às instituições que ainda os tratam como pessoas e não números.
Esta
"estatística" falante começa a ficar asfixiada por um estado que não cuida mas também não deixa cuidar...
O princípio que norteia estes governantes é o de que tudo se resolve legislando e manipulando. É o triste fim da democracia que quer acabar com tudo o que seja iniciativa privada seja neste campo seja na economia.
Tudo tem de ser controlado pelo estado nem que para isso se metam nas empresas e instituições privadas gente do partido.
AFIRMO: É O SOCIALISMO\COMUNISMO na génese deste comportamento. É afinal o TOTALITARISMO DE ESQUERDA a emergir!
Os "bons" exemplos são a colagem nítida a governos de Cuba, Venezuela, Angola e Rússia.
P.S.: sou contra qualquer tipo de ditadura seja de esquerda ou de direita, mesmo que encapotada como o que está a surgir por aqui.
Discordo. Socialismo e Comunismo são realmente outro tipo de coisas. O texto completo está disponível no site do PCP.
Faz (Fez) 20 anos, a 3 de Outubro, que a Alemanha Federal iniciou oficialmente o processo de anexação e colonização da República Democrática Alemã. A grande burguesia e os servidores do capital monopolista costumam apresentar os acontecimentos que conduziram ao fim do socialismo na RDA como um acto «revolucionário» ou «libertador», mas o tempo encarregou-se de demonstrar que se estava e continua a estar perante um prologando processo contra-revolucionário de proporções devastadoras. Aqueles que a partir de 1990, numa orgia de vandalismo político-cultural, destruíram bibliotecas e livros, galerias e quadros, encerraram policlínicas e academias, destituíram docentes, afastaram jornalistas, e apagaram nas ruas os nomes de comunistas, socialistas e antifascistas como Clara Zetkin, são os mesmos que nos últimos vinte anos têm vindo a retirar direitos aos trabalhadores, a destruir o chamado «Estado social», a intensificar o militarismo e as guerras de agressão e que, num processo vergonhoso de revisão e falsificação da história, procuram branquear os crimes do grande capital e criminalizar as forças da resistência.
A existência do primeiro Estado socialista alemão foi sempre um espinho cravado no coração do imperialismo. Após a II Guerra Mundial, a luta do movimento operário e a existência do socialismo na RDA obrigaram os grupos monopolistas, que tinham enriquecido à sombra do terror nazi, a fazer concessões à classe operária. Mas o objectivo da liquidação do socialismo que levara Hitler a invadir a União Soviética manteve-se sempre inscrito na sua agenda contra-revolucionária.
Apesar de graves deficiências, deformações da democracia socialista e de importantes condicionalismos de ordem internacional, as conquistas reais do socialismo na RDA, como a eliminação da miséria, o pleno emprego, a educação de elevado nível, o acesso generalizado à cultura e ao desporto, saúde universal e gratuita, habitação a muito baixo preço, reformas asseguradas na velhice, etc., estão em flagrante contradição com a realidade que hoje se vive nos países capitalistas. Cada vez se compreende melhor porque é que a máquina de propaganda do grande capital procura abafar as conquistas do socialismo, ou desacreditá-las, como se fossem velharias do século XIX, espalhando a ideia de que não há alternativa para um sistema, o capitalismo, que gera tanto desemprego e miséria.
Logo que a RDA perdeu a sua soberania, uma chusma de 30 mil funcionários políticos e administrativos enviados de Bona invadiu o território da Alemanha do Leste com o objectivo de garantir a liquidação das estruturas do socialismo e a transformação do aparelho de Estado num instrumento ao serviço do capital monopolista. Quase todas as posições-chave foram ocupadas por alemães ocidentais. Quanto mais importante era a função mais elevada era a percentagem de funcionários ocidentais. Em 1990, os 62 secretários de Estado dos vários governos regionais do Leste tinham vindo todos da RFA. Através da chamada «Treuhand» – um organismo criado expressamente para privatizar e desmontar a economia da RDA – o Deutsche Bank, e os monopólios ocidentais apoderaram-se ao desbarato de tudo o que puderam, em muitos casos para encerrar a produção e desfazer-se de incómodos concorrentes. Os cidadãos da antiga RDA viram-se de um momento para o outro a viver num país vendido. 85% das empresas foram açambarcadas pelo capital alemão ocidental, enquanto 9% foram repartidas pelo capital de outros Estados europeus, como a França, a Suíça, a Áustria, a Inglaterra e a Holanda. Apenas 6% ficaram em poder de alemães do Leste. A produção industrial caiu para um terço. O semanário Die Woche qualifica este processo como «a maior desmontagem de uma nação industrializada em tempo de paz». (1)
Só entre Outubro de 1990 e Dezembro de 1994 foram liquidados, como se tivessem sido devorados por uma praga de gafanhotos, 75% da economia, fábricas e unidades de produção industrial e agrícola que eram propriedade de todo o povo da RDA. 40 000 contratos de privatização de empresas ou dos seus sectores mais rentáveis foram assinados pela «Treuhand». Nesse mesmo período, a percentagem de postos de trabalho destruídos nesse sector foi de 90%, caindo o seu número de 3162 867 postos de trabalho, em 1990, para 179 791, em 1993. A força de trabalho passou novamente a ser considerada uma mercadoria. Desapareceu o direito ao trabalho. Os trabalhadores voltaram a ser reduzidos a um factor de custos. O potencial científico da ex-RDA baixou pelo menos 60%. O rendimento familiar passou para 40% do rendimento ocidental e a percentagem de mulheres com actividade profissional passou de 86% para 56%.
Mais intensamente do que aconteceu noutros ex-Estados socialistas do Leste, na RDA a restauração capitalista foi consumada por um centro de poder estrangeiro, o Estado alemão ocidental, e de uma forma que contém todos os traços de um processo de colonização. (2)
O papel da social-democracia
E se coube ao governo de Helmut Köhl e à democracia-cristã ludibriar o povo da RDA com a promessa das célebres «paisagens florescentes» e entoar o canto da sereia das maravilhas do capitalismo, foi a social-democracia e os governos do chanceler Schröder que assumiram a tarefa de estender definitivamente a toda a Alemanha a contra-revolução social através da tristemente célebre «Agenda 2010» e das medidas «Hartz IV», que acabariam não só por institucionalizar a pobreza, mas por impor modernas formas de escravatura, através de medidas brutais, atentatórias da dignidade humana, como a obrigatoriedade para os desempregados de trabalhar por um euro à hora.
Para as classes dominantes, a política do governo de Schröder ficou marcada pelas vantagens fiscais para os bancos, grupos económicos e operações de especulação financeira, pela privatização das telecomunicações, dos correios e de outros sectores essenciais e rentáveis do Estado, pelo reforço dos benefícios para os rendimentos do capital e das grandes fortunas e pela desvalorização dos rendimentos do trabalho. O resultado destas medidas foi a liquidação da base financeira do «Estado», uma vez que as suas receitas dependem fundamentalmente da tributação dos rendimentos dos trabalhadores. (3)
Primeiro, reduziram-se as receitas estatais para logo de seguida se afirmar que não havia dinheiro para o Estado poder cumprir as suas funções e deveres constitucionais. Passados 20 anos, 7 milhões de pessoas em toda a Alemanha vivem abaixo do nível da pobreza, enquanto o número de milionários e multimilionários subiu para cerca de 800 mil numa população de 80 milhões de habitantes.
A chamada «aliança para o emprego», celebrada entre a direcção social-democrata da Federação dos Sindicatos Alemães (DGB) e o patronato, conduziu à estagnação escandalosa dos salários e à generalizada perda do poder de compra dos trabalhadores, mas o patronato continuou a liquidar milhões de postos de trabalho e a somar lucros fabulosos.
O social-democrata, Walter Riester, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, abriu, enquanto Ministro do Trabalho, o sector das reformas ao capital privado e às actividades especulativas. O social-democrata Norbert Hansen, presidente do Sindicato dos Ferroviários, aprovou o plano da privatização dos caminhos-de-ferro (neste momento adiado devido à crise financeira), sendo imediatamente recompensado com um posto na direcção da empresa. O social-democrata, Klaus Zwiekel, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos permitiu, como membro do conselho fiscal da Mannesmann, a sua venda à Vodafone em troca de prémios exorbitantes oferecidos à direcção da empresa, tendo de se sentar no banco dos réus ao lado do símbolo máximo do capitalismo alemão, Joseph Ackermann, presidente do Deutsche Bank. Num momento em que é vital para os trabalhadores intensificar a luta de resistência contra o roubo dos salários e a destruição dos direitos laborais, o presidente da DGB, o social-democrata Michael Sommer, recusa-se a exigir do Governo e do Parlamento a revogação da legislação que proíbe as greves gerais e impõe graves limitações aos direitos dos trabalhadores. O primeiro acto do presidente e dos membros da direcção do Sindicato dos Serviços, após a fusão naquele sindicato das cinco organizações do sector dos serviços, foi a duplicação dos seus salários de 100 mil euros para 190 mil euros anuais, com o pretexto de que necessitavam de rendimentos mais elevados para poder negociar em pé de igualdade com o patronato.
Tudo isto demonstra como a contra-revolução corrompeu a social-democracia, provocou o abandono das posições de classe dentro dos sindicatos e colocou à sua frente dirigentes que se identificam com o grande capital e a burguesia endinheirada. Este processo degradante da execução da contra-revolução social e de retrocesso democrático por um partido denominado «social-democrata» teve efeitos desastrosos para o próprio SPD, tendo provocado, pela primeira vez em 150 anos de existência, o abandono do partido pelo seu presidente, a maior cisão da base sindical social-democrata de que há memória e a perda de mais de metade do eleitorado.
Consigo encontrar enormes semelhanças com a "construção do mercado" portuguesa. 